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A vida precisa seguir. Eles precisam recomeçar e, na medida do possível, esquecer o passado. Um dia, reencontrarão sua mãe, do outro lado do arco-íris.
E esperamos que eles possam contar a ela: _Mãe. Depois que você partiu, nós sentimos muito, mas a vida nos trouxe novos amigos e fomos muito felizes.

Quando se tem 18 adultos, 23 filhotes adolescentes, 4 recém-nascidos e 5 a caminho, e todos vivendo em condições extremas de sujeira e falta de cuidados, temos que focar nos números.

O Começo da história: http://oloboalfa.com.br/o-orfanato/?regiao=mg

Reduzir a quantidade é a medida mais urgente, o que evidentemente passa também por uma esterilização rápida dos adultos, para evitar mais nascimentos.

A primeira medida foi vacinar, vermifugar e doar os filhotes. Dos 23 lobinhos filhotes e adolescentes, conseguimos 18 ótimas adoções. Restam ainda 5 adolescentes, que não têm tido muita sorte nas feiras.

Dos 4 lobinhos recém-nascidos, só um sobreviveu e segue forte e saudável, ainda mamando, mas esperando o dia de se separar da mãe.

Apesar da urgência em tirarmos os filhotes e adolescentes dali, eles não eram os mais tristes. Já nasceram naquele ambiente tumultuado, não tiveram a oportunidade de conhecer o afeto e, por serem ainda filhotes descobrindo o mundo, foram rapidamente socializados.

A inocência da infância não os permitia entender o tamanho da encrenca em que eles estavam. Além do mais, pra eles, as chances de um n0ovo começo eram melhores.

Depois de estarmos bem adiantados na faxina inicial, era preciso lembrar que, entre os adultos, teríamos muita tristeza pra transformar.

Eles sabiam exatamente o que tinha acontecido. Eles viveram um tempo em que sua dona podia dar atenção e demonstrar afeto individual, antes dos nascimentos descontrolados que provocaram aquela superlotação de vidas.

Queríamos muito poder dizer a cada um deles que tudo ficará bem, mas nem com todo o otimismo do mundo é possível confiar nisso. Mas vamos tentar e tentar, até quando não der mais.

Com mais de 20 legítimos vira-latas médios e adultos, sabemos que não será fácil encaminhar todos. Em algum momento, talvez tenhamos que nos afastar e virar a página.

Nenhum deles, nem mesmo aqueles que dormiam na cama, foi adotado por parentes de sua mãe falecida.

Isso deixava claro que, desde a partida de sua mãe humana, eles deixaram de ser animais estimados para se tornarem um monte de indesejados lobos.

Claro que as condições ali eram extremas e não foi fácil assumir aquilo, nem para os parentes que ficaram, e nem para os voluntários que abraçaram a causa pra tentar minimizar os impactos daquela tragédia.

E estresse e a tristeza das últimas semanas já haviam provocado seus estragos. Muitos deles haviam desenvolvido dermatites provocadas, ou por infestação de pulgas, ou mesmo pelo estresse.

Por sorte, aquilo não era contagioso e tinha como causa a tristeza que acometera toda a matilha.

Não temos e não teremos animais belos e saudáveis pra mostrar. Os voluntários estão se desdobrando, mas pra que eles tenham chance, precisarão de adotantes especiais, dispostos a entender que não se trata de adoção, mas de resgate.

Precisarão de paciência, de muito afeto, boa alimentação, de cuidados e de tempo, pra esquecerem o passado, se recuperarem das dores e feridas e recomeçarem, talvez do zero.

Apesar de toda a dificuldade, já fizemos alguns avanços também para os adultos.

A Bassetzinha velhinha que tinha um grande tumor na patinha foi resgatada, passou por delicada cirurgia e segue em tratamento. Ela é velhinha e era uma das que dividia a cama com a mãe humana.

Observamos que, entre os adultos, embora sejam todos legítimos SRDs, muitos deles, pelo menos uns 6 ou 7, têm as perninhas bem curtas, o que nos leva a acreditar que muitos deles são filhos da Belinha (Vovozinha).

Um machinho peludo, irmão da mãezinha Poodle, foi também resgatado e já seguiu outro caminho. Foi rapidametne adotado.

Das 6 fêmeas restantes, uma, que passou a ser chamada de Juju, estava com suspeita de gravidez, suspeita essa que ficou bem evidente duas semanas depois.

Ela era a única fêmea branca, e também muito velhinha. Provavelmente, ela era a mãe de muitos daqueles filhotes e adolescentes.

Juju passou por consulta, fez ultrassom e tivemos então a confirmação de que 5 ou 6 lobinhos se desenvolviam ali.

No dia do ultrassom (23/12/2017), eles já estavam com idade gestacional de aproximadamente 45 dias, o que nos levava a esperar mais um nascimento em 2 semanas.

Tínhamos entretanto, uma situação muito grave naquela gestação.

Juju é muito velhinha, tem os dentinhos muito estragados e não tem a energia necessária para ser mãe. Sua gravidez é de risco, pra ela e para os filhotes.

Ela segue feliz e confiante, mas os voluntários que a ela já se afeiçoaram, estão vivendo dias de angústia e medo.

Pouco antes da ultrassom da Juju, um feto chegou a ser encontrado dentro de um dos canis.

Aquela cena não poderia ter sido mais triste. O ultrassom revelou que os filhotes da Juju estavam se desenvolvendo fortes e saudáveis.

A mãezinha que perdeu a cria era outra, que não conseguimos identificar. Provavelmente, ela comeu os outros fetos (O que é muito comum em condições assim), ficando apenas um inteiro para que nos indicasse o que ocorreu.

Decidimos então agilizar a castração das 5 fêmeas restantes. Assim foi feito, com a ajuda do CCZ. Cinco fêmeas foram encaminhadas para a castração, inclusive a mãezinha que acabara de abortar.

Sabíamos que havia risco no procedimento, mas não tínhamos tempo pra seguir todos os procedimentos de segurança recomendados.

Por sorte, protetores invisíveis estavam também agindo ali, pra contornar os atropelos precipitados daqueles que atuavam no plano físico, movidos por uma urgência que só existe aqui.

Um dia depois da cirurgia, as meninas estavam bem, apesar do estresse do procedimento, do transporte e das mazelas que a vida tem lhes trazido nos últimos tempos.

Iniciamos os trabalhos logo após a partida da tutora, mas tudo indica que as coisas não caminhavam bem já fazia algum tempo.

Quase todos, principalmente os adultos, apresentavam características de um comportamento que chamamos de “O caminho inverso”. Eram arredios, assustados e muito medrosos.

Apesar disso, mesmo com desconfiança e uma profunda tristeza no olhar, elas aceitavam os afagos.

Uma das meninas recém-castradas, a Shiva, a menor da turma, foi adotada no dia seguinte, pra ser companheira de uma Pinscher bem pequenina.

A Juju segue exibindo um barrigão de matilha inteira. Ela parece bem, mas para os voluntários que estão atuando no caso, a angústia é grande. Não sabemos se ela ou os filhotes vão sobreviver.

A gravidez é de grande risco, para mãe e filhos.

Entre os machos, quase todos já estavam castrados, o que indicava que, em algum momento, alguém tentou fazer alguma coisa. Infelizmente, deixaram um menino e todas as fêmeas inteiras, um erro fatal.

Isso foi suficiente pra fazer toda essa confusão.

O garoto responsável é este rapaz, seguramente o pai de todos os filhotes, e que, por razões obvias, recebeu o nome de Dom Juan.

Ele é dócil, mas mostrou-se igualmente desconfiado na hora do banho.

Segurou a onda com bravura e se comportou muito bem.

Tomou banho e foi se secar ao sol, deixando claro que tinha gostado daquela experiência.

Ele é um legítimo SRD de porte médio e pelo curto. Também está estressado e triste, com sinais da mesma dermatite provocada por estresse e pela tristeza.

Ele também é desconfiado como os demais, mas tão inofensivo quanto.

É que, apesar de todo o medo, eles são incapazes de usar os dentes. Permitiram-se manusear, examinar e aceitaram os banhos. Mesmo sendo capturados à força, eles não demonstram qualquer sinal de agressividade.

São crianças dóceis e carinhosas. Só precisam reaprender sobre o afeto e a amizade.

A Juju, apesar dos riscos que corre pela gravidez em avançada idade, demonstra não ter qualquer mágoa de seu traidor. Ao contrário, encontra abrigo nele.

A cena da Juju deitando a cabeça no colo do Juan talvez nos dê uma chance de conseguirmos pra eles uma adoção conjunta. Sonhar não é pecado.

O menino já está castrado, é claro. Sua cota de filhos nesta vida já passou da tampa. Apesar disso, ele parece feliz, mas a conta da pensão ainda não chegou pra ele.

Juju e Dom Juan são, portanto, os últimos ali a fazerem lobinhos. Ela será também castrada depois que desmamar os pequenos que estão a caminho.

Entre os grandões, que de grandões não têm nada, estão o Jonny Bravo e Pierre.

Jonny é um cão amarelo com uma mancha branca no peito e uma pequena pintinha branca na testa.

Segundo as voluntárias que decidiram dar a ele esse nome, Jonny Bravo é um personagem de desenho animado, louro, grande mas bobão até mandar parar. Enfim, de Bravo ele só tem o apelido carinhoso que lhe foi escolhido por aqueles que aprenderam a estima-lo nessas últimas semanas.

Pierre também é um legítimo SRD de pelo curto. Eles devem pesar no máximo uns 15 quilos, sendo legítimos vira-latas médios.

Os dois têm latidos bem fortes. São perfeitos para impor respeito, mas não têm perfil para guarda. Não serão doados para esta finalidade. São bons amigos e precisam de uma chance de cumprirem a missão para a qual vieram ao mundo.

Pierre e Jonny estão em ótima forma. São fortes, saudáveis, estão castrados e já têm garantida a vacina, que poderá ser aplicada em alguns dias.

O mutirão de vacinação que organizamos para o sábado, dia 23/12/2017, acabou virando um mutirão de banho.

Por recomendação médica, a vacina foi adiada, porque eles precisariam ainda se fortalecer um pouco mais. As irritações são, provavelmente, decorrentes da infestação de pulgas que tomava o lugar.

Então, todos tomaram banho com medicação para a pele e receberam remédio para controle dos parasitas. Em uma semana, estarão melhores e em condições de iniciarem a vacinação. As vacinas já estão compradas, esperando por eles.

Dentre os mesticinhos de Basset, o Coragem é um dos mais assustados e medrosos. O nome foi escolhido a dedo, acreditando seus novos amigos na força das palavras.

Ele se encolhe e fica todo o tempo fugindo e evitando qualquer contato humano.

É o único peludinho da turma, de cor escura, como um legítimo “Capa Preta”. Sua capa, entretanto, não tem a beleza que deveria. A dermatite provocada pelo estresse e pela depressão que já o toma tira dele a beleza que ajudaria a lhe trazer novos amigos.

Que fique claro que eles ainda vão se recuperar e logo serão amigos de colo. Só precisamos de novos donos dispostos a assumir o desafio de abrigar espíritos nobres e ensiná-los que o mundo pode ser mais acolhedor do que o que eles conhecem.

Temos que buscar a adoção, mesmo antes de finalizarmos o tratamento, pois se continuarem onde estão, a recuperação será bem mais difícil.

A ordem das coisas precisa se inverter: Primeiro, eles ganham novos amigos e novas casas, pra depois aprenderem sobre a amizade e se sentirem amparados e protegidos. Só depois os sintomas do estresse e da tristeza desaparecerão por completo.

O Coragem tem também as perninhas curtas e deve pesar no máximo uns 10 a 12 quilos. É pequeno, mas parrudinho.

Tudo indica que ele é irmão de vários outros ali, com as mesmas características (Exceto o pelo longo).

Ele era um dos mais apavorados durante o banho. Apesar do pavor inicial, mostrou-se aliviado. É possível que aquela água fria, numa manhã tão quente, tivesse lhe trazido algum conforto.

Tudo indica que ele nasceu ali, quando as coisas já não estavam bem e cresceu sem muito contato humano. Possivelmente, aquele foi o primeiro banho de sua vida. Seguramente, foi o primeiro banho pra muitos deles.

Olhava para a dona das mãos que o massageavam com gratidão e ternura.

Queremos muito que o Coragem tenha uma segunda chance, que faça amigos e que seja verdadeiramente feliz. Alguém já de enxergar o que há por detrás desse olhar.

Seus irmãos, também parrudinhos e de perninhas curtas, traziam as mesmas dermatites.

Eles se amontoavam nos mesmos cantos. Não há nada mais angustiante que assistir animais que deveriam estar pulando em nossos colos, se escondendo, buscando a proteção do bando e olhando as pessoas como ameaças.

Eles não mereciam viver assim. Precisam aprender, o quanto antes, sobre a amizade. Precisam viver as delícias de uma vida em família, com direito a petiscos jogados debaixo da mesa na hora do almoço.

Ainda são jovens e podem aprender sobre bolinhas, sobre cenouras, ossinhos e tudo que lobos felizes tanto gostam.

Naquele mutirão, como o banho chegou pra todos, aos poucos eles começavam a entender que aquelas pessoas estavam ali para melhorar a vida deles.

E que os próximos humanos que a vida lhes trouxer, sejam aqueles que transformarão verdadeiramente suas vidas.

Os voluntários estão ali pra ajudar, mas eles podem muito pouco. No máximo, aliviarão um pouco as condições pesadas, mas a vida que eles merecem, só virá através da adoção.

Precisamos com urgência de pelo menos mais 20 adoções. São adoções especiais, mas que transformarão a vida, não apenas dos animais, mas daqueles que os receberem.

Aos poucos, bem aos poucos, eles começam a se acostumar com os voluntários que ali estão diariamente para alimentá-los e limpar o ambiente.

Sorrisos começam a aparecer, embora ainda tímidos e discretos.

Teremos nas próximas duas semanas notícias sobre as crianças, e que sejam boas notícias. Que possamos contar que o mundo está um pouco melhor, porque chegaram novos lobinhos, trazendo do céu nobres missões, de fazer melhores aqueles que tiverem a sorte de recebe-los.

Os olhares mais confiantes começam a surgir dia a dia.

Mesmo assim, ainda nos sentimos pesados com cenas assim. A Juju não tem uma caminha onde receber os filhotes.

E não queremos que eles nasçam nas mesmas condições precárias daqueles que chegaram antes e que não sobreviveram.

Ela precisa de um novo começo, mas que seja agora, antes do nascimento dos filhotes.

Se serão bem recebidos, não sabemos, mas estamos nos esforçando para que a história deles chegue até pessoas com disposição de fazer o que é certo.

Todos eles passaram por avaliação médica, foram vermifugados e têm exames negativos para Leishmaniose. Todos receberam a vacina rábica e serão entregues com a óctupla já iniciada.

Contato para adoção: Anna Paola: (31) 9 9926.3999.

E-mail: crispim@oloboalfa.com.br / apaola.moura@oloboalfa.com.br

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