Muitos dizem que o inferno é aqui. Outros levam isso a sério demais.

Não é possível se imaginar que há qualidade de vida, onde vivem 110 cães, amontoados. Falta comida, falta higiene, falta vida.

Os animais vivem em profundo estresse, brigam, adoecem e se matam, todos os dias.

Se os números não caem, é porque continuam nascendo, pois eles se reproduzem livremente. No dia em que os trabalhos iniciaram, muitas das fêmeas estavam no cio. Nenhum animal estava castrado e por aí se imagina o caos.

As imagens são fortes, mas são necessárias, pra dar a real dimensão do problema. Sem mobilização, casos assim não se resolvem e se arrastam no tempo, causando muita morte e muito sofrimento.

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O lugar é conhecido como “abrigo de D. Arlete”. Fica na cidade de Capão da Canoa, litoral norte do Rio Grande do Sul.

Já faz algum tempo que algumas pessoas se mobilizaram e vêm tentando ajudar.

Dos 110 iniciais, pelo menos 60 já deixaram o lugar, sendo que 30 já foram adotados e 30 esperam por adoção em lares temporários.

Alguns não serão salvos. É que os cães morrem primeiro pelos olhos. E alguns deles já morreram faz tempo. Esperam apenas o coração parar de bater e parecem rezar para que alguém faça a caridade de abreviar seu sofrimento.

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Outros, apesar de todo o sofrimento, ainda querem viver. A Poodle que aparece na foto abaixo é tetraplégica. Ela foi uma das 15 adoções pra lá de especiais. Uma senhora a adotou e está dando a ela um resto de vida digna.

Na segunda foto, a menina já está em sua caminha nova, sendo cuidada por sua salvadora.

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As doenças se proliferam. Animais morrendo, se desintegrando de tanto se coçar por causa de sarna demodécica. Se esta maldita doença tem como única causa o estresse, enquanto estiverem ali, nunca vão se curar.

Pelo menos duas fêmeas estavam com otite em grau tão avançado que chegavam a ter convulsões de tanta dor. Elas foram internadas às pressas.

Infecção dos olhos impõem cuidados constantes, com colírios pingados muitas vezes ao dia. Dermatite tem de todo jeito. Problemas respiratórios, feridas abertas e por aí vai.

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A desnutrição também contribui muito para que eles não se recuperem e a ração de combate, que foi a única que os voluntários conseguiram, não os está nutrindo. No máximo, não os deixarão morrer de fome.

As castrações estão acontecendo em mutirões, em uma clínica veterinária lá mesmo em Capão da Canoa. No momento, priorizando a retirada das fêmeas que já se encontram no cio.

O grupo precisou também alugar às pressas uma casa para poder colocar alguns dos animais que já foram retirados naquele lugar. Infelizmente, 50 cães e 8 gatos permanecem por lá.

Os que tiveram a sorte de serem resgatados, mesmo os que ainda não foram adotados, já estão vivendo em condições bem melhores, como mostram as fotos abaixo.

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Estes animais precisam de toda ajuda possível. Falta vermífugo, material de limpeza, ração de melhor qualidade, sachês para alimentar os velhinhos, ração para gatos, dinheiro para custear o aluguél da casa de passagem, que conseguiram a R$ 500,00 por mês.

Mais importante que tudo isso, precisam de adotantes, aos montes. Os animais ainda vivem em sofrimento. Não temos aqui animais bonitinhos pra mostrar e não esperamos adotantes interessados em um filhotinho de raça.

Queremos pessoas dispostas a pegar um, qualquer um, não importa o tamanho ou a cor. Não é justo deixá-los morrendo assim, nem tampouco despejar toda essa responsabilidade das costas dos protetores que decidiram intervir. A responsabilidade é de todos.

Os animais que foram retirados de lá já estão vacinados, castrados e prontos para adoção. Alguns deles já estão em Porto Alegre, em lares temporários.

Eles ainda não têm nomes. São animais que hoje pagam o preço dos erros de seus antepassados, que um dia se aproximaram de humanos, acreditando que as duas espécies poderiam evoluir juntas, e que se respeitariam e se protegeriam.

São cães que a sociedade humana desprezou, jogou fora. E cada um deles tem tudo pra ser o melhor amigo que alguém poderia encontrar na vida.

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Esta história já começou a ser escrita há mais tempo. As pessoas envolvidas já têm muito a mostrar. O trabalho que vem sendo feito é excepcional, com resultados práticos.

Mais da metade dos animais já vive em melhores condições, embora muitos ainda esperem por adoção.

Se estes já resgatados, e que já se encontram em melhores condições, forem adotados, poderão os que ainda esperam no inferno ganhar uma nova chance.

É muito urgente que sejam adotados, ou mesmo assumidos por outros protetores.

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É preciso mobilização. A exemplo de casos parecidos em outros Estados, sem mobilização e união, pouco vai se fazer.

Os veterinários que acompanham os animais já disseram que, sem ração de melhor qualidade, eles não vão se recuperar.

Por fim, pra não esquecer deles, junto com os 50 cães que ainda estão lá, 8 gatos se amontoam onde é possível. Eles sobrevivem, um dia por vez, sem nenhuma expectativa de verem a luz no dia seguinte.

Dados bancários para ajuda:

Banco do Brasil. Agência 0367-0. Conta corrente: 54394-2.

Bradesco. Agência 0797. Conta corrente: 0069354-5

Caixa Econômica Federal, Agência 0463. variação 013. Conta poupança 00156899-0.

Contas de titularidade de Bárbara L. Colombo, CPF 608.446.120-49.

Doações de medicamento e rações também podem ser deixadas na Farmácia de Manipulação Essência, na Avenida Paraguassu, em frente a Caixa Econômica Federal, em Capão da Canoa.

Contato para adoção: Bárbara Colombo: (51) 9268.2129.

Selma Lúcia: (51) 9473.3117.

E-mail: Bárbara: bl-colombo@bol.com.br

Atualizando: Os trabalhos continuam. A cada ida a Capão da Canoa, novos animais necessitados surgem, gritando por socorro, e os protetores não podem fechar os olhos.

Estes são os últimos resgatados.

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