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Ainda sou um filhote. Queria muito estar gastando minha energia correndo, brincando, mordendo tudo que encontrasse pela frente, mas este foi o motivo deu estar agora nessa condição.

A verdade, é que gastei minha cota de bagunça de uma vida inteira em apenas alguns dias. Daí, meus donos decidiram que não me queriam mais. Eu chorei, pedi que me deixassem entrar, prometi que me comportaria, mas eles não quiseram me dar uma nova chance.

Tive muito medo e, sem experiência nas ruas, outro não poderia ser o resultado. Eu estava preocupado demais em fugir, talvez de mim mesmo, e não vi aquele carro.

Um grave atropelamento partiu minha coluna ao meio e fiquei ali, estendido, sem forças pra me levantar.

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Não culpo a ninguém. Fui eu que brinquei mais do que devia. Mas eu também não sabia que não podia brincar. Meus donos também não sabiam que eu seria atropelado. Acho que, se soubessem, não teriam me deixado na rua.

Mas agora não adianta mais procurar explicações e culpados.

Apesar de tudo, eu tive sorte. Alguém decidiu me ajudar, me pegou e me deixou na porta de um abrigo, onde só havia boa vontade, mas nenhuma estrutura para me salvar.

Daí, um tio bem legal me estendeu as mãos. E eu aceitei aquela ajuda como última chance.

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Passei por duas cirurgias e ainda não me recuperei. Tenho me esforçado muito. Ouvi o meu padrinho dizer que ainda tenho sensibilidade e que posso voltar a andar.

Vou precisar de algumas coisas de nome complicado: fisioterapias e acupuntura.

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Eu já consigo me movimentar. Ainda estou me arrastando, mas já consigo sair do lugar. Quero muito um dia voltar a caminhar. Quando isso acontecer, vou me sentir livre, como nunca fui antes.

Querem ver como já consigo até subir em lugares difíceis?

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Apesar de tudo, eu sou um cachorro feliz. É que na vida, temos sempre dois caminhos: viver lamentando pelas coisas ruins, ou seguir e fazer o melhor com o que nos for dado.

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Preferi a segunda opção. Serei o melhor cãozinho que puder ser. Estou determinado a ser feliz. Também quero fazer a diferença na vida dos meus próximos donos.

Em alguns momentos, penso que meus antigos donos poderiam me perdoar pelas bagunças e me receber de volta, mas na verdade, acho que isso não vai acontecer.

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Eu tenho um pouco de medo do futuro. Tenho medo de não voltar a andar, de não ser adotado, de ter que viver assim pelo resto da vida.

Não quero isso. Eu sou jovem ainda e o resto da vida, pra mim, é tempo demais.

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Já fiz até promessa pela minha adoção: Se algum dia eu tiver uma nova família, eu prometo que nunca mais vou brincar. Ficarei quieto em um cantinho, sem latir.

Prometo também não comer muito. Pode até ser ração ruim que eu não vou chorar se tiver fome.

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E tem mais. Eu já tenho garantido todo o tratamento. Quem me adotar, não vai gastar comigo. Só terá a alegria de poder passear comigo pra me levar à clínica.

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Eu topo também fazer qualquer sacrifício pra alegrar a vida dos meus donos. Topo dormir na cama, divido a atenção com outros cães e até com gatos.

Aceitarei com gosto qualquer petisco e posso também aprender a perseguir bolinhas. No começo, vou devagar, mas prometo me esforçar.

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Estou saudável, apesar de tudo. Sou negativo para leishmaniose e tenho castração e vacinação já garantidas.

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ATUALIZANDO: Depois de uma temporada na clínica veterinária, fui transferido para um lar temporário, onde eu ficaria aguardando por adoção. Segui o tratamento e minhas madrinhas acham que voltarei a andar um dia. Já consigo ficar de pé sozinho.

Por enquanto, ainda preciso da cadeirinha pra correr e pular, mas já me adaptei bem a ela. Tias Fernanda e Cínthia me receberam tão bem que decidi que não quero mais nenhum adotante. Resolvi ficar por aqui mesmo. Tenho muitos amiguinhos aqui e não quero outra vida.

Eu sou um cachorro muito feliz.

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No lar temporário onde ele está, tem muito espaço e muitos outros cãezinhos que, como ele, tiveram que reaprender a viver.

O que era pra ser temporário virou definitivo. O Davi está adotado. Corre e brinca o dia inteiro, apesar de suas limitações. Ele é feliz, dos mais felizes que lá passaram por aquelas terras.

Na foto abaixo, com minha mãe Fernanda e minha irmãzinha Clara. A Clarinha também chegou por aqui sem andar e hoje corre pra todo lado. Isso me enche de esperança.

Davi adotado