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Este cãozinho é um exemplo clássico do que chamamos de “abandono por detrás dos muros”.

Ocorre quando a família esquece um animal preso em um canil, amarrado em uma corrente ou mesmo solto nos fundos de um terreiro qualquer, sem nenhuma assistência.

Uma simples dermatite pode evoluir e provocar feridas abertas e infeccionadas, como o que se vê neste caso. Não tendo acesso à rua e estando confinado, ele não tem a chance de encontrar quem possa lhe ajudar e o estado se agrava dia a dia, provocando dor e sofrimento indescritíveis.

Na maioria das vezes, esse tipo de abandono termina com a morte do animal ou com a abertura dos portões, quando ele é finalmente jogado na rua pra se virar sozinho.

Algumas vezes, não há mais tempo e a vítima acaba morrendo na rua, sendo enxotado e hostilizado em razão de seu estado, vivenciando, em seus últimos dias, o pior de nossa espécie. Outros tornam-se invisíveis e não são vistos por ninguém.

Outras vezes, eles são guiados e acabam cruzando o caminho de um protetor em terra.

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Cid, nome que ganhou no dia do resgate, foi encontrado no dia 29/12/2013, muito debilitado, com fome, sede, frio, deitado debaixo de uma marquise no Bairro Santa Mônica.

Se afirmamos que o abandono aconteceu muito antes de ele ter sido jogado na rua, é porque nenhum cão chegaria àquele estado vivendo nas ruas. Certamente, morreria antes.

Perto dele não havia sinais de que tivesse despertado a compaixão de quem quer que fosse. Nenhum pote de água sequer. Ele se coçava sem trégua, o que fazia com que as feridas se agravassem. Quanto mais se coçava, mais se feria e mais sangue perdia.

Tremia muito e não se movia, com um olhar triste e distante, parecia pedir socorro. Na verdade, já conhecemos bem os sinais. Eles morrem primeiro pelos olhos. É fácil perceber quando já desistiram.

Mas sabemos também que, quando se sentem amparados e bem cuidados, algumas vezes, a vontade de morrer passa e eles começam a lutar pela vida.

E alguns médicos sabem disso e parecem treinados para devolver a eles a vontade de viver. O Cid foi recebido pela Dra Thábata, na Veterinária Bem Cuidar, no Bairro Santa Mônica. (que fique aqui registrado nosso agradecimento a tão especial acolhida).

Lá ele foi examinado e recebeu todos os cuidados de que precisava. Estava com sarna, muita pulga, otite e inflamação nos olhos. Foi medicado com Cefalexina, vacinou, vermifugou, colheu sangue para hemograma, colocou remédio para matar pulga e carrapato e iniciou o tratamento para as infecções de pele, ouvidos e olhos.

Ao final, foi internado, ganhando um cantinho com direito a cama, água fresca e a ração mais saborosa que experimentou em toda a vida.

Cid é um cãozinho dócil, carinhoso, tranquilo, passeia muito bem na coleira, não tem problema com cães e gatos e é muito humilde. Parece aceitar seu destino, embora esse destino não seja mais assim tão sombrio.

Lá na Bem Cuidar ele passeia pra todo lado e todos gostam muito dele. O garoto é mesmo educado e carinhoso. Parece saber que seu futuro depende de sua capacidade de conquistar verdadeiramente alguém especial.

Sua recuperação tem sido muito rápida e tem surpreendido até mesmo os médicos. Mais que o aspecto físico, as mudanças são também notadas em seu temperamento. Mesmo há poucos dias de seu resgate, ele está mais animado, sente-se bem, está feliz, já demonstra que gosta de correr e brincar.

Ele até pula o cercado pra buscar a companhia de pessoas e de outros animais. Já foi flagrado dormindo agarrado a um gato.

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Os dias de visita de sua protetora são também dias de passeio na rua. São os momentos mais felizes, é claro. Na volta à clínica, ele choraminga e pede pra ir embora.

Ele não é mal-agradecido. Afinal, ele sabe que foi ali que lhe devolveram a vida.

Mas a vida segue e a dele não pode mais ficar restrita a uma clínica veterinária, mesmo que seja a Bem Cuidar. Precisa seguir seu caminho, mesmo que seja um lar temporário.

Ele já está bem. Ainda traz algumas marcas do passado, mas elas vão sumir em poucos dias. Nas fotos abaixo, Cid recebendo visita na clínica.

É isso amigo. Esperamos que sua história chegue a alguém com disposição pra transformar sua vida.

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E chegou. A adotante foi alguém que se sensibilizou com sua história e decidiu mudar sua vida. E quando uma adoção é movida pela compaixão, podemos ter a certeza de que o adotado foi acolhido, no sentido mais completo da palavra.

Um resgate de Maria Eduarda: duda_sb@yahoo.com.br