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O nome dela, enquanto ainda vivia no inferno, era Branquinha, ou Bolinha, ou coisa parecida.

Assim que fizemos a matéria, até mesmo pela urgência do caso e por não sabermos o nome dos cães, passamos a chamá-la de Milena. Após o resgate, recebeu de sua protetora o nome de Kate, com o qual ficaria até a adoção ou, a critério do adotante, em definitivo (ela já atendia por Kate).

Kate foi retirada do “Campo de Concentração”. Foi uma das primeiras a sair do inferno. Ela foi resgatada junto com a Perry, ambas ainda amamentando, por uma protetora que preferiu não se identificar.

http://oloboalfa.com.br/campo-de-concentracao/

A quem não se lembra, ela foi a protagonista de uma das cenas mais fortes que presenciamos, desde que iniciamos os trabalhos no Campo.

A pequena Kate é uma cadelinha de porte pequeno, peludinha, que parece mestiça de Cocker. No campo de concentração, ela amamentava uma ninhada de 3 filhotes, de aproximadamente 15 dias de vida.

Cuidava dos pequenos com um carinho que poucas vezes vimos em uma lobinha.

Enquanto fazíamos as fotos, D. Luzia remexia os panos, procurando por um quarto filhote. Afinal, eram quatro. Onde estaria o outro?

A pequena Milena mostrava-se inquieta. Foi aí que D. Luzia decidiu procurá-lo em um sofá rasgado que estava jogado próximo ao ninho. Enquanto o sofá era virado e remexido, a mãe ficava todo o tempo acompanhando o que parecia ser um trabalho de resgate.

Lá dentro daquele emaranhado de espuma e pano em frangalhos, o quarto filhotinho, já sem vida. É possível que a mãe tenha subido no sofá com o filhote e o tenha deixado cair nos buracos abertos. Ninguém deu falta dele a tempo e ela não soube ou não conseguiu pedir socorro de uma forma em que os humanos pudessem entender.

Assim que o pequeno foi levado para um saco que estava em um canto, em meio a entulho e restos de madeira, a pequena Milena voltou para os filhos que ainda lhe restavam, oferecendo-lhes as tetas, como se tentasse compensar alguma coisa.

Assim que soltamos a matéria, alguém especial decidiu assumir a proteção das duas mães que ainda amamentavam. Milena e seus três malhadinhos foram então resgatados e levados para a casa de sua salvadora. Eles passariam a ter acompanhamento médico do Dr. Gilson, vacinas, vermífugos, alimentação, abrigo e tudo do que precisavam. Dias após o resgate, já haviam se transformado. Estavam fortes e saudáveis. No vídeo seguinte, os primeiros momentos da Kate e seus filhotes, já no novo abrigo.

http://youtu.be/vDvl5-Rnf9Y

Temos ainda estes outros vídeos que recebemos dia 12/08/2012 e 17/08/2012, exatos 5 e 10 dias após o resgate das mães. Eles mostram como estão as duas mães e os filhotes que sobreviveram. A evolução de um vídeo para o outro é grande.

http://www.youtube.com/watch?v=wkyhVO2j3dg&feature=youtube_gdata

http://www.youtube.com/watch?v=cfE6I2PMEE0&feature=youtube_gdata

Dias depois, a Perry foi transferida para uma clínica veterinária, onde esperou alguns dias até ser adotada e passar a viver em uma fazenda. Ela hoje tem vida livre, como devem ter todos os lobos. Está livre, mas protegida. Tem espaço, matas, campos, terra, água, companheiros caninos e humanos.

Já a Kate, completamente adaptada em sua nova casa, já havia aprendido a pular a janela. Estava cada dia mais esperta e feliz. Sabia que estava amparada e que o passado não voltaria mais.

Entre os lobinhos, dois machos e uma fêmea foram rapidamente adotados e vivem felizes nas novas casas. Shilow, o menorzinho deles, acabou sendo adotado pela mesma protetora que os recebeu.

Torcemos, no início, para que Kate fosse adotada junto com um dos pequenos. Mas, ela não mereceu essa alegria. Talvez porque a vida reserve pra ela algo ainda melhor.

Depois do desmame dos filhotes, a Kate foi transferida para uma clínica, onde foi castrada e recebeu as demais vacinas. Logo depois, foi para um lar temporário, onde passaria a viver como parte da família, solta no quintar em companhia dos cães da casa e dos hóspedes temporários.

No vídeo abaixo, é possível conhecer um pouco mais uma das criaturas mais especiais que já conhecemos.

http://www.youtube.com/watch?v=LE80e0vB2oM&feature=youtube_gdata

O tempo passou e a vida se encarregou de conduzir as coisas como a Kate merecia. Enquanto esperava pelos donos ideais, Kate conquistou muita gente. Ela fez amigos e despertou sentimentos especiais, de pessoas que se lembrarão dela com carinho, com sinceros votos de felicidades.

Mas a adoção mesmo acabou sendo retroativa, sem que a Kate soubesse ou sentisse qualquer mudança. Dentre as várias pessoas que ela conquistou, Dona Beth foi sua maior admiradora. Hilton e Beth receberam a Kate apenas como hospedagem temporária, até a adoção. Acabaram se afeiçoando à menina e ficando em definitivo com ela.

Acreditamos em destino. Hilton e Beth são também protetores e recebem muitos animais resgatados. Eles chegam arredios, com medo, feridos e doentes. A Kate terá um papel fundamental nessa nova casa. Será dela, da Mel e da Serena, a função de receber esses resgatados e ajudar na recuperação e socialização deles.

Das três, ela é a que está mais qualificada pra receber filhotes órfãos. Não voltará a amamentar, mas temos absoluta convicção de que os receberá como filhos. E que venham as missões que, do céu, lhe forem destinadas.

Os filhotes da Kate, com o amparo e proteção de uma salvadora especial, cresceram fortes e saudáveis. Eram dois machinhos e uma fêmea. Foram chamados de Gilson (Por razões óbvias), Shilon e Baby. Assim que completaram 50 dias de vida, foram adotados. O Gilson, após a adoção, recebeu o nome de Simba. As primeiras fotos que recebemos mostram a vida feliz que ele tem levado.

O Shilon foi adotado por sua salvadora. O vídeo mostra o pequeno já em companhia de sua nova matilha, na casa que o acolheu.

http://www.youtube.com/watch?v=6NHGlmf7iiA&feature=youtube_gdata

A Baby também está muito bem e feliz. Ela hoje se chama Mel e é o xodó da Rafaela, que nos presenteou com estas fotos. Ela cresceu, mas continua tendo regalias de cachorrinho de colo.

Kate e os filhotes foram abrigados por uma protetora que preferiu não se identificar. Ela assumiu todos os custos e cuidados com as mães e os filhotes, com a ajuda do Dr. Gilson, veterinário que nos ajudou nos trabalhos no “Campo de Concentração”.

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