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Com apenas três meses de vida, ela foi deixada nas margens de uma estrada de terra, em uma zona rural.

Não sabemos quanto tempo ela vagou por ali, mas por seu estado de desnutrição e fraqueza, ela não comia direito havia pelo menos uns 4 ou 5 dias.

Julinha 1

Estava assustada demais e tentou fugir quando nos aproximamos, mas não tinha pra onde correr e nem pernas pra ir muito longe.

Julinha 2

Acabou aceitando meu pedido de amizade.

Julinha 3

Como de costume, nunca estamos sozinhos em viagens assim. Por lá estavam Duda, Hanna e Bilico, o que facilitou bastante nossa tentativa de conquistá-la.

Sempre ele: o poder da matilha. O Bilico não era o mais empolgado dos lobinhos. Afinal, ele também estava ali pra se socializar e aliviar um pouco o pesado tratamento a que vem se submetendo.

Julinha 4

Demos à nossa criança o nome de Julinha. Ela aparenta ter no máximo 3 meses de vida. É bem pequena e estava em pele e osso.

Julinha 5É sempre difícil um resgate quando estamos em área aberta. Não teríamos como prendê-la ou confiná-la. Um susto poderia fazê-la fugir ou se esconder, e não teríamos como encontrá-la.

O resgate aconteceu no fim do dia e precisaríamos de cuidados. Colocamos a criança dentro de casa e trancamos todas as portas. Não poderíamos arriscar a sair, nem mesmo para o rotineiro xixi da noite para os lobinhos.

Dormimos naquela noite todos amontoados. Uma noite juntos, com direito a petiscos e muitos afagos garantiria o vínculo necessário para que, no dia seguinte, pudéssemos sair sem medo, percorrer matas e montanhas. Quando levantássemos na manhã do outro dia, aquela coisinha já seria parte de nossa turma.

Mais uma vez, confiamos na força do grupo.

Julinha 6

As férias estavam acabando e, no dia seguinte, voltamos a Belo Horizonte, com uma lobinha a mais na mala. (Na verdade, solta dentro do carro, sem cinto de segurança, caixa de transporte e nada que seria por lei considerado obrigatório).

Julinha 7

Passou muito mal durante a viagem e chegou por aqui bem assustada. A primeira providência foi a visita ao veterinário. Fez exames e iniciou a vacinação e vermifugação. Está ótima e já pode seguir um novo caminho.

É uma filhotinha de aproximadamente 3 meses de vida. Estava pesando, no dia da consulta, míseros três quilos e trezentos gramas. Os ossinhos ainda estão bem salientes e temos a convicção de que ganhará uns bons quilinhos nos próximos dias.

Julinha 8

Deverá ficar de porte médio.

Ainda está um pouco assustada e demonstra medo em certos momentos, mas já vem fácil pro colo quando chamada.

Julinha 9

Julinha 10

Com Hanna e Bilico ela se deu muito bem, embora ambos tenham pouca paciência com ela.

Julinha e Bianca 1

Já com a Bianca, foi mesmo afinidade completa. As duas têm a mesma energia e deram-se muito bem.

Julinha e Bianca 2 Julinha e Bianca 3 Julinha e Bianca 4

Não sabemos de onde sai tanta energia. Bianca é mesmo uma filhotinha crescida. Não para um só minuto e, por vezes, estressa os demais, de tanta bagunça.

Julinha e Bianca 5 Julinha e Bianca 6 Julinha e Bianca 7

Até a Julia às vezes se cansa e deita pra continuar a brincadeira.

Julinha e Bianca 8 Julinha e Bianca 9 Julinha e Bianca 10

A adoção veio, com tudo que ela merecia. Marcelo esteve aqui para buscá-la, levando na mala um paninho de dormir, uma bola de meia, uma vaquinha de borracha e a nossa torcida para que ela seja muito feliz.

As primeiras fotos não tardaram a chegar, com a notícia de que nossa Julia agora se chama Luna.

Julinha adotada 1

Além de muito colo, ela tem também caminha bem macia e até brinquedos novos.

Julinha adotada 2

Publicaremos aqui as fotos que recebermos. Esperamos mostrar a Luna já crescida, saudável e feliz. Estrada de terra, agora, só a passeio e muito bem acompanhada.

E como final feliz de verdade não tem final, mas vários começos, segue um depoimento que recebemos do Marcelo, contando um pouco da história da Julinha, hoje Luna, nos primeiros meses de adoção.

Meu nome é Marcelo Nagem e venho aqui contar essa incrível história de como conhecemos a Julinha (agora, Luna)  e de como ela conquistou a todos nós.

Desde pequeno, era meu sonho ter um cachorrinho. Recordo-me inúmeras vezes de pedir aos meus pais que tivéssemos um bichinho de estimação, mas pelo fato deles sempre terem trabalhado muito, e estarem fora de casa, sempre ficaram com receio de que o animalzinho ficasse muito sozinho e sem assistência.

Os anos se passaram e eles se aposentaram, eu me formei e sentimos que era uma boa hora para realizar este sonho. Há aproximadamente 1 ano atrás começamos a conversar sobre a possibilidade de comprar um cachorrinho e começamos a pesquisar. No entanto, eu pesquisava sobre raças e canis e nunca achava algo que eu realmente quisesse e, junto de minha família e namorada, começamos a questionar essa pratica de venda de animais, diante de tantos cãezinhos precisando de adoção.

Após alguns dias a mais de pesquisa, encontramos o site do Lobo Alfa. Lembro-me de, na primeira pagina, ver a história da Julinha. Foi amor à primeira vista. Eu me identifiquei na hora com ela e sabia que queria adotá-la. Entrei em contato com o site e no dia seguinte já estava indo conhece-la.

Meu primeiro contato com ela foi sensacional, vi que ela era uma cadelinha cheia de energia e carinhosa. Junto da sua matilha, já veio querendo brincar e interagir. No entanto, no momento de levá-la para sua nova casa, percebi que ela havia mudado totalmente, estava com medo e receosa. Percebi que teria que conquista-la, mas faria de tudo para que ela se sentisse o mais feliz possível.

Os primeiros dias foram de adaptação. Para ela, era tudo estranho e tinha muito medo de chegar perto de mim. Na medida em que os dias foram se passando, ela foi se soltando mais e mais e, dentro de uma semana, já chegava perto procurando carinho e atenção. Percebi que ela estava cada vez mais feliz e isso me deixava muito contente.

Atualmente, ela já conquistou toda a casa e se mostrou uma cadelinha super amigável, que adora brincar e interagir com todos. Ela também se mostrou super inteligente e obediente, já aprendeu alguns comandos e nunca deu trabalho além do que é normal. Adora brincar de pegar a bolinha ou de pega-pega, tirar cochilos juntos dos meus pais e deitar na sala de TV para assistir algum filme conosco.

Quando eu chego em casa do trabalho, ela sempre vem me receber na porta com algum brinquedinho na boca, e pula na minha cama pronta pra brincar.

Quando passeamos, ela parece não ter medo de ninguém e sempre tenta interagir com outras pessoas, adora carinho e ama brincar com outros cães (as vezes até demais, fazendo que eles se cansem, enquanto ela continua no pique).

Hoje em dia sabemos que fizemos a melhor escolha em adota-la e a nossa casa nunca mais será a mesma depois de sua chegada. Sou muito grato ao Lobo Alfa por tê-la hoje em dia comigo.

Seguem algumas fotos, que mostram um pouco do que foram estes primeiros 4 meses de Luna em nossas vidas.

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Que fique registrado nosso muito obrigado ao Marcelo e a todos os seus familiares. Nós é que temos muito a agradecer pela acolhida. A escolha do adotante é sempre a parte mais importante de todo o processo. Em nosso território, a Julinha viveu por alguns poucos dias, mas com o adotante ela passará o resto da vida.

Por isso é tão grande a nossa responsabilidade em eleger o adotante. A vida que ela terá dependerá de nosso acerto. E, no caso da Julinha, sabemos que acertamos em cheio. A vida (ou pra quem acredita, os protetores que atuam no outro plano) não poderia ter escolhido pra ela melhor destino.

Obrigado, Marcelo, por tudo. Queríamos ter sempre a sorte de encontrar pessoas atentas aos novos tempos, capazes de entender o tamanho da responsabilidade que assumem, quando adotam um animal abandonado.

Julinha não é apenas uma cachorrinha. Nela, e em qualquer outra criatura, habita um ser em evolução. Que ela tenha vida longa, que seja sempre muito amada e que chegue ao final deste ciclo entendendo a língua humana (quase falando).

A você, Marcelo, e a toda a sua família, conversem muito com ela, sem medo de parecerem ridículos. Não pensem que ela não entenderá. Ela não aprenderá a falar (não ainda), mas estará quase lá quando chegar a hora de partir. Só assim estará pronta pra avançar um pouco mais nessa louca jornada evolutiva e chegar à “Terra dos cachorros que falam”. E é nossa a responsabilidade de conduzi-los.

Julinha