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Projeto AMA – Ação Magnum Agostiniano. Trata-se de um grupo formado por monitores (alunos) do 6º ao 9º ano do Ensino Fundamental que, semanalmente, visitam creches, asilos e hospitais, com o objetivo de levar calor humano, solidariedade e entretenimento para as pessoas que estão nesses lugares.

Fonte: http://www.magnum.com.br

Há algumas semanas, diversificando ainda mais e ampliando os benefícios das ações do Projeto AMA para outros seres, igualmente carentes de afeto, atenção e calor humano, os alunos decidiram fazer uma visita a um abrigo de animais.

E, como a vida sempre se encarrega de reunir as pontas soltas no universo (como diz Reynaldo Rocha), eles encontraram o Projeto de Educação Ambiental da Cão Viver, voltado exatamente para jovens e escolas.

Mais que isso, coincidentemente (só pra quem acredita no acaso), a Cão Viver havia recebido mais de 20 cães das raças Poodle, Pinscher e mestiços dessas duas raças, que haviam sido entregues por um acumulador.

Eles nasceram em uma casa superlotada e cresceram sem conhecer uma caminha macia ou um colo só deles. Disputavam a comida, os cantos e os afagos com outros cem ou até mais. Muitos deles não se lembravam de mãos humanas.

Viviam amontoados, como se buscassem a proteção do grupo (contra os humanos, é claro). Não sabemos quais métodos eram usados pra estancar os latidos e uivos noturnos. Melhor mesmo não saber. Basta-nos a constatação de que eles, agora, precisam de colo. O passado não importa mais.

Embora tenham evoluído pra viver no colo e dividir a cama com os donos, eles não conheciam nada disso.

Desperdiçaram a vida sendo acumulados feito lixo. Infelizmente, as adoções não vieram tão rápido quanto desejávamos. Como os cãezinhos estavam muito arredios e assustados, acabavam preteridos em relação a outros mais afáveis e dóceis.

Os dias se passaram e, para alguns daqueles primeiros resgatados, a nova vida já começou. Metade deles já foi adotada. Estão felizes, descobrindo um mundo diferente daquele amontoado onde viviam.

Outros, apesar do resgate, continuam aguardando por uma adoção que ainda não chegou.

Para ajudar a socializá-los, a Cão Viver tem recebido ajuda de voluntários, que vão ao abrigo apenas para lhes fazer companhia. São pessoas que oferecem colo e carinho. Aos poucos, eles vão aprendendo que viver é bom.

E foi fazendo coro a esses voluntários anônimos que surgiram os alunos do Colégio Magnum. Se o objetivo do Projeto AMA é levar calor humano a quem precisa, acertaram em cheio quando decidiram visitar a Cão viver. Ali havia seres muito carentes daquilo que os jovens podiam oferecer.

Além do conteúdo científico, as instituições de ensino precisam mesmo formar pessoas de bem, que possam fazer a diferença e ajudar a transformar este Planeta.

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Era esperado que se encontrassem cães ainda assustados e arredios. Eles se amontoavam buscando a proteção do grupo, repetindo o mesmo comportamento de defesa, aprendido no lugar onde nasceram.

Em razão do trabalho que já vem sendo feito, eles até que se soltam um pouco e buscam os colos dos visitantes, mas parecem saber que estão em um abrigo e que ninguém os quer.

São cãezinhos naturalmente tristes. Vivem o presente e parece que aprenderam a não esperar muito do futuro. E não tinham mesmo esperança de coisa alguma. Nasceram amontoados e esperavam morrer assim. Nossa intenção, quando os resgatamos, era de que tivessem logo um novo começo de vida.

Infelizmente, para alguns deles, a espera tem sido longa demais. Nada será mais angustiante que assistir a morte de um só deles, por tristeza. E é o que está se desenhando, por falta de adotantes.

Quando os alunos do Colégio Magnum chegaram, encontraram, como de costume, cães amontoados e assustados. Geralmente eles agem assim com situações novas.

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Mas a vida é mesmo sábia e parece nos equipar com os instintos de que precisamos. Nunca erramos quando nos deixamos agir guiados pelo afeto. E foi isso que presenciamos naquela tarde.

Mesmo sem a experiência e os conhecimentos dos melhores adestradores, aqueles jovens recém-chegados na adolescência pareciam entender os sinais dos cães, oferecendo-lhes a aproximação na medida exata. Com calma, sem ansiedade e com movimentos suaves, eles ofereceram afagos, vozes doces, amizade. Os primeiros contatos dos cães foram com Isabella, Luísa e Fabrícia, que foram até o esconderijo, convidá-los a sair.

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Contaram com a ajuda do Sr. Bandeira, que trabalha há anos na Cão Viver e entende como poucos os sentimentos dos cães. Não é exagero afirmar que esse vovô de cachorro consegue ler e interpretar até mesmo o pulsar do coração de cada um de seus netos. A Beatriz parecia disposta a aprender com ele.

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Os jovens se espalharam pelo pátio, em silêncio, permitindo a aproximação dos cães. Alguns já estão mais sociáveis e já buscam os colos sem muita cerimônia. Outros são mais desconfiados e se aproximam com mais cautela.

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Em alguns minutos, as espécies foram se entendendo, se misturando e fazendo o que determina o DNA de ambas. Foram cem mil anos de evolução física e espiritual para que lobos e homens construíssem a amizade e o amor que sentem uns pelos outros. Não será a insanidade de uns e outros que vai conseguir estragar tudo isso.

Todos nós, cães e homens, temos gravado em nosso DNA o afeto incondicional que uniu as duas espécies. Qualquer fato contrário a isso é antinatural.

Gabriel e Leonardo foram os mais empenhados em buscar a aproximação com os cãezinhos mais arredios. Outros mais afáveis, se viram cercados por Fabrícia, Beatriz e Luísa.

De todos os lobinhos que lá ainda estão, Tico é o mais carente e disposto à interação. Ele pede colo sem cerimônia. Tem poucos dentes na boca e precisa ser adotado com urgência, para que possa ter um final de vida mais digno.

Enquanto esse final feliz não chega, os voluntários vão tornando menos tristes os dias dele no abrigo. Lívia e Taíza foram as primeiras a experimentar a linguinha nervosa do Tico.

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E nenhum outro lobinho passou por mais colos. Ele parecia querer aproveitar cada um daqueles jovens, como se estivesse escolhendo o seu. Depois de experimentar vários colos, passou pelas duas Luísas até chegar ao colo do Pedro Henrique. Ficou mais tempo por ali, nos mostrando que já tinha escolhido seu dono.

Outros chegavam a tentar se amontoar em um mesmo colo. Havia mais colos do que cachorros, mas o hábito de se amontoar não será esquecido tão cedo. A sorte deles é que aqueles jovens estavam mesmo muito empenhados em fazer o máximo que pudessem pra ajudá-los. A Luísa parecia espichar o colo pra caber mais cachorro.

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Enquanto a maioria dos lobinhos se aproximava com certa desconfiança, o Tico estava firme e forte, buscando variar de colo sempre que uma nova vaga surgia.

E ele não só se oferecia, como não tinha cerimônia pra soltar a língua sem piedade.

Não faz mal, Tico. Pode lamber à vontade que essa turma está aqui pra isso mesmo.

E se o Tico preferia variar, outros, como o Pingo, se apossavam de um só colo e não soltavam mais. Claro que nem os cães e nem os jovens vão conseguir esquecer esse dia. Torcemos para que as amizades que nasceram ali não se percam.

Se os jovens têm uma vida fora do abrigo, os cães esperam pelo dia de poderem sair dali, em um colo tão afetuoso quanto esses. Talvez por isso busquem tanto a aproximação. Talvez saibam que estão treinando. E, enquanto treinam, vão tentando conquistar quem se aproxima.

Para o Tico, o colo do Pedro até que parecia bom, mas isso só até encontrar Júlia e Letícia. É, garoto. Aproveita que está acabando.

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Estes cãezinhos são mesmo cativantes. Nem só os alunos se empenharam. A Professora Ana Lídia também se rendeu. O Luck chegou mesmo a cochilar no colo dela. Se deixassem, estaria dormindo ali até hoje.

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Outros, como o pequenino Billy, um lobinho de menos de 4 quilos, não são dos mais alegrinhos. Ele não veio ao colo pelas próprias pernas. Precisou ser “capturado”.

Assim que se acalmou e percebeu que era apenas um colo, acabou se rendendo. Deitou e não quis sair mais. Chegou até a esboçar um sorriso. Um pouco tímido mas, ainda assim, um sorriso.

E o Tico segue experimentando todos os colos.

O fato é que estes cãezinhos têm ficado cada dia mais dóceis e sociáveis. Prontos para adoção eles estão faz um tempo, mas agora, estão prontos para conquistarem quem se aventurar a percorrer o território da Cão Viver.

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Queremos deixar registrado aqui, em nome de cada um daqueles lobinhos que não sabem falar, o muito obrigado ao Colégio Magnum, por nos enviar tamanho presente. Conteúdo científico é importante, mas se queremos transformar o mundo, precisamos mesmo plantar o bem. As escolas precisam formar gente de bem, com potencial e disposição para operar as mudanças que esperamos um dia ver.

Queremos também agradecer a cada um desses jovens. Vocês são a certeza de que as mudanças que esperamos estão mesmo a caminho. Virá o dia em que todos os humanos serão protetores de animais. E só quem conhece a realidade de um abrigo pode entender a importância do trabalho de proteção animal.

Temos certeza de que vocês deixaram o abrigo melhores do que entraram. Nenhum animal abandonado, perdido ou ferido passará despercebido aos olhos de vocês. Claro que há um preço por isso, mas há também uma recompensa ainda muito maior que o preço a ser pago.

Sejam todos vocês muito bem vindos. A Cão Viver estará sempre de braços abertos para recebê-los. Vocês deram o primeiro passo. Assim nascem os protetores de animais.

E que o exemplo do Colégio Magnum seja seguido por outras escolas. Além do conteúdo científico, as instituições de ensino precisam preparar pessoas de bem, para que sejam a mudança que esperamos ver no mundo.

Os cãezinhos mostrados nesta matéria tiveram uma segunda chance e foram adotados. Hoje vivem felizes em seus novos lares.

Para quem chegou agora, eis o link da primeira matéria, contando a história destes e dos outros que continuam por lá.

http://oloboalfa.com.br/campo-dos-poodles/