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Era uma vez cinco amigos. Reizinho e Perninha eram os canários. Pinguim, um coleirinho conhecido como gravatinha e um papa-capim chamado Lourenço.

O quinto amigo era o Sr. Fábio, que os tinha sob suas asas.

Nos últimos tempos, talvez tocado por um apelo silencioso que vem provocando mudanças mundo afora, Sr. Fábio mostrava-se incomodado com aqueles passarinhos engaiolados. Chegou a relatar a um de seus filhos que não achava justo aquilo, mas que não tinha coragem de soltá-los, porque acreditava que não sobreviveriam livres, depois de tantos anos presos.

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Acreditava que talvez precisasse se conformar e assistir a partida de cada um deles.

Mas quis a vida inverter a ordem natural das coisas e o Sr. Fábio partiu primeiro. Foi aí que seu filho, parceiro do nosso Projeto, para cumprir a vontade manifestada do pai, decidiu nos pedir ajuda para libertar seus irmãozinhos de penas.

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E assim eles chegaram. As quatro gaiolas foram posicionadas uma ao lado da outra, com as portas abertas. Momentos assim são tensos.

Havíamos recebido há pouco um passarinho para reintrodução que não sabia voar. O João, um sabiá da laranjeira, ainda estava ali no viveiro, aproveitando o pouco de liberdade que poderia ter.

Mas também assistimos o Francisco, o curió, que também chegou aqui sem saber voar e que, em 15 dias, já era o mais destemido dentre todos os curiós daquele território.

Restava torcer para que os quatro novos moradores seguissem os passos do Francisco.

E para a nossa grata surpresa, cada um deles deixou a gaiola usando as asas. Os primeiros voos eram ainda tímidos e sem muita coordenação, mas era possível saber que pra eles a liberdade chegou a tempo.

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Pinguim e Lourenço empoleiraram-se na amoreira e ali ficaram, ensaiando alguns piados discretos.

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O canto mesmo só ouvimos depois de uma semana.

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Lourenço era um papa-capim cheio de vida. Não era jovem, mas foi o primeiro a deixar a gaiola e, de todos, foi o que se mostrou mais esperto.

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Pinguim, o coleirinho, trazia as marcas do tempo. Muitas peninhas brancas que só eram notadas com a ampliação das fotos.

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Reizinho e Perninha também estavam prontos.

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O Reizinho fará jus ao nome. Há um reino inteiro a ser conquistado, embora tenha que disputa-lo com muitos outros.

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O Perninha apresentava um leve defeito em uma de suas pernas. Na verdade, o defeito não parecia ser tão leve quando ele vivia na gaiola, mas uma semana depois de sua chegada ao santuário, nós já tínhamos dificuldade de distinguir os dois canários.

Ele voava, pousava nos galhos e se equilibrava com tanta firmeza que seu defeito nem sequer era notado.

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A interação com pássaros de outras espécies começou ali mesmo, dentro do viveiro.

Florisbela, a rolinha que quase virou presa, o João, o sabiá da laranjeira e dois trinca-ferros, retardatários da última soltura, que precisamos isolar e tratar ferimentos, por causa de brigas com outro de sua espécie.

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A interação com os nativos também começou, ali mesmo durante a aclimatação. Os externos aproximavam-se das telas, como se quisessem saudar os novos moradores.

Sabemos que poderá rolar uma briga pelo território mas, em liberdade, as brigas não são comuns e nem provocam feridas.

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Depois de algumas poucas semanas, estavam todos prontos. E a liberdade chegou, como esperávamos. Deixaram o viveiro naturalmente, sem sustos e sobressaltos.

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Integraram-se aos que ali já estavam, muitos nativos e outros tantos reintroduzidos.

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Não sabemos se voltaremos a vê-los. Na verdade, não será fácil identifica-los entre tantos. Talvez consigamos reconhecer o Perninha, mas isso já não importa.

A profecia se cumpriu. A soltura foi acompanhada, dos dois planos.

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Atenção. Não recebemos animais silvestres. Só o IBAMA tem essa prerrogativa, através do CETAS – Centro de Triagem de Animais Silvestres.