Doky é um raposinho dourado de 5,3 quilos, um cisquinho que cabe em qualquer lugar.

Foi resgatado há mais de um ano, depois de ter sido encontrado amarrado em uma árvore, onde foi deixado pra morrer. Estava há dias sem comer, muito magro e já desfalecendo de fome e sede.

Levado para um abrigo de animais, conseguiu se recuperar.

Entretanto, como o local tem mais de 100 cães, muitos deles de porte médio a grande, o Doky acabou virando saco de pancadas. As agressões se intensificaram e, ao final, ele já corria risco de morte.

Então, pra preservar sua vida, foi trancado em um banheiro, onde passou a viver. Ele é bem pequenino e caberia em qualquer lugar, mas um banheiro foi mais do que ele poderia suportar.

Ainda assim, a ele não foi dado o direito de opinar. O tempo passou, ele se entristeceu e estava prestes a se despedir da vida, da pior forma que um cãozinho poderia partir: tristeza.

O tempo passou e ele emagrecia cada vez mais. Estava entristecendo e se recusando a reagir. Um amigo nas mesmas condições foi a força que ele precisava pra continuar vivo.

O amigo foi adotado, e o Doky entristeceu ainda mais.

Então, trouxemos o garoto para Belo Horizonte e demos a ele a chance de esperar pela adoção passando uma temporada em nosso território, com um pouco mais de liberdade.

Nosso canil não é muito maior que um banheiro, mas aqui a adoção poderia chegar mais rápido. De qualquer forma, não tínhamos a intenção de mantê-lo em canil. Se não estivesse doente, se não precisasse de isolamento e se conseguisse se entrosar com nossa matilha, poderia viver livre e fazer parte de nossa turma.

Uma rápida passada em uma clínica veterinária para exames e faxina nos permitiu saber que ele estava bem e que poderia ser integrado. Restava apenas testar sua socialização na matilha que já domina nosso território.

Getúlio, que também espera por adoção, é o atual macho alfa do território. Ele pesa 13 quilos e tem apenas 3 pernas inteiras.

Sabemos que ele é sociável, mas precisávamos testá-lo, caso a caso. Não sabíamos como ele reagiria a um invasor de seu território.

Pra nossa grata surpresa, como se tivesse herdado o legado de uma matriarca chamada Pintada, que nos deixou em janeiro desse ano, ele foi o melhor anfitrião que poderíamos ter.

Getúlio não apenas recebeu bem o novo amigo, como em apenas alguns minutos já o chamava pra brincar. Adaptação assim nós só vimos com a Pintada, que havia sido enviada pelos anjos, pra ajudar a construir o Projeto O Lobo Alfa.

Não temos mais a Pinta conosco, mas temos o que ela nos ensinou. E o Getúlio, que chegou a conviver com ela por algum tempo, parece ter aprendido coisas importantes.

Doky estava há meses vivendo em espaço limitado, sem poder se exercitar e claramente fraco e estressado.

Assim que o soltamos no gramado, ele deixou claro que queria tirar o atraso. Correu, pulou, gastou a energia que não tinha.

Correu com o Getúlio e com o Tedy por uns 10 minutos, até que decidimos chamar Hanna e Estopa pra participarem das brincadeiras.

Elas chegaram curiosas como sempre. O novato também se mostrava curioso, mas sem sinais de insegurança. A atmosfera por aqui ajuda no equilíbrio de qualquer lobo.

Claro que nos primeiros minutos, o que vemos é uma aproximação cautelosa, porém equilibrada. Um cheiro aqui, outro ali, uma corridinha discreta, alguns ensaios. São sinais sutis que interpretamos como “boas-vindas”.

30 minutos foi o tempo que demorou para que todos eles estivessem correndo e brincando, como se tivessem crescido juntos.

Doky corria e brincava, como se não houvesse amanhã. O ontem foi suficientemente triste e ele não quer mais lembrar do que aconteceu.

Com exceção do Getúlio e do Tedy, que também são jovens como ele, a nossa galerinha aqui já está bem velhinha. A mais novinha, Hanna, completou 10 anos neste mês de maio.

Mesmo assim, elas ainda têm disposição pra brincar. Não tanto quanto os filhotes, mas o suficiente pra entrarem na festa.

Doky, embora arredio, se soltou em pouco tempo e aceitou participar de todas as brincadeiras.

Ele até que gostou de brincar com a Hanna, mas seu companheiro preferido de confusão continua sendo o Getúlio e Tedy, os dois hóspedes mais novinhos que já ocupavam nosso território.

Os dias passaram e uma adoção levou o Tedy embora. Doky sentiu um pouco, mas já superou. Getúlio agora é seu principal companheiro. Uma adoção conjunta seria tudo de bom, mas não podemos atrelar destinos. Eles precisarão seguir novos caminhos. Se a vida trouxer pra eles um mesmo caminho, ótimo. Mas o fato é que eles precisam de um novo começo, e o mais rápido possível.

Doky, embora um pouco desconfiado, foi capaz de se soltar. Ele não precisou de 4 dias pra me abanar o rabinho e aceitar o colo.

Com outros cães ele é mesmo tudo de bom. Na sequência abaixo, Doky e Hanna, brincando e correndo.

As correrias duraram um dia inteiro.

Ao anoitecer, era hora de mais um teste. Precisaríamos preparar uma boa cama pra ele, de forma que se sentisse confortável e acolhido.

A cama que já foi da Pintada e da Estopa, hoje serve apenas ao Getúlio e ao Tedy. Mas, com 2 metros de cama, claro que caberia mais um. Ele entrou, experimentou e decidiu que ali estava bom.

Getúlio e Tedy, por sua vez, chegaram e deitaram junto com o novo amigo, sem reclamar da invasão. Uma só cama pra três cachorros não parece muito, mas ficou bom. Eles gostaram bastante.

Se na nova casa ele não tiver caminha, será ainda melhor. Isso porque cachorro que não tem cama precisa dormir com os donos, e esse seria um destino perfeito pra ele.

No dia seguinte, todos acordaram bem cedo e foram aproveitar o sol da manhã.

Assim que se aqueceram um pouco, decidiram brincar mais. Tinham brincado pouco no dia anterior, porque chegaram aqui perto do meio dia. Uma tarde só não fora suficiente pra drenar a energia acumulada nos últimos meses.

Doky não quis usar roupas. Ele tem pelagem densa e parece mesmo não precisar. O Tedy estava recém-tosado e, magrelinho como estava, devia sentir frio nos ossinhos. Então, a roupa de lã ajudou um pouco.

Correria ao sol também ajuda a esquentar.

Ele fez exame de Leishmaniose e está negativo. Já foi castrado, retirou os pontos e iniciou a vacinação com a Leishtec.

Já está vermifugado e tomou também uma dose da óctupla.

Enquanto a adoção não chega, ele vai ficando por aqui, brincando um pouco todos os dias e se preparando pra quando a primavera chegar.

E como sonhar não custa, se alguém tiver procurando uma adoção dupla, Getúlio e Doky são perfeitos. Pra quem gosta de numerologia, eles têm 13.3 e 3.3 quilos, respectivamente. Claro que uma camadinha de gordura sobre os ossinhos finos pode alterar um pouco os números, e esperamos mesmo que engorde.

Doky ainda está bem magrinho. É certo que nos próximos dias engordará um pouco, mas continuará sendo um cisquinho.

Temos urgência na adoção, mas não por eles. No lugar de onde o Doky saiu, mais de 100 vidas esperam por um milagre e nós precisaremos doar estes dois, pra depois buscar mais alguns.

Os demais animais do abrigo também esperam por adoção, e a história deles já foi contada no link: http://oloboalfa.com.br/so-os-sonhos-nao-envelhecem/?regiao=mg

Aqueles que se interessarem por adotar um dos animais do abrigo, podem contatar nos telefones indicados que o seu escolhido será retirado do abrigo, levado pra uma clínica, onde tomará banho, reforçará vacinação e será entregue na casa do adotante, com toda segurança.

Contudo, precisamos tirar mais alguns de lá, o quanto antes, e proporcionar a eles umas férias, tão legais quanto as de Doky.

Ele está vermifugado, castrado, saudável e com a vacinação iniciada.

Contato para adoção: (31) 3477.7602.

E-mail: crispim@oloboalfa.com.br

Comentários / Mais informações sobre o anúncio devem ser obtidas com os anunciantes, no telefone ou e-mail indicados acima.