Doky é um raposinho dourado de 5,3 quilos, um cisquinho que cabe em qualquer lugar.

Foi resgatado há mais de um ano, depois de ter sido encontrado amarrado em uma árvore, onde foi deixado pra morrer. Estava há dias sem comer, muito magro e já desfalecendo de fome e sede.

Levado para um abrigo de animais, conseguiu se recuperar.

Entretanto, como o local tem mais de 100 cães, muitos deles de porte médio a grande, o Doky acabou virando saco de pancadas. As agressões se intensificaram e, ao final, ele já corria risco de morte.

Então, pra preservar sua vida, foi trancado em um banheiro, onde passou a viver. Ele é bem pequenino e caberia em qualquer lugar, mas um banheiro foi mais do que ele poderia suportar.

Ainda assim, a ele não foi dado o direito de opinar. O tempo passou, ele se entristeceu e estava prestes a se despedir da vida, da pior forma que um cãozinho poderia partir: tristeza.

Sua vida começou a mudar quando por ali chegou outro menino, menor que ele, e que recebeu o nome de Tedy. É um Yorkshire de apenas 3,3 quilos, que havia sido encontrado jogado dentro de um rio.

Ao cair, ele se enroscou em um amontoado de espinhos e cortou toda a barriga.

Chegou também ao abrigo, mas logo se viu que ele também seria morto se fosse deixado com os cães maiores. Num mundo de lobos, um York de 3 quilos está mais pra presa do que para predador.

Então, o destino dele foi um certo banheiro, onde já vivia um garoto chamado Doky.

Tedy e Doky tornaram-se melhores amigos de infância, apesar do sofrimento que eram obrigados a compartilhar.

A chegada do Tedy foi em janeiro de 2020 e as feridas na barriga demoraram muito a cicatrizarem. Ao final, não restaram nem marcas. Só as dores do passado ainda persistem.

Tedy e Doky se tornaram grandes amigos, apesar da tristeza de estarem vivendo de forma tão precária.

O tempo passou e eles emagreciam cada vez mais, estavam entristecendo e se recusando a reagir. A companhia um do outro era o que os mantinha vivos.

Eles precisavam urgentemente de um lar temporário e foi, com este apelo, que decidimos tentar transformar a vida deles. O abrigo onde viviam ficava bem longe de Belo Horizonto, o que também dificultaria a adoção.

Então, trouxemos os garotos para Belo Horizonte e demos a eles a chance de esperar pela adoção passando uma temporada em nosso território, com um pouco mais de liberdade.

Nosso canil não é muito maior que um banheiro, mas aqui a adoção poderia chegar mais rápido. De qualquer forma, não tínhamos a intenção de mantê-los em canil. Se não estivessem doentes, se não precisassem de isolamento e se conseguissem se entrosar com nossa matilha, poderiam viver livre e fazer parte de nossa turma.

Uma rápida passada em uma clínica veterinária para exames e faxina nos permitiu saber que eles estavam bem e que poderiam ser integrados. Restava apenas testar sua socialização na matilha que já domina nosso território.

Getúlio, que também espera por adoção, é o atual macho alfa do território. Ele pesa 13 quilos e tem apenas 3 pernas inteiras.

Sabemos que ele é sociável, mas precisávamos testá-lo, caso a caso. Não sabíamos como ele reagiria a dois invasores de seu território.

Pra nossa grata surpresa, como se tivesse herdado o legado de uma matriarca chamada Pintada, que nos deixou em janeiro desse ano, ele foi o melhor anfitrião que poderíamos ter.

Getúlio não apenas recebeu bem os novos amigos, como em apenas alguns minutos já os chamava pra brincar. Adaptação assim nós só vimos com a Pintada, que havia sido enviada pelos anjos, pra ajudar a construir o Projeto O Lobo Alfa.

Não temos mais a Pinta conosco, mas temos o que ela nos ensinou. E o Getúlio, que chegou a conviver com ela por algum tempo, parece ter aprendido coisas importantes.

Tedy e Doky estavam há meses vivendo em espaço limitado, sem poder se exercitar e claramente fracos e estressados.

Assim que os soltamos no gramado, eles deixaram claro que queriam tirar o atraso. Correram, pularam, gastaram a energia que não tinham.

Correram com o Getúlio por uns 10 minutos, até que decidimos chamar Hanna e Estopa pra participarem das brincadeiras.

Elas chegaram curiosas como sempre. Os novatos também se mostravam curiosos, mas sem sinais de insegurança. A atmosfera por aqui ajuda no equilíbrio de qualquer lobo.

Claro que nos primeiros minutos, o que vemos é uma aproximação cautelosa, porém equilibrada. Um cheiro aqui, outro ali, uma corridinha discreta, alguns ensaios. São sinais sutis que interpretamos como “boas-vindas”.

30 minutos foi o tempo que demorou para que todos eles estivessem correndo e brincando, como se tivessem crescido juntos.

Tedy e Doky corriam e brincavam, como se não houvesse amanhã. O ontem foi suficientemente triste e eles não querem mais lembrar do que aconteceu.

Com exceção do Getúlio, que também é jovem como eles, a nossa galerinha aqui já está bem velhinha. A mais novinha, Hanna, completou 10 anos neste mês de maio.

Mesmo assim, elas ainda têm disposição pra brincar. Não tanto quanto os irmãos, mas o suficiente pra entrarem na festa.

Tedy se mostrou feliz, arteiro, mas também carinhoso e carente. Acreditamos que nunca experimentou um colo.

Ele se deu muito bem por aqui desde os primeiros minutos. Fez de Getúlio e Hanna seus melhores amigos.

Doky, embora mais arredio, também se soltou em pouco tempo e aceitou participar de todas as brincadeiras.

Ele até que gostou de brincar com a Hanna, mas seu companheiro preferido de confusão continua sendo o Tedy. O amigo Yorkinho deve ser a única lembrança boa que ele traz dos tempos difíceis.

Uma adoção conjunta seria tudo de bom, mas não podemos atrelar destinos. Eles precisarão seguir novos caminhos. Se a vida trouxer pra eles um mesmo caminho, ótimo. Mas o fato é que eles precisam de um novo começo, e o mais rápido possível.

Doky, embora um pouco desconfiado, também foi capaz de se soltar. Ele não precisou de 4 dias pra me abanar o rabinho e aceitar o colo.

Com outros cães eles são mesmo tudo de bom. Na sequência abaixo, Doky e Hanna, brincando e correndo.

As correrias duraram um dia inteiro.

Ao anoitecer, era hora de mais um teste. Precisaríamos preparar uma boa cama pra eles, de forma que se sentissem confortáveis e acolhidos.

A cama que já foi da Pintada e da Estopa, hoje serve apenas ao Getúlio. Mas, com 2 metros de cama, claro que caberia mais dois. Eles entraram, experimentaram e decidiram que ali estava bom.

O Getúlio, por sua vez, chegou e deitou junto com os novos amigos, sem reclamar da invasão. Uma só cama pra três cachorros não parece muito, mas ficou bom. Eles gostaram bastante.

Se na nova casa eles não tiverem caminhas, será ainda melhor. Isso porque cachorro que não tem cama precisa dormir com os donos, e esse seria um destino perfeito pra eles.

No dia seguinte, todos acordaram bem cedo e foram aproveitar o sol da manhã.

Assim que se aqueceram um pouco, decidiram brincar mais. Tinham brincado pouco no dia anterior, porque chegaram aqui perto do meio dia. Uma tarde só não fora suficiente pra drenar a energia acumulada nos últimos meses.

Doky não quis usar roupas. Ele tem pelagem densa e parece mesmo não precisar. O Tedy estava recém-tosado e, magrelinho como estava, devia sentir frio nos ossinhos. Então, a roupa de lã ajudou um pouco.

Correria ao sol também ajuda a esquentar.

Eles fizeram exames de Leishmaniose e estão negativos. Foram castrados e iniciaram a vacinação com a Leishtec.

Também foram vermifugados e tomaram também uma dose da óctupla.

Enquanto a adoção não chega, eles vão ficando por aqui, brincando um pouco todos os dias e se preparando pra quando a primavera chegar.

E como sonhar não custa, se alguém tiver procurando uma adoção tripla, Getúlio, Doky e Tedy são perfeitos. Pra quem gosta de numerologia, eles têm 13,3, 5,3 e 3,3 quilos, respectivamente. Claro que uma camadinha de gordura sobre os ossinhos finos pode alterar um pouco os números, e esperamos mesmo que engordem.

Doky e Tedy estão bem magrinhos. É certo que nos próximos dias engordarão um pouco, mas continuarão sendo dois ciscos.

Temos urgência na adoção, mas não por eles. No lugar de onde eles saíram, mais de 100 vidas esperam por um milagre e nós precisaremos doar estes dois, pra depois buscar mais alguns.

Os demais animais do abrigo também esperam por adoção, e a história deles já foi contada no link: http://oloboalfa.com.br/so-os-sonhos-nao-envelhecem/?regiao=mg

Aqueles que se interessarem por adotar um dos animais do abrigo, podem contatar nos telefones indicados que o seu escolhido será retirado do abrigo, levado pra uma clínica, onde tomará banho, reforçará vacinação e será entregue na casa do adotante, com toda segurança.

Contudo, precisamos tirar mais alguns de lá, o quanto antes, e proporcionar a eles umas férias, tão legais quanto as de Doky e Tedy.

Ao final de algumas semanas em nosso território, eles já estavam vermifugados, castrados, saudáveis e com a vacinação iniciada. Agora era só esperar pela adoção, e que fosse uma adoção que valesse muito tudo que eles passaram

Doky e Tedy foram adotados. Eles seguiram caminhos separados, mas foram caminhos de luz.

O primeiro a seguir um novo caminho foi o Tedy. Ele foi recebido por Gorette e Gabriela, mãe e filha, e por mais uma pequena matilha.

E logo notamos que as duas estavam bem ensaiadas e sincronizadas. Enquanto a Gorette dava as boas vindas ao Tedy, Gabriela amenizava o ciúmes do restante da turma.

Logo depois foi dado a ele o direito de conhecer sua nova turma, e também o novo território.

É isso rapazinho. Território chique esse seu, e ainda vai dormir na cama. Definitivamente, os tempos difíceis focaram enterrados no passado. Agora é seguir adiante e ser feliz, pelo resto da vida.

As fotos que recebemos nos dias seguintes mostravam que ele já estava bem adaptado. Ficava emburrado quando tinha que tomar banho, mas se recuperava rapidinho.

Agora ele tem uma vida de verdade. Chegará ao final entendendo tudo, faltando apenas falar. Agora nos restava esperar por uma adoção assim também para o Doky.

Por falar em Doky, ele ficou bem triste depois da partida do Tedy, mas se apegou ainda mais ao Getúlio. Os dois tornaram-se os melhores amigos e dormiam sempre juntos.

Um dia, surgiu uma adoção pra lá de especial para o Getúlio e, mais uma vez, o Doky precisou de despedir de um grande amigo. Mais três dias de depressão e, quando ele já começava a se alegrar novamente, heis que chega ao nosso território uma visita pra alegrar a vida dele.

Julie chegou acompanhada dos pais, Luiza e Kavlin. Já chegou correndo e querendo brincar. A energia dela estava escorrendo pelas orelhas.

A aproximação dos dois foi cuidadosa, mas rápida.

Nenhum dos dois tinha tempo a perder, embora fossem jovens e tivessem o resto da vida pra brincar.

Naquele momento, eles não sabiam, mas a intenção daquele encontro era exatamente testar a socialização dos dois.

Não que tivéssemos alguma dívida. O Doky era bem sociável e brincalhão, e o relato da Luiza sobre a comportamento da Julie também indicava que a amizade seria instantânea.

O tempo ali podia ser marcado em segundos, e não em minutos. Eles começaram a ensaiar brincadeiras e…

Logo depois a borboletinha Julie já mostrava que sabia voar.

Deus não deu asas aos lobos, mas nos deu a capacidade de fazê-los voar. E era isso mesmo o que queríamos para o Doky: pais com capacidade de permitir que ele voasse.

Dali eles já partiram juntos. Da nova casa, recebemos as primeiras fotos, que mostravam o quanto o Doky teve sorte.

Fica registrado nosso muito obrigado aos amigos, Gorette e Gabriela, e Luiza e Kevlin, pela acolhida dos nossos meninos.

Missão cumprida e território vazio por aqui, mas não por muito tempo.

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