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Esta mocinha apareceu em uma rua do Bairro Salgado Filho, meses antes do Natal de 2010. Trazia na bagagem uma história de abandono, negligência, descaso e maus-tratos. Foi ensinada que humanos não são confiáveis, embora seu DNA dissesse o contrário.

Era arredia e não permitia que ninguém se aproximasse. Aprendeu que mostrar os dentes era a melhor forma de manter os humanos afastados e, com isso preservar, no mínimo, a integridade física.

Ela não nasceu pra isso. Tinha o porte e as características de um cãozinho de ESTIMAÇÃO, no sentido mais amplo. Deveria ter sido verdadeiramente estimada toda a vida. Mas ao contrário, foi negligenciada, maltratada, agredida e, por fim, enxotada.

Viveu nas ruas algum tempo, vagando dias e noites, ora na chuva, ora debaixo de sol quente, queimando os pés no asfalto. Chegou a eleger uma casa como sua e passou a dormir no portão. Infelizmente, escolheu mal. Aquelas pessoas não gostavam de cachorro e não a queriam por perto. Enxotavam-na, jogavam fora a água, a comida e uma toalha velha que lhe foram dados por pessoas piedosas. Mas aquela indiferença e até agressividade lhe eram familiares. Ela não conhecia outro tipo de relação com humanos.

Depois de muita persistência de alguns protetores, ela acabou se deixando capturar. Mesmo arredia, não tinha mais forças pra resistir. Não estava mais disposta a brigar. Foi levada a uma clínica onde fez exames, tomou banho, vacinas e recebeu todos os cuidados de que precisava.

Pela primeira vez, sentiu algo de bom vindo de humanos.

Saindo da Clínica, ela chegou a passar pela casa de duas protetoras. Foi castrada e aos poucos se socializando.

Descobriu que nem todos os humanos são iguais e que a vida entre homens poderia até ser prazerosa. Ela precisava começar do zero. Precisava perder o medo de gente e depois conhecer as delícias da vida de um animal de estimação. E foi isso que ela teve, enquanto esteve aos cuidados de suas protetoras.

Algum tempo depois, já socializada e completamente esquecida do passado (E como os lobos se esquecem fácil!), foi ela apresentada a uma pretendente. Seus novos donos chegaram pra conhecê-la e foram recebidos com uma cauda inquieta, beijos molhados e muitos cheirinhos.

Eles se aprovaram à primeira vista. Uma nova família surgiu bem ali, naquele encontro, ou deveríamos dizer reencontro !?

Dalva é hoje o anjo protetor de nossa Keika, que agora tem uma família e um lar. Finalmente ela aprendeu o que é ser um animalzinho de estimação.

Esta história nos foi enviada por Jane Mourão, uma das protetoras que atuaram neste caso.