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Parece que alguns lobinhos tomam vermes na mamadeira.

O desenho é pra temperar de humor uma história muito triste.

Em uma tarde de quinta-feira, uma pessoa muito humilde nos pediu ajuda para doar uma filhotinha, a última de uma ninhada de 6.

Prontificamo-nos a tirar as fotos e preparar o anúncio, intermediando a doação.

Assim que conhecemos a criança, percebemos que não poderíamos simplesmente fotografar e deixá-la onde estava, ou ela não sobreviveria. Como já estava desmamada, o resgate foi imediato, sendo levada a uma clínica veterinária, onde recebeu os primeiros cuidados.

Ainda no carro, já se mostrava bem espertinha.

Apesar da enorme barriga, ela não estava anêmica nem desidratada. Era alegre, brincalhona, muito ativa e esperta. A barriga inchada e dura indicava uma grande quantidade de vermes.

A primeira providência foi o vermífugo e a vacina seria aplicada alguns dias depois.

Mas, logo após a vacina, uma forte reação nos levou a acreditar que perderíamos a Lara. Uma diarréia e vômito constantes a fizeram desidratar em questão de horas, levantando a suspeita de cinomose, doença letal em filhotes dessa idade.

Precisou ser internada pra tomar soro, recebendo também fortes doses de antibióticos, carvão ativado e uma série de outros medicamentos. Pra uma criatura que poderia ser chamada de “meio quilo”, aquele sofrimento foi demais.

Chegamos a rezar por ela, pedindo amparo, se não nesta vida, no outro plano.

Mas, preferiu a vida que esta história tivesse um final feliz. A rápida recuperação afastou as suspeitas de cinomose. Em alguns dias, recebeu alta para terminar o tratamento em casa.

Mais dois dias de tratamento em casa, estava ela pronta para confusão. Aí, foi só soltá-la entre os de sua espécie e deixar a natureza agir.

Só pra esclarecer, nestas fotos abaixo, o barrigão não é mais de vermes. O nome agora é Gulodice.  Os vermes deram lugar a uma grande quantidade de ração, que ela insiste em repor antes mesmo de digerir a refeição anterior. Daí, uma refeição após a outra tem provocado a “redondice”. Mas, nessa idade, não faz mal.

Em poucos dias, ela já estava muito à vontade, sentindo-se em casa.

Seguia nossa matilha, como se já fosse parte da turma. Tinha uma atração especial pela Pintada, como se visse nela seu futuro. Esperava crescer e ficar tão grande e forte quanto ela.

Oh, dó! A Lara, de grande e forte, não terá nada. É um daqueles lobos que não crescem. Parece ser uma mestiça de Pinscher.

Até a cauda da Pintada era motivo de brincadeira, embora só não fosse mais grossa que sua “barriguinha”.

Nas outras atividades do dia, ela estava sempre presente. Não queria ficar de fora de nada. Onde um põe o focinho, todos os outros querem também saber o que é. Se é hora de latir, todos são solidários. Se a hora é de relaxar, a Larinha é a primeira a se acomodar, no colo, é claro.

Já está aprendendo as regras de uma matilha. Demonstrar submissão é algo que todo lobinho precisa aprender, principalmente quando cresce entre lobos adultos. Faz parte do aprendizado que fará dela uma cadelinha equilibrada e sociável.

Enfim, faltava agora encontrar um dono muito especial pra este anjinho.

Ela era apenas um projeto de lobo mas as exigências eram muitas.

O adotante deveria se comprometer a dar a ela atenção e colo constantes. Precisaria conviver com as pessoas dentro de casa, com direito a dividir a cama ou, no mínimo, ter a sua própria cama, mas desde que fosse bem confortável.

A ela deveria ser também permitido coçar os dentinhos finos em chinelos, sapatos e dedos, sendo alertado a não subestimar a sua capacidade de destruição.

Mesmo com todas essas condições, o adotante chegou com tudo o que ela tinha direito. A Larinha partiu em uma manhã de sábado, levando uma caminha muito suja, mas com um cheirinho de nossa matilha, para ajudá-la a dormir melhor.

Levou também um punhado de ração, dois brinquedinhos e o cartão de vacinação, é claro. Desse dia em diante, ela seria a princesinha da casa. Terá a vida que todo lobinho merece. Ficamos à espera das fotos que os adotantes nos enviarem para mostrar como tem sido a vida dela pós adoção.

Cartao Clinica Veterinaria Amigo Fiel

A Larinha chegou a precisar de internação em razão de uma grave infecção seguida de desidratação. Se hoje está feliz e saudável, foi graças à Dra. Telma, da Clínica Veterinária Amigo Fiel, que a recebeu e se desdobrou para salvá-la.

Nosso muito obrigado à Dra. Telma e sua equipe. Além de salvar a Lara, ainda cuidou de arranjar-lhe a melhor adotante, escolhida a dedo entre seus clientes, certificando de que poderá continuar cuidando dela depois da adoção.

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