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Esta cadelinha é, ou melhor, era a Paty. Estava saudável e era ainda jovem. Parece ser uma mistura de Poodle com Shih-tzu. Teria tudo pra ter uma fila de pretendentes para adoção.

Mas o caso dela era especial. Tínhamos a certeza de que ela nasceu pra dividir espaço com humanos, talvez até a cama. Deveria ter crescido no colo.

Mesmo sem conhecer seu passado, o comportamento presente nos dava uma clara ideia do inferno que foi a vida dela.

Ela estava em um abrigo de animais, dividindo um canil com outros 3 ou 4 cães. Seria esperado que ela se jogasse no colo de qualquer visitante ou funcionário que entrasse no canil.

Entretanto, diante da aproximação das pessoas, ela se refugiava nos fundos do canil, como se tivesse a certeza de que seria agredida e espancada.

Era brava, não aceitava aproximação, latia e rosnava, como se dissesse: _Não gosto de gente. Vai embora.

Casos assim não são raros. Mas acreditávamos que, com paciência, dedicação e tempo, sua história poderia ser mudada. Com carência de funcionários e muito trabalho, não era possível destacar uma pessoa para cuidar individualmente de um caso.

Sua única chance seria uma adoção especial. Precisava encontrar alguém que tivesse experiência com animais resgatados. Seria possível mudar esse destino, mas ela precisaria de um salvador.

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Eis que, dentre as inúmeras pessoas que leram o anúncio e se comoveram, alguém decidiu fazer um pouco mais que apenas se emocionar.

Linda decidiu intervir, adotando-a no dia seguinte. Se apressou a ir ao abrigo buscá-la. Talvez a tenha reconhecido pelas fotos. Quem pode saber o que já vivemos e quantos reencontros a vida pode ainda nos proporcionar?

O fato é que, quando soltamos o anúncio, acreditávamos que ela precisava apenas de carinho, paciência e tempo. Mas estávamos errados. Na verdade, ela só precisava de carinho. Nem paciência, nem tempo foram gastos com a Paty, ou melhor, com a Pérola, nome que recebeu após a adoção, e que ela já reconhece como seu. O passado não existe mais.

No mesmo dia em que chegou em casa, a transformação começou a acontecer. Mas nada pode ser mais emocionante, para contar este final feliz, que transcrever a primeira mensagem que recebemos da Linda.

Querido Lobo. Realmente não existem casos impossíveis e nada é o que parece ser. No carro, de volta para a casa que deveria ter sido sempre a dela, ficou na janela, como se já tivesse andado de carro.

Paty, hoje Pérola, atende pelo seu novo nome, sabe que é amada e já pede carinho. Ontem, pediu colo e pão, que eu estava comendo.

Hoje, virou a barriguinha, o que me surpreendeu, pois fez chorinho imitando a Jade. Ontem dormiu tarde, se aninhou na sua caminha e adorou ser coberta. Quis ficar no meu quarto e ficou quietinha. Abria os olhinhos pra me ver.

Acordou feliz e pediu carinho. Agora está junto com a Jade, aqui comigo. Sou Kardecista e acredito que eles estão em um processo de evolução como nós. A história da Boneca, do Chico, deu-nos forças quando perdemos a Pepsi, resgatada das ruas pelo meu irmão e muito amada.

Graças ao seu trabalho você fez uma matilha feliz.

Sempre amigos, bjssss…de Pérola, Jade e eu. Daremos notícias.

Abaixo, fotos de como está a Pérola, virando a barriguinha pra ganhar carinho. Quem entende de lobos, sabe o que é esse comportamento. Entre os selvagens, é o sinal mais claro de submissão. É a postura típica do lobo ômega. Entretanto, entre os lobinhos em avançado processo de humanização, o significado é outro: __Confio e amo vocês.

 

A você Linda, entendemos bem suas palavras. Já experimentamos alguns reencontros e nada pode ser mais emocionante. Obrigado por esta acolhida.

A história da Pérola ficará registrada em nosso site, como uma mensagem que precisa chegar ao maior número possível de pessoas. Que vocês duas sejam exemplo a ser seguido. Que vários outros lobinhos na mesma situação tenham uma chance de vida.

Há de vir o dia em que todos os humanos sobre a terra serão protetores de animais.

Em dezembro de 2012, estas foram as fotos enviadas para a Cão Viver, com os votos de Boas Festas da Pérola. Este será o primeiro Natal dela, na nova vida. Foi adotada em abril de 2012.