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Um cachorrinho de aproximadamente 6 quilos, arrastando quase 3 metros de corrente, por uma rua muito movimentada. Assim ele foi visto pela primeira vez.

Bob 1

Era um menino muito amedrontado e arredio, que distribuía dentes a quem dele tentasse se aproximar.

A guia que lhe circulava o pescoço estava apertada demais e, em sua ponta, outro metro e meio de uma grossa corrente.

Bob 2

Tínhamos ali o sinal de que ele havia fugido, mas, definitivamente, não estava em um bom lugar.

A grossa corrente e a guia apertada eram ruins, mas foi graças a elas que consegui fazer o resgate, mesmo contra os protestos do menino, que, sem poder usar as pernas, usou os dentes sem cerimônia e me furou fundo pelo menos 3 dedos.

Bob 3

Ele foi internado, passou por exames e, apenas 2 dias depois, já estava acomodado em uma casinha, castrado e usando uma roupinha cirúrgica. Continuava amedrontado e arredio, principalmente comigo, pois o resgate havia sido tenso.

Bob 4

Na Clínica, além dos cuidados médicos, teve também início o seu processo de socialização. Ele ganhava colo todos os dias, junto com um pouco de salsicha.

Aliás, ele não aceitava ração e nada que fosse comida de cachorro. Nem o patê ele comia.

Bob 5

Ele não poderia ficar arredio para sempre e começamos então a visita-lo na clínica.

Usamos o colo da Aline e as mesmas salsichas, como pretexto para começarmos uma amizade.

Bob 6

A técnica da boca cheia é infalível pra que um cãozinho aceite afagos.

Bob 7

Os curativos dos furos que ele havia feito nos meus dedos há dois dias ainda estavam ali, e ainda doíam muito, mas precisávamos de uma segunda chance de criar uma primeira boa impressão.

Bob 8

A devoção dele com a Aline era um sinal bem claro de que ali não havia cachorro bravo.

Bob 9

Pelo contrário, era um cãozinho amigo, muito bonzinho. Sabemos que um cachorro em condições de estresse ou medo só tem os dentes pra se defender.

Sem referências boas das pessoas, não se pode exigir dele comportamento diferente.

Bob 10

Deixou a Clínica numa tarde de terça feira e foi colocado no banco do meu carro, ainda bem agitado e com a indicação de usar o colar por mais 24 horas.

Chegou por aqui, foi colocado na varanda e pôde, finalmente, conhecer o lar temporário e a família provisória, que ele terá até que sua mãe chegue para lhe buscar.

Bob 11

Dois dias depois, já sem o colar, já estava totalmente adaptado à nossa família. Corria, latia, brincava, cheirava, pulava e pedia carinho em tempo integral.

Bob 12

Tornou-se o mais bonzinho cãozinho da história, de fazer correria, brincar, fazer arte e coisas típicas de filhote arteiro.

Filhote sim, pois a veterinária estimou sua idade em no máximo um ano.

Fez exames completos e, estando negativo para leishmaniose, iniciou a vacinação com a Leishtec.

Bob 13

Deu-se muito bem por aqui, mas precisa seguir outros caminhos. Temos uma luta longa com a Julinha e precisamos deixar que o Bob, nome que ganhou depois do resgate, siga outros caminhos.

Queríamos pra ele caminhos especiais. Ele precisaria conviver com a família dentro de casa, de companhia (Ideal que tenha outro cachorro) e que o adotante pudesse dar sequencia ao calendário de vacinação já iniciado.

Bob 14

Alguns dias depois que chegou à nossa casa, já comia ração, mas só aceitou ração de boa qualidade. Não gosta de ficar sozinho, mas fica muito bem com outro cachorro.

Bob 15

Virou um cãozinho de colo, que brincava sem parar. Tinha energia sobrando.

Continuava a morder dedos, mas agora de uma forma bem diferente. Sua única intensão era brincar.

Bob 16

Finalmente, estava saudável, em ótima forma e pronto pra começar uma nova vida. Claro que as referências dos tempos difíceis ainda estão ali, embora esquecidas um pouco a cada dia.

Sabíamos que o Bob era um menino que precisaria ser conquistado. Mas sabíamos também que essa não seria uma tarefa difícil.

O segredo com ele é apenas não forçar a barra no primeiro encontro. Mas ele mesmo se encarrega de aproximar e pedir colo.

Bob 17

E foi aí que uma nova etapa para o Bob começou a se desenhar. Quando resgatamos um anjo, não sabemos exatamente qual é a missão dele na terra.

E descobrimos mais tarde que o Bob tinha uma missão. A vida tem seus métodos para “juntar pontas soltas”. E foi aí que, em uma manhã de domingo, dia dos pais, Bob conheceu sua nova família.

Um garoto chamado Felipe estava pronto para recebe-lo, com a alegria típica. Será uma nova etapa de vida, para os dois.

Bob adotado 1

A nova família do Bob é bem numerosa e vai sobrar colo. Claro que a aproximação começou tímida. Afinal, ele estava tenso, pois sabia que uma despedida se aproximava.

Mesmo assim, se rendeu à amizade do Brian, que mostrou que entendia de lobos. Sabia o quando essas criaturas são interesseiras e logo cuidou de fazer amizade, conquistando-o com petiscos.

Bob adotado 2

E quando se junta a fome com a vontade de comer, o resultado não poderia ser outro.

Bob adotado 3

As primeiras fotos que recebemos já davam notícia de que o Bob, como novo filho caçula, herdará as roupas do Felipe.

E foi assim que nos despedimos de um menino muito especial. Foi uma alegria receber o Bob em nossa casa e temos a certeza de que ele levará alegria por onde passar.

Fica registrado nosso muito obrigado à Simone, Felipe, Brian e toda a família, pela acolhida do nosso caçulinha arteiro. Ficaremos à espera de novas fotos e atualizações.

Bob adotado 4

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