Não há nada mais triste que os olhares daqueles que sabem ter sido abandonados.

Sabem que foram traídos, que ninguém os quer, que serão prisioneiros pra sempre e que o pra sempre está logo ali.

Centros de Controle de Zoonoses não são órgãos de proteção e não têm estrutura para abrigar os milhares de animais que a sociedade humana rejeita.

A vida ali é dura, triste e curta.

Se é verdade que homens que convivem com lobos são diferenciados em termos de capacidade de amar, é certo também afirmar que, se cada um desses rejeitados estivesse no seio de uma família, teríamos um mundo melhor, mais afetuoso, menos violento, mais tolerante, menos estressado e até mais saudável.

Por sorte, alguns funcionários costumam fazer um pouco mais do que a função exige.

Usando suas próprias redes sociais, tentam divulgar e dar uma chance de adoção para os lobos que ninguém quer.

E dessa vez, uma matilha inteira de raposinhas. Mais de 40 cães, todos de tufinhos dourados, tamanho pequeno, prontos pra se renderem a um colo.

Eles foram apreendidos por ordem judicial, retirados de um irresponsável, que permitiu que se reproduzissem de forma descontrolada, até chegar ao estremo de mantê-los em situação de maus-tratos.

Dos mais de 40, mais de 10 são filhotes, de recém-nascidos até 3 meses de vida. E nada pode ser mais urgente que conseguir novos lares para estes filhotes, antes que eles cresçam.

Sem desmerecer o esforço dos funcionários que estão cuidando deles, a verdade é que, se não forem adotados de imediato, poucos crescerão. A vida ali não costuma durar muito. A causa das mortes, na maioria das vezes, é a tristeza. E contra ela, o único remédio é a adoção.

Os filhotes aqui divulgados são todos machos, com idade em torno de 3 meses, todos caramelizados com tufos macios.

São lobinhos de colo, pra dividir a cama e até o coxo com os donos. São de porte pequeno, já que as mães, que foram resgatadas junto com eles e também esperam por adoção, não pesam mais que 5 ou 6 quilos.

Infelizmente, não temos filhotes arteiros e felizes pra mostrar. Pelo contrário, estão destruídos, tristes, assustados.

Os rabinhos entre as pernas indicam que nunca tiveram colo, não sabem o que é afeto e não esperam nada de bom de mãos humanas.

Claro que isso pode mudar. Eles são páginas em branco, prontas pra receberem uma história. Só precisam de afeto, carinho e segurança. E isso vale também para os adultos.

É urgente a adoção. Eles não podem crescer ali. Os canis são coletivos e, a cada cãozinho que sucumbe à dor do abandono, os que ficam se entristecem ainda mais, vivendo o luto, como se estivessem em uma roleta russa, com medo de serem os próximos.

Foram horas tentando tirar deles as melhores imagens, capazes de sensibilizar e despertar interesse.

Contudo, não conseguimos um único sorriso, um único rabinho abanando. Só há tristeza e medo naqueles olhares.

Eles não têm nomes. Ao chegarem ao CCZ, receberam números. Cada um deles é especial e precisa muito encontrar uma família.

E aqueles que estão cuidando deles não se conformarão com estatísticas. Nenhum deixará de ser fotografado e mostrado à sociedade.

A culpa por terem nascido e vivido em situação de maus-tratos é de um tutor irresponsável e cruel, mas a culpa por não conseguirem uma família e morrerem em uma jaula é de uma sociedade inteira.

Dentre as mães, três chegaram primeiro, já foram castradas e já podem também seguir novos caminhos.

São cisquinhas de aproximadamente 6 quilos, do tamanho de um Poodle pequeno.

Se os filhotes são páginas em branco, as mães estão recheadas de mal traçadas linhas. Elas trazem uma vida de abandono, aquele mesmo abandono que acontece por detrás dos muros e que ninguém vê.

O caso mais grave era dessa cadelinha triste que, pelo menos aqui, será chamada de Kika.

Durante a primeira vistoria ocorrida logo após a denúncia e a ordem judicial para intervenção, ela foi vista em um canto, com uma das pernas com os ossos expostos, já em grau avançado de infecção.

O ferimento havia sido causado por uma briga. E claro que aquela cena fazia parte da paisagem. Nenhuma providência foi tomada, nenhum socorro foi dado, nenhum médico foi chamado.

Estava evidente que ela foi atacada por vários cães, que em ambientes de extremo estresse, fazem a seleção natural de forma selvagem.

Sua perna não pôde ser salva. Não se sabe por quantos dias ela conviveu com aquela dor.

Todo o que se espera agora é que ela tenha um novo começo, com gente capaz de fazê-la esquecer essa triste história. As marcas vão durar pra sempre. A castração será nos próximos dias, depois de se recuperar da cirurgia de amputação.

Chimbica e Carrapicha vieram com ela, foram castradas e esperam por adoção.

As tetinhas ainda inchadas sugerem que elas são as mães dos meninos que mostramos acima. São duas cisquinhas de colo, prontas pra se renderem.

Claro que estão assustadas demais e tremem de medo de qualquer tentativa de manejo. Elas ainda não sabem o que é colo e carinho, mas vão aprender.

Como ainda não podemos organizar eventos públicos de adoção, para evitar aglomerações, a feira de adoções será virtual e vai durar o tempo necessário, até que o último lobinho seja adotado.

Abaixo, mais uma galeria de fotos dos filhotes.

ATUALIZANDO

A adoção não veio, eles adoeceram e a maior parte dos filhotes mostrados acima não chegaram a ficar adultos. A maioria morreu.

Os que sobraram, e alguns dos adultos retirados do mesmo inferno, continuam à espera de adoção. Três meses se passaram e aqueles filhotes já estão crescidos, mas continuam filhotes. Perderam a infância, mas ainda podem ser salvos.

Que venham as adoções que eles tanto precisam.

Contato para adoção: (31) 3277.7411 / 3277.7413 / 3277.7414.

WhatsApp: (31)  9 9668.9981.

E-mail: cczsmsa@pbh.gov.br

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