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Flecha

A história de uma onça

Era uma vez um cano. Extensão aproximada de 15 metros. Recebe água da chuva.

Dentro dele, por mais de trinta dias, viveu uma gatinha. Seu nome é Flecha.

Somente depois do resgate pudemos saber que era a Flecha, uma fêmea com aproximadamente 3 meses de idade.

Ao menor sinal de aproximação, rosnava e se refugiava dentro de seu esconderijo.

As pedras e barbantes próximos do cano mostram as barbaridades cometidas por crianças, cujos pais, sem qualquer conhecimento técnico, já a haviam condenado, sob o diagnóstico de que a pequena tinha raiva (hidrofobia).

Se ela soubesse falar, diria que tem mais que raiva, principalmente das crianças que atiram-lhe pedras, tentam laçá-la, a perseguem, preparam-lhe armadilhas,  e por aí vai.

Só se deixava fotografar de longe.

Depois de alguns dias, começou a aceitar a ração e água que lhe eram oferecidas. Comia e bebia com disposição, e já se arriscava a brincar, rolando na grama da casa que a alimentava, cujo portão, estava há alguns centímetros da entrada de seu esconderijo.

Ainda assim, não permitia a aproximação das pessoas.

Com muita dificuldade, acabou sendo capturada. No dia do resgate, parecia uma onça, de tão brava. Foi trancada em uma gaiola, que precisou ser coberta com uma toalha, pra evitar que a Flecha se debatesse contra as grades.

Com todo este quadro, suas chances eram reduzidas. Havia apenas um lugar com estrutura e coração pra recebê-la, e cuidar de sua socialização. Foi pra lá que a levamos.

O resultado foi a completa e rápida socialização dela.

Já dorme em uma cama quente, embora às vezes precise dividi-la com um intruso.

Mas a pequena Flecha não se incomoda. Convive muito bem com cãezinhos. Brinca e rola com outros gatos e cães da casa. O problema é que, com toda aquela turma dentro de casa, ela acabou perdendo a cama. Isso pode ser tudo, menos cama de gato.

Paciência tem limite. Dormir com um cãozinho filhote, tudo bem, mas aquela matilha toda era demais.

A solução foi dar-lhe uma nova cama. Uma toquinha bem pequena seria o ideal. Ali não haveria espaço pra tanto cachorro.

Aliás, sua nova dona é a mesma que a recebeu e cuidou de sua socialização. A Giovanna a recebeu com a missão de amansá-la e fazê-la esquecer a péssima impressão inicial a respeito de humanos. Se afeiçoou à pequena e decidiu adotá-la. Esta Jaguatirica não poderia ter encontrado melhor lugar.

Hoje ela é uma das mascotinhas da: