Tweetar

Compartilhar



Sabem essa história de que é o cachorro que escolhe o dono?

Nem sempre é assim. Algumas vezes, nós precisamos escolher, mesmo contra a vontade deles.

E isso tem acontecido com mais frequência nos últimos tempos. Muitos daqueles animais que viveram o holocausto da China estão renascendo aqui.

Outros holocaustos mundo afora também contribuem, como aquele circo de horrores de Maio de 2013, que ocorreu em Santa Cruz do Arari, na ilha do Marajó, no Pará.

Há uma sutil diferença entre os “exilados” e um fenômeno que chamamos de “o caminho inverso”, que ocorre quando animais abandonados, com histórico de maus-tratos, acabam se unindo, formando matilhas e se refugiando em locais ermos e distantes das aldeias (cidades).

Lá costumam ter seus filhotes e os criam naturalmente, em buracos escavados, tocas ou cavernas, como faziam seus antepassados. Reaprendem a caçar e retomam características e habilidades antes perdidas, que os qualificam para a vida livre.

O que tem sido observado é que os filhotes, já nascidos em ambiente selvagem e sem convício com humanos, têm se mostrado mais arredios e hostis a cada nova geração.

Esse não é o caso dos órfãos, que não são selvagens. Eles são medrosos, o que é uma característica típica dos “exilados”.

O fato é que, se merecemos recebê-los, é porque temos algum compromisso com eles. Muitos desses animais nascem em abrigos ou em ambientes com muitos cães, exatamente porque necessitam da proteção do banco e de um contato humano menos intenso.

E sempre que nos deparamos com resgates coletivos, encontramos alguns desses casos especiais, que jamais escolherão seus donos ou farão festa com pretendentes à adoção.

E é aí que precisamos de gente movida pela compaixão, que entenda a necessidade de ajudarmos esses seres e adote movido por este propósito de recolocar uma vida no caminho do qual foi arrancada.

Em Dezembro de 2017, um grupo de voluntários iniciou um trabalho que chamamos de “O orfanato”. Entre adultos, filhotes, recém-nascidos e nascituros, mais de 50 vidas.

http://oloboalfa.com.br/o-orfanato/?regiao=mg

Foram organizados mutirões de castração, de vacinação, vermifugação, banhos, faxinas e mais faxinas, alguns socorros médicos emergenciais e muitas feiras de adoções. Foram aproximadamente 12 feiras de adoções, no período de Dezembro de 2017 a Maio de 2018, que resultaram em aproximadamente 50 adoções.

http://oloboalfa.com.br/o-orfanato-parte-ii/?regiao=mg

Entretanto, introduzidos no meio daquela numerosa matilha, havia 4 animais com experiências passadas tristes, de intenso sofrimento. Eles nasceram ali, entre pessoas que os estimavam, mas trouxeram uma bagagem realmente intensa.

Não podemos falar em memória de vidas passadas, ainda mais em se tratando de animais, cujo espírito ainda está em estágio um tanto rudimentar para ligações tão intensas com o passado.

Mas o fato é que este fenômeno vem sendo observado. Ainda que não faça sentido para alguns estudiosos do assunto, o fato é que está acontecendo.

Pra estes quatro, pouco pudemos fazer até aqui. Eles são tão medrosos e assustados que não foi possível fantasia-los para seções de fotos, não foram levados a feiras de adoções e nem tivemos oportunidades de apresenta-los a possíveis adotantes.

Ao final, ficaram os 4 na antiga casa. Viram os amigos partir, um a um, sem que tivessem uma única chance sequer.

Um deles chegou a ser adotado, mas foi devolvido uma semana depois, porque os adotantes disseram que não aguentariam vê-lo encolhido em um canto durante as 24 horas do dia, sem sair do lugar.

Eles são dóceis e incapazes de morder ou demonstrar qualquer tipo de agressividade. Diante de qualquer tentativa de aproximação, eles se encolhem e permanecem imóveis, estáticos como estátuas.

Aceitam os afagos, sem nenhuma reação. São incapazes de rosnar ou ameaçar morder, nem mesmo pra se defenderem de vacinas ou banhos. Nunca foram vistos abanando os rabinhos e raramente têm coragem de pegar um petisco nas mãos que os afagam.

Os quatro são irmãos e tudo indica que são filhos de uma Bassetzinha idosa que havia na casa, e que passou por cirurgia para extração de um tumor na patinha. A Belinha, como foi chamada, foi muito bem adotada e hoje está feliz em sua nova casa.

Os meninos desse anúncio são baixinhos, de perninhas curtas e bem parrudinhos. Devem pesar uns 12 quilos, mas são pequenos.

Descobrimos que eles tinham nomes, desde que nasceram. São eles: Petrúquio, Fiuk, Persival e Haslam.

Infelizmente, eles nunca souberam que tinham nomes. Não atendem pelos nomes. O focinho branco indica que os mais velhos já devem ter perto de uns 4 anos, enquanto os mais novos, ainda sem os pelinhos brancos, não têm mais que 2 anos.

Eles são dóceis e estão acostumados a viver em matilha. Por isso, são muito sociáveis com outros cães e precisam de companhia de outros lobos, mais que de pessoas.

Sentem-se seguros entre os seus. Como são muito medrosos, eles não latem e podem viver muito bem até mesmo em apartamento, mesmo com o porte médio.

O que precisamos é de adotantes que entendam que o caso é muito especial e que eles precisam ser salvos. Exigirão dos novos donos muita paciência e compromisso.

Petiscos, muito carinho e tempo são os ingredientes da receita que vai mudar a vida deles. Sonhamos com o dia em que os adotantes nos mandarão notícias, contando que eles já abanam os rabinhos e procuram carinho.

Os voluntários que trabalham com eles diariamente já conseguem individualizar suas características. Petrúquio é o mais saidinho. O mais escuro é o Persival. Fiuk é menos medroso e chega a se aconchegar em alguns momentos. Por fim, tem o Haslam, que permanece imóvel diante de qualquer aproximação.

Os quatro têm aproximadamente o mesmo tamanho e peso, todos com as mesmas características, parrudinhos de perninhas curtas.

Quando manejados, eles se mostram tensos, mas não esboçam reação. Não oferecem dificuldade para vacinas, banhos ou medicação. Apesar do pavor que sentem, podem conviver até com crianças pequenas, pois são incapazes de qualquer gesto de hostilidade.

Eles estão castrados, vacinados, vermifugados e com exames negativos para Leishmaniose.

Outra característica comum aos quatro é a expressão de tristeza, uma profunda tristeza, que pode ter relação com a prematura partida de sua mãe humana. Em algum momento, eles dormiam na cama dos donos e perderam tudo repentinamente.

Por isso, há uma luz no fim desse túnel. Precisamos acreditar que eles não serão arredios para sempre. Com tempo e persistência, serão reconquistados e voltarão a ser os lobinhos domesticados que devem ter sido um dia.

Adoções em duplas seria um sonho, mas o essencial é que eles encontrem na nova casa pelo menos mais um amiguinho, e que o novo amigo seja equilibrado, capaz de dar o exemplo e lhes mostrar o caminho, aquele mesmo caminho do qual foram desviados.

Contato para adoção: Anna Paola: (31) 9 9926.3999.

E-mail: crispim@oloboalfa.com.br / apaola.moura@oloboalfa.com.br

Número do anúncio: jun18-0038-mgCZ

Comentários