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O pedido de ajuda falava em 40 lobos órfãos. Sua dona havia falecido repentinamente, ainda jovem, e havia deixado na casa uma mãe idosa e adoentada de mais de 80 anos, e outros 40 cachorros, que a debilitada senhora não conseguiria cuidar.

Dessa vez, ao contrário do que geralmente ocorre na maioria dos casos, os parentes preocuparam-se em atender a um pedido da mãe das crianças, pouco antes de falecer, de que seus filhos não fossem abandonados.

Mas, herdar 40 cachorros não é pra qualquer um. Na verdade, não é pra ninguém, e os problemas, previsíveis e esperados, vieram com a força que a ocasião anunciava.

A falta de experiência daqueles que caíram de paraquedas naquela confusão não permitiu que as coisas se mantivessem organizadas como se imagina que tenham sido um dia.

A verdade é que, independente da inexperiência dos que tentavam ajudar e resolver o problema, o número de animais indicava que as coisas já haviam fugido do controle há algum tempo.

E a idade da maioria dos animais indicava que esse descontrole não era antigo. Isso porque, dos 40 animais, mais da metade, talvez uns 30, são filhotes com idades de no máximo 6 ou 7 meses.

O descontrole, portanto, era recente e pode ser consequência de algo mais grave, que acabou por resultar na partida prematura da mãe de todos eles, deixando um orfanato inteiro pra ser agora cuidado.

Eles estão vivendo em condições muito precárias, com ração que apenas lhes minimiza a fome, mas incapaz de nutri-los.

A sujeira é provocada pelos próprios animais, que rasgam os sacos de ração e os espalham pelo terreiro, misturando-as às fezes e à água da chuva, tornando todo o ambiente impróprio pra quelquer meio de vida.

Quando entramos no ambiente, encontramos animais arredios e muito assustados. Alguns rosnados, outros latidos, mas nenhum sinal real de agressividade. Não recebemos uma só mordida, embora elas sejam comuns e esperadas em situações assim.

E, quando esperávamos os animais se acostumarem com nossa presença para iniciarmos as fotos individuais, notamos que, enquanto os adultos focavam em nossa estranha presença, os filhotes se apressavam por garimpar alguns grãos de ração que ainda não haviam azedado.

Ficou muito claro, naquele momento, que eles estavam famintos. Não faltava ração, mas sabemos por experiência que, em ambientes assim, muitos morrem de fome.

Os lobos alfas não costumam ser generosos e a tentativa dos mais fracos de se alimentar costuma ser severamente castigada. Isso leva à fome, à fraqueza e à morte.

O rabinho entre as pernas desse filhotinho, enquanto abocanhava alguns grãos, foi pra nós um sinal muito claro de que ele é um dos candidatos a morrerem de fome.

Ele foi o primeiro a ganhar um nome foi o menorzinho da turma. Decidimos chamá-lo de Francisco. (Ou Francisca).

Outros pareciam fazer questão de nos mostrar que aquela comida estava ruim. O Careta também ganhou um nome, provisório, é claro.

Apesar da quantidade de ração espalhada, os sinais da fome estavam ali por todos os lados. Costelas estavam aparentes. Muitos filhotes magrinhos e fracos.

Esta mocinha abaixo está sendo chamada de Costelinha, por razões óbvias.

Quando nos aproximamos da porta da casa, eles se amontoaram, como se pedissem para abrirmos. É possível que estivessem acostumados a ficar dentro de casa.

Com a morte de sua mãe humana, foram deixados na área externa, onde estão alguns canis.

O Costelinho parece ser irmão de ninhada da Costelinha. Ele também estava entre os mais magrinhos. É um cisquinho bem pequeno, mas ainda vai crescer um pouco mais.

Pirata e Zorro são os dois branquinhos de máscara amarela. Também parecem irmãos de ninhada e já estão com mais de 4 meses.

Também estão magrinhos, mas em melhores condições que os pequeninos.

Chumbinho deve estar com 5 para 6 meses

Sempre que voltávamos a câmera para a porta dos canis, notávamos uma grande movimentação lá dentro.

Claro que precisaríamos explorar aqueles ambientes. Eles poderiam esconder coisas tristes.

E escondiam mesmo. Os canis são bem construídos e estavam todos abertos. Os cães ficavam todos juntos e soltos, com acesso ao terreiro. (Seria muito pior se estivessem confinados nos canis).

Eram canis bem construídos, mas ali tinham a função de apenas proteger os animais da chuva direta, mas não os mantinham secos.

Os papelões que forravam alguns deles estavam encharcados e sujos. E não tinha como ser diferente.

Aquele ambiente eram uma bomba relógio. Uma simples gripe ali se espalharia feito vírus.

Precisávamos tentar registrar a gravidade e a urgência da situação, mas ao mesmo tempo tínhamos que mostrar o que havia de belo ali, como a Manchinha.

E pra isso, decidimos seguir o exemplo dos animais e também garimpar o que havia de melhor pra ser mostrado. Usamos o zoom da câmera para focar algumas expressões, que esperamos tenham a força pra levar um pouco de realidade às pessoas.

Não há mais intenso pedido de socorro que olhares assim.

Não há mais intensa demonstração de tristeza do que filhotes incapazes de abanar o rabinho, ou de se aproximar pra brincar.

A realidade daqueles filhotes é a mais triste. Eles precisam sair dali o quanto antes, pra aproveitarem o restinho de infância que ainda têm.

Fininho e Rabicó são filhotes, mas já beiram os 6 ou 7 meses. São pequenos mas ainda crescem um pouco e devem ficar de porte médio.

Manchinha e Fininho parecem irmãos e, apesar do medo, estavam sempre juntos.

Aquele comportamento arredio dos filhotes, em parte, era reflexo do comportamento dos adultos.

Mas ali não havia cachorro bravo ou arredio. Estava assustados demais. Pareciam saber que sua mãe havia partido e que não voltaria mais.

Eles estavam agora sozinhos e dependendo de um milagre pra seguirem essa jornada que chamamos de Vida.

Um filhote, em especial, destoava dos demais. O nome dele é Espeto.

Também arredio e assustado como os demais, latia e não se aproximava. Na verdade, fugia até mesmo das nossas lentes.

De diferente nele, o pelo longo. Até aquele momento, não havíamos visto ali nenhum adulto de pelo longo. É claro que em legítimos SRDs, não sabemos o que trazem no DNA e ele poderia ter herdado de antepassados mais remotos, ou mesmo de pais que tivessem sucumbido àquela situação.

Mas algo inusitado aconteceu. Ele parecia entender nossas dívidas e se aproximou, como se dissesse: _Venha conhecer minha mãe.

Dali ele foi em direção a um portão, que dava acesso a um corredor e, lá no fundo, um velho tanque de água.

Debaixo daquele tanque, uma fêmea bem peludinha e embolada que, tudo indicava, era sua mãe. Sentimos um aperto no peito, tentando adivinhar os motivos daquela cadelinha estar ali, sem se mover.

Tememos que não fosse apenas medo, mas que estivesse doente, ou morrendo.

Não era morte, mas vida que havia ali. Bem debaixo do tanque, num lugar molhado, sem nada que lhes servisse de cama, alguns lobinhos que, pelo tamanho, haviam acabado de nascer.

A mãezinha já é velhinha, com alguns sinais de catarata nos olhos. O Espero seguramente foi o único sobrevivente de uma ninhada anterior.

A mãe, Belinha, era a mais triste cadelinha daquele lugar. Sabia que estava ali apenas pra assistir a morde de seus filhos, que nasceram condenados. Eles não teriam nenhuma chance de sobreviverem naquele ambiente.

Se ainda estavam vivos, era porque haviam acabado de nascer.

Quatro lobinhos, bem misturadinhos. O tempo dirá se ficarão peludinhos como o Espeto ou se seguirão a linhagem do pai.

Em volta deles, havia um saco plástico rasgado, o que parecia ser uma tentativa da mãe de preparar um ninho.

Notamos também algo muito triste. Além destes que acabaram de nascer, não vimos nenhum filhote com menos de 3 ou 4 meses, e algumas fêmeas com as tetinhas ainda cheias.

As mães lactantes e a ausência de filhos em idade de amamentação era um sinal bem claro de que os filhos da Belinha não tinham chance. Muitos outros ficaram pelo caminho.

Julinha era uma das mãezinhas sem filhotes. Ela me seguiu, foi até o tanque onde estava a Belinha e se posicionou ali, do outro lado.

Puxava minha mão com as patinhas, como se pedisse carinho, ou tentasse dizer algo.

E a mensagem era clara demais: _ Meus filhos morreram e meu leite está todo aqui. Minhas tetinhas doem. Eu queria um filhote daqueles. Eu posso ajudar a Belinha a amamentar.

Desculpe, Julinha. Não temos como levar todos vocês. A prioridade agora é da Belinha. Ela terá que partir, junto com os filhotes, para que eles tenham uma chance de vida.

Nem você e nem o Espeto poderão ir, pois não temos onde colocá-los. Prometo contar sua história e, quem sabe, encontramos filhotes órfãos necessitados de seu afeto?

Os filhotes da Belinha foram colocados em uma caixa de papelão, forrada com uma toalha limpinha.

Eles foram os primeiros a ganhar uma nova tutora. Foram acomodados no porta-malas do carro de sua salvadora e dali partiram para uma nova vida.

Em breve estarão todos para adoção. A mãe terá uma parada obrigatória em um Pet Shop, pra retirar aquele excesso de pelo sujo e embolado, que já lhe causava assaduras.

O Espeto, infelizmente, teve que continuar lá, esperando por uma adoção.

Entre os velhinhos, conhecemos também o Túlio, um Basset de focinho branco pela idade, e com um tumor enorme em um dos dedos. Ele precisará de cirurgia urgente, mas neste primeiro momento, não tínhamos como resgatar.

O mais urgente neste momento será reduzir os números, e faremos isso com a doação dos filhotes. Só depois poderemos focar nos adultos e velhinhos.

O objetivo desta matéria é convocar pessoas dispostas a ajudar. Todos eles precisam de resgate, mas sem união, não conseguiremos nada.

Outro velhinho que nos entristeceu foi a Suzi. Ela não deixou o canil um só momento. Ficou todo o tempo encolhida nos fundos.

Apesar disso, aceitou nossa aproximação e recebeu com satisfação os primeiros afagos. Não sabemos as razões de tanta tristeza, mas talvez seja a mesma de todos os outros. A orfandade dói.

Os filhotes são prioridade neste primeiro impacto. Eles são os mais debilitados, os mais necessitados e que estão em maior número. Além do mais, são também os mais fáceis de serem doados.

Com eles, conseguiremos reduzir os números e tornar aquele ambiente um pouco mais habitável. A castração dos adultos também é medida urgente.

Apesar dos rosnados, notamos entre os adultos muitos e muitos olhares tristes. Não eram só os filhotes que choravam. Ali, todos são órfãos.

Eles precisam de adotantes, de resgate, de castração, de vacinas, de ração, de tratamento médico, de afeto e de novos donos.

A vida precisa seguir. Eles precisam recomeçar e, na medida do possível, esquecer o passado. Um dia, reencontrarão sua mãe, do outro lado do arco-íris.

E esperamos que eles possam contar a ela: _Mãe. Depois que você partiu, nós sentimos muito, mas a vida nos trouxe novos amigos e fomos muito felizes.

Contato para adoção: Anna Paola: (31) 9 9926.3999.

Crispim: (31) 3477.7602.

Frederico: (31) 9 8590.4778.

E-mail: crispim@oloboalfa.com.br / apaola.moura@oloboalfa.com.br

ATENÇÃO: Precisamos de madrinhas e padrinhos, para compra de vermífugos, vacinas, para custear castrações, remédios, transportes, etc.

Dependemos também de ajuda de veterinários para mutirões de vacinação, vermifugação e castração, assim como para atender ao cãozinho com tumor no dedo.

ATUALIZANDO – 08/12/2017

O nosso mutirão de vacinação aconteceu na sexta-feira, dia 08 de dezembro.

Todos foram vermifugados e os filhotes receberam a primeira dose da vacina Puppy. São eles:

Os meninos:

As meninas.