Muitos cães são felizes vivendo com moradores de rua. Alguns tratam os animais como filhos e, apesar da miséria em que vivem, são capazes de dividir o pouco ou nada que têm.

E como os cães evoluíram pra dividir conosco o ninho e o coxo, o encontro entre moradores de rua e lobos costuma ser prazeroso e benéfico para ambos. O relento não é problema, remetendo a um passado remoto, quando lobos e homens se aproximaram.

O problema ocorre quando a tragédia humana ultrapassa os limites de um voto de pobreza e de simplicidade.

Estes animais viviam com moradores de rua. Apesar da tragédia e da precariedade da vida que tinham, eles formavam uma família, com pai e mãe, e um tanto de filhos de 4 patas, caninos e felinos.

Um dia, assistentes sociais estiveram no local e sensibilizaram-se com a triste situação daquele casal. Eles (os humanos) foram recolhidos e levados para um albergue, onde terão melhor qualidade de vida e a chance de um recomeço.

Infelizmente, os filhos não tiveram a mesma sorte e ficaram pra trás, sem referência sequer do entulho de coisas que eles identificavam como casa. Isso porque a Prefeitura recolheu os pertences que ali foram deixados, que na verdade não passavam de um amontoado de coisas velhas e sem nenhum valor.

A família então se dissipou. Sem a referência dos pais e das caixas que eles tinham como casa, sentiram-se perdidos e desamparados. Na verdade, viram-se abandonados.

Alguns moradores até que tentaram compensar a falta de afeto dos pais, talvez pra convencê-los a ficarem por ali, ate que o resgate chegasse.

Mas a tragédia estava anunciada. Os gatos decidiram que precisavam buscar outros portos e partiram, sem deixar rastros.

Os lobos já estavam velhos e fracos demais pra um novo começo tão precário. Então, sem opção, ficaram por ali, esperando que um milagre os levasse.

E assim se fez. O resgate chegou para os 4 lobinhos. Eles foram levados para um lugar provisório, onde receberão os primeiros cuidados e onde ficarão, à espera daquele mesmo milagre que um dia seus pais humanos sonharam que seria possível.

A lembrança dos irmãos de espécies tão diferentes, mas que se entendiam apesar das brigas, ficou no passado. Os tigrinhos continuaram a vida errante, por sua conta e risco, em algum lugar talvez não muito longe dali.

Eles tentarão se alimentar, se moverão escondidos nas sombras da noite, buscando restos e algum porto seguro. Levarão a torcida daqueles que tentaram ajudar, para que cruzem caminhos de boas pessoas.

Os irmãos lobos seguem tentando uma segunda chance, precariamente, porém amparados e protegidos.

Os dias felizes de preguiça na sarjeta ficaram no passado. Ainda choram de saudade dos pais, mas o abandono não foi crueldade. Também eles, os pais, precisavam de amparo e proteção, pra recuperar o mínimo de dignidade que talvez tenham tido um dia.

Que os vícios e a insanidade não os desviem da oportunidade que ganharam. E que um dia saibam que, de alguma forma, seus filhos ficaram bem, ou seguiram o destino.

No lar temporário onde hoje vivem os lobos, não têm mais a liberdade que tinham, e talvez nem mesmo a quantidade de afeto que recebiam dos pais humanos.

Contudo, eles têm agora a chance de um novo começo. São velhinhos e passaram nas ruas mais tempo do que mereciam. Não têm mais a mesma força e resistência pra uma vida tão rústica.

Descobriu-se ainda que, apesar do amor que demonstravam ter pelos donos, eles são carentes de afeto e de uma proteção que ainda não conheceram.

A vida no abrigo não é feliz. Nenhum cachorro é feliz em um abrigo. Eles evoluíram pra dividir o ninho e o coxo conosco. Abrigos, por muito bem estruturados que sejam, não suprem a necessidade de afeto dos animais.

E ainda pior é saber que a proximidade desses animais com os homens foi a forma sábia da vida de promover um encontro que somente benefícios trariam para as duas espécies. O principal ganho foi o desenvolvimento do chacra cardíaco nas duas espécies.

Os abrigos cheios refletem o desperdício para o Planeta. Cada um desses animais teria muito a contribuir para a evolução humana, mas solenemente, dispensamos o presente evolucionário da vida.

O fato é que eles precisam de adoção, precisam de ração, de ajuda, de afeto, de tudo um pouco, mas principalmente, de um novo amor, com força para apagar o passado.

Contato para adoção: Nelma: (31) 9 9209.1342.

E-mail: eliana.malta@terra.com.br / nmarezende@gmail.com

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