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O pedido de socorro falava de uma cadela que tinha sido atropelada e estava com a perna pendurada.

Segundo relato, ela vivia em um terreno com mato alto, onde, há uns 4 meses, deu à luz a alguns filhotes, que foram depois levados por alguém que talvez estivesse bem intencionado.

A mãe ficou sozinha e acabou gravemente atropelada. Quando o pedido de socorro foi disparado, ela já estava há mais de 20 dias vagando com a perna infeccionada e repleta de larvas.

O terreno onde ela vivia passou a ser monitorado, na tentativa do resgate, mas ela estava arredia demais e corria das pessoas. Vigílias foram feitas, inclusive à noite, já que assustada demais, ela talvez estivesse buscando as sombras para não ser vista.

As poucas pessoas que conseguiam avistá-la durante o dia se angustiavam com as cenas, pois o ferimento já não tinha como piorar. Ela estava prestes a entrar em choque, mas mesmo assim insistia em continuar viva.

As buscas e tentativas de resgate foram cansativas e duraram uma semana inteira.

Quando o resgate chegou, sem muita resistência, foi possível notar que a situação era muito pior do que as pessoas conseguiam relatar. Ela já estava desfalecendo e, por isso, pôde ser capturada.

Pelo menos 15 cm de osso estavam aparentes. A carne já havia sido comida por larvas e um pedaço da perna havia caído pelo caminho. Só mesmo um milagre para explicar como aquela cadelinha continuava viva.

Apesar de tudo, não ameaçou usar os dentes. Parecia estar em choque e, naquele momento, talvez nem mais sentisse dor.

Seu estado era o pior possível, com todos os exames acusando a mais grave infecção. Nada poderia ser mais urgente que a cirurgia, mas sua condição não permitiria.

A solução imediata foi medicar, com altas doses de antibiótico injetável, para que os níveis medidos dessem a ela pelo menos uma pequena chance de sobreviver à cirurgia.

Da forma como estava no dia do resgate, sucumbir à anestesia era desfecho certo. Operar seria o mesmo que eutanasiar. Não seria sequer uma tentativa. Infelizmente, o sofrimento dos dias seguintes (e que permanecem ainda hoje) foram tão intensos que mesmo depois da tempestade, a dúvida da eutanásia persiste.

Foram alguns dias e complicações surgidas a cada momento. A infecção não se continha e o risco de septicemia era constante.

Apesar de todo o sofrimento, ela precisou esperar pelo menos uns 4 dias, até poder ser finalmente operada, e ainda assim às pressas, em razão de um forte sangramento. A infecção já atingia os ossos e foi preciso partir para o “tudo ou nada”.

Depois de uma semana, ela já havia passado por duas grandes cirurgias e outros tantos procedimentos.

Do braço arrancado nada sobrou, nem mesmo para suporte de coleira peitoral.

Àquela altura, ela já tinha ganhado um nome e passou a ser chamada de Menina. Ganhou também uma legião de admiradores. Poucas vezes se viu tanto apego a uma vida, que já nem fazia mais sentido.

Ela teve todo tipo de complicação possível. Teve piometra, perdeu parte da visão, desmaiava de dor a cada procedimento.

Chegou a apresentar danos neurológicos e parou de andar.

Seus protetores se recusavam a decidir pela eutanásia, mas ao mesmo tempo rezavam para que a vida, por seus próprios meios, abreviasse aquela dor.

Mas o céu tinha outros planos. Nunca vamos entender porque um animal precisa passar por tanto sofrimento. Talvez, sejam mesmo anjos e estejam aqui pra nos ensinar alguma coisa.

Os dias foram longos e frios. Depois de 15 dias de internação, finalmente Menina poderia ter alta médica e continuar a recuperação em casa. Mas qual casa?

Ela não tinha sequer a lembrança de algum lugar que um dia pode ter chamado de casa.

Donos cuidadosos então foi coisa que ela nunca teve. Não conheceu o afeto, o cuidado e nem mesmo carinho.

Nos últimos 15 dias teve o que precisava, mas foi um misto de prazer e dor. Não é a referência que ela precisa ter.

Por milagre, uma amiga que acompanhava a luta da Menina e chegou a ajudar no resgate, soube da necessidade de um lar temporário.

Um banheiro era tudo que ela poderia oferecer, mas junto com ele, viria toda uma longa experiência em cuidar de ferimentos tão profundos, tanto de corpo quanto de alma.

Quando se despediu da clínica, Menina já estava melhor. O risco de morte havia diminuído e as dores ainda estavam vivas, mas já davam sinais de que seriam enterradas, junto com os riscos de uma despedida prematura e injusta.

Menina mostrou-se uma coisinha dócil, muito meiga, carinhosa e carente, muito carente. Não conhecia carinho, e os primeiros afetos vieram junto com muita dor, mas mesmo assim, demonstra entender o que aconteceu.

Hoje está mais forte, mas a guerra pela vida ainda vai longe.

A recuperação das cirurgias deve demorar e ela ainda precisa se acostumar com essa nova realidade.

Nos próximos dias, faremos novas chamadas e atualizações. Ela precisa de adoção, mas também precisa de ajuda financeira, para pagar as cirurgias e os procedimentos. Ao final desta história estão as formas de ajuda, rifas e outros caminhos.

Fisicamente, ela se recuperou totalmente. Anda normalmente, voltou a enxergar e está ótima.

Entretanto, a Menina não sabe nada sobre preços de remédios. Pra ela, a maior necessidade agora é de um novo começo.

No dia da alta médica, foi uma grande festa.

Ela parecia entender. Abanou o rabinho até não poder mais, lambeu as mãos de suas amigas, agradeceu, ao seu modo, cada uma daquelas agulhadas.

Esse é o começo da história de uma lobinha que, um dia, foi arrancada de seu caminho evolutivo, por uma série de fatalidades. A primeira foi o abandono e depois, tudo que dele decorreu. Aqueles que primeiro cruzaram seu caminho não entenderam nada.

Mas agora ela está de volta, aprendendo a se afeiçoar e desenvolvendo o chacra cardíaco, que fará dela um ser capaz de amar.

A capacidade de amar é o principal sinal da humanização. E os cães evoluíram com este processo bem adiantado.

E como a vida é uma grande troca, ela retomará também a missão de transformar vidas humanas. Aqueles que tiverem a felicidade de conviver com ela, jamais serão os mesmos. Dos protetores que a salvaram, dos médicos que a medicaram aos adotantes, que darão a ela uma família, e não apenas tutores.

Ela segue em lar temporário, ainda com uma batelada de remédios, exames e procedimentos. A luta pela vida continua e os riscos ainda são grandes.

Entretanto, a principal recuperação começa agora. Queremos pra ela alguém que conheça sua história, que entenda o tamanho da responsabilidade que estará assumindo e que se comprometa a conduzi-la nessa jornada chamada de Vida.

E que, ao final, quando chegar a hora de entrega-la aos protetores invisíveis, que possam dizer:

_ Levem minha filha. Cuidem para que ela volte amparada e protegida, e para que encontre por aqui um mundo mais justo, que nunca mais conheça o abandono, que não sinta mais dor, e que conclua sua etapa por aqui.

Sabemos que a Menina ainda precisa estar por aqui mais alguns ciclos, mas o caminho evolutivo precisa ser retomado.

Seu destino está novamente traçado, moça. E que seu caminho até lá seja reto e sem pedras.

Contato para adoção: Eliana: (31) 3474.6810 / 9 9956.6810.

E-mail: eliana.malta@terra.com.br

FORMAS DE AJUDA:

Dados bancários: Marina Mônica de Freitas. CPF: 452.188.116-53.

Banco do Brasil. Agência: 3610-2. Conta: 920759-7.

Rifas e Bazares

Contato para informações sobre rifas e bazares.

Yara: (31) 9 9100.1473.

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