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Esta cadelinha foi encontrada no Cemitério da Paz. Estava caída em frente à capela dos velórios, esperando pra morrer, já que não tinha forças mais pra se levantar.

As pessoas que por ali passavam estavam emocionalmente abaladas e, talvez por isso, não a viam.

Ela estava mesmo morrendo. O quadro era o pior possível: desnutrição, pneumonia, babésia e abandono.

Alguém a viu e não ficou indiferente, oferecendo-lhe água e comida. Apesar de toda a dor, ela demonstrava que estava mais interessada nos afagos. Aquele era claramente seu último desejo. Queria apenas carinho, sentir-se estimada. Nasceu pra isso e havia passado pela vida sem experimentar afeto verdadeiro. Ficava o tempo todo lambendo a mão que lhe foi estendida.

Sua salvadora a pegou no colo e tentou um taxi na porta do cemitério. Nenhum taxista aceitou levá-la.

O jeito foi carregá-la no colo por dez quarteirões, até um veterinário mais próximo. No caminho, ela continuava lambendo sua protetora. A essa altura, já não era mais o último desejo. Ela sabia que estava sendo salva e estava apenas agradecendo.

Depois de algumas voltas da vida, ela chegou aonde poderia ser finalmente salva. Bom Garoto! é o nome do Pet Shop que a recebeu.

Já se passaram quase 30 dias desde aquele resgate. Vitória está ótima. Engordou e não tem mais nenhum problema de saúde. A alegria é sua principal característica, depois da carência.

Adora pessoas. Já esqueceu o passado e perdoou quem tinha pra perdoar. Está no Pet Shop esperando por adoção, mas sempre é levada para passear por sua protetora. E passeia fazendo pose, mostrando pra quem quiser ver que é a lobinha mais feliz do mundo. E, se alguém passa por ela e não olha em seus olhos, ela pula na pessoa, como se dissesse: __ Ei! Não tá me vendo não?

Nas fotos abaixo, Vitória no dia do resgate e hoje, presa em seu canil. É difícil ver um cão feliz estando confinado, mas a Vitória só tem motivos pra comemorar.

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Desejávamos que este anúncio chegasse onde precisava chegar. Ela já não tinha mais últimos desejos. Na verdade, tinha um só, que era o de ser adotada. Mas sendo ela cheia de vontades, era certo que no futuro outros desejos viriam, mas estes os adotantes teriamque descobrir sozinhos.

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A adoção ideal chegou em forma de um garoto muito legal, chamado Daniel. A Vitória, ou Toínha, como está sendo chamada agora, está no céu com o novo amigo. E ele também, é claro. Nasceram um para o outro.

Eis o primeiro depoimento que a Marina recebeu da Caroline, sua nova mãe:

“Vitorinha minha menina, mais uma alegria na nossa casa, mais uma mocinha que precisava de um lar, e no final das contas descobrimos que quem ganha um presente de Deus somos nós. Um bichinho que transborda amor. Obrigada Senhor! “

Mas o Daniel não é o novo dono da Vitória. É um pouco mais que isso. Como irmãos, eles vão brincar juntos, mas poderão eventualmente se desentender na hora de disputar algum brinquedo. Com o tempo, vão aprender que a chupeta e do menino e os ossinhos são da lobinha.

Nos passeios de carro, eles já aprenderam que cada um tem a sua cadeirinha.

Um resgate de Marina Victal: mgvictal@gmail.com