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Eles deixaram a vida livre, um território abundante, espaço, presas, tocas, instinto, capacidade de sobrevivência e tudo o que precisavam pra serem felizes e saudáveis. Renunciaram a tudo isso pra nos acompanhar. Confiaram em nós.

Infelizmente, não honramos a promessa evolutiva que lhes fizemos. Não cumprimos os combinados e os deixamos à própria sorte.

Hoje, no lugar de tocas, instintivamente escavadas em locais altos, livres de alagamento, lhes restam abrigos improvisados, isso quando têm a sorte de encontrar mãos humanas que ainda se preocupam com eles.

No lugar de uma fêmea alfa defendendo os filhotes com unhas e dentes, sabendo que cada filhote é importante para a sobrevivência de toda uma matilha, o que encontramos é uma fêmea solitária, o retrato da angústia, por saber que os filhotes sucumbirão, um a um, assim que colocarem o focinho pra fora do lote onde estão.

Esta é a visão que se tem da entrada do território, olhando da Rua (Uma rua muito movimentada, diga-se de passagem).

Nada pode ser mais angustiante que ver tristeza e insegurança nos olhos de filhotes de 40 dias.

Não são tão inocentes assim. Eles não sabem o que são estatísticas (menos de 10% dos filhotes nascidos nas ruas chegam a completar um ano de vida.), mas parecem saber que terão vida curta.

Não tem pressa. Eles estão muito bem abrigados. Ali nada vai lhes acontecer. As chuvas não os atingem e a lona, sob o sol escaldante, lhes garante uma temperatura agradável.

Filhotes flagelados 6

E pra piorar ainda mais as estatísticas, estamos próximos ao Natal, uma época do ano em que os humanos estão pensando em festas e viagens.

Ninguém quer saber de adoção agora. Deixam a compaixão e solidariedade pra outro momento mais oportuno.

Mas aí, um grupo de protetores resolveu agir. Dos 4 pequenos, 2 foram adotados antes mesmo do resgate. Seria preciso, no entanto, que o resgate da mãe acontecesse junto com os filhotes restantes. Afinal, se eles fossem retirados antes, ela deixaria o território e voltaria às ruas, com as tetas cheias de leite, sofrendo ainda a tristeza e a angústia que a perda dos filhotes geralmente provoca.

Mas o resgate final veio exatamente como precisava. Mãe e dois filhotes foram salvos e abrigados por uma protetora. Estavam salvos e felizes. Foram examinados e vacinados. Ganharam até nomes. A mãe é chamada de Nina e os dois lobinhos machos, Urso e Negão.

Lobinhos flagelados 3

Nina já se mostra uma cadelinha alegre. Todo aquele medo e tristeza que ela trazia nos olhos desapareceram. Está feliz e sabe que gente de bem zela por ela.

Lobinhos flagelados 2

O final desta história não poderia ter sido melhor. Os filhotes foram adotados, é claro, e a Nina ficou em definitivo com a Janaína, que ofereceu lar temporário à família. O que pode ser melhor para uma lobinha como a Nina, que ser adotada por sua salvadora?

Ficaremos na espera das fotos enviadas pela Janaína, para que possamos completar a história, hoje já postada em “Finais Felizes”.

Um resgate de José Neto: coelho.neto@yahoo.com.br e Janaína Campos: janacampos2009@hotmail.com

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