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Todos aqueles que amam animais têm o direito de humanizá-los e de entender como convém, os seus sinais.

A ela foi dado o nome de Pimenta, embora Mel lhe caísse melhor, pelo menos em temperamento.

Pra quem visita o abrigo, ao chegar no canil onde ela está, depara-se com uma cena não muito diferente do habitual (isso porque sempre tem um cãozinho especial por lá). Enquanto todos os outros fazem festa, correm, latem, pulam e pedem atenção, a pequena Pimenta dirige-se para o portão do canil, fitando o visitante, como se o chamasse pra sair. Não é uma cena rara de se ver em um abrigo.

Com a Pimenta, tem sido assim, sistematicamente. Ela pode estar apenas pedindo pra dar umas voltinhas no pátio, mas pode estar pedindo pra ser adotada, pra ser levada embora.

Embora histórias assim não sejam raras, sempre nos sensibilizam. Reconhecemos logo um lobinho especial, embora não nos demos o direito de eleger aqueles que devam ter mais sorte.

O fato é que, há algumas semanas, a Cão Viver recebeu a visita da Elisa Barros, que decidiu doar um pouco de seu tempo e talento pra fotografar os animais e preparar pra eles um Book fotográfico que mostrasse o que os protetores já sabem. Um livro que tinha como objetivo melhorar as chances de adoção de todos eles, sem distinção.

E, para que o trabalho ficasse de fato bom, os animais precisavam ser retirados do canil. Um a um, eles deveriam ser isolados dos demais, para que fossem melhor posicionados para as fotos.

Eis que o inusitado acontece.

A Pimenta de fato tem o hábito de pedir pra sair. Uma vez conduzida pra fora do canil, era de se esperar agitação, correria e alegria.

Naquele momento, algo fora do habitual estava acontecendo. Era de se esperar que ela estranhasse, ou que “pensasse” que havia chegado a sua hora, que a adoção finalmente havia chegado pra ela.

Mas aí, no lugar de correria e agitação, ela respirou fundo, se acalmou e elevou o olhar para o alto, como se agradecesse aquele momento.

Foi este o momento captado pelas lentes da Elisa.

Nem precisamos relatar o que deve ter sido a decepção e a angústia, quando foi conduzida de volta ao canil.

Resta-nos contemplar a foto que marcou aquele momento e torcer pra que o dia dela não demore. É o tipo da lobinha que não terá vida longa, se continuar no abrigo. É uma candidata a morrer de tristeza.

Só pra dar a real dimensão do problema, ela chegou na Cão Viver ainda filhote, com aproximadamente 1 ano de vida. Há 7 (SETE) anos ela espera por uma adoção que nunca veio. Não podemos nos conformar com um destino desse. Se o mundo está mesmo mudando, a hora de mostrar é agora. As fotos abaixo foram tiradas no dia 13/08/2012. Ela continua à espera de alguém especial.

Pimenta

Lé com lé, cré com cré. A Pimenta era uma cadelinha única. Pra ela, somente donos únicos. Tínhamos a convicção de que seus donos ideais existiam. Eles estavam em algum lugar. Talvez, do outro lado do mundo, talvez bem ao lado.

Por sorte, a internet e a globalização têm facilitado muito os encontros. A adoção da Pimenta aconteceu. Mais uma vez, um caso daqueles em que temos a convicção de que não foi obra do acaso. Existem protetores agindo em outro plano, fazendo com que os anúncios cheguem onde precisam chegar.

Mas, pra contar esta história, transcreveremos o relato da Tatiana, da Cão Viver, e o depoimento da Juliana, contando como tudo aconteceu.

Relato da Tatiana (Cão Viver)

Na semana passada, recebemos e-mail da Paula e da sua irmã Juliana que estavam interessadas na Pimenta. Como Juliana mora em uma cidade próxima, Itaguara, Paula e seu esposo foram até a Cão Viver conhecer a Pimenta, que já foi recebendo os dois com rosnadinhas, o que é bem típico.

Afinal, ela nunca saiu do abrigo para nada e tinha pouco contato com estranhos.
Explicamos o temperamento da Pimenta e que precisava primeiramente ser conquistada. Os dois falaram com ela: Pimenta, não vamos desistir de você.

Eles deram uma saída e voltaram mais tarde com petiscos. Petiscos? Isso é a cara da Pimenta que está em regime para emagrecer.

Bem, naquele sábado, a Pimenta ainda estava um pouco arredia, mas aos poucos se mostrava mais sociável, cavando um buraco debaixo do banco que Paula estava sentada. Ensaiou uma deitada para receber carinho na barriga e algo já estava nascendo entre o casal e Pimenta.

Paula ligou para a irmã e falou que precisava dela vir até Belo Horizonte para conhecer a peluda, e ontem, ela veio e ficamos pasmos com a recepção da Pimenta. Ela rosnou para a Juliana, ameaçou morder mas não apertou os dentes.

Ali selaram a amizade. Aos poucos elas foram se embolando com petiscos e lá estava Pimenta de barriga para cima e lambendo o rosto da Juliana.

As fotos mostram a realidade do amor que as duas já sentem uma pela outra. Agradecemos de coração a Paula, seu esposo, por terem sido ponte dessa adoção, e à Juliana, pela maravilhosa acolhida dessa senhorinha na família.

Depoimento da Juliana.

Muito fácil… Se apaixonar por ela!

Foi coisa do destino. Para quem acredita, é uma confirmação, para quem não acredita, é bom repensar seus conceitos.

Uma amiga me mandou um post via facebook. Li a história da Pimentinha no site da ONG.

Confesso, chorei demais. Choro ao ver um cão maltratado na rua; senti demais me colocando no lugar dela a espera de um lar, por tanto tempo.

Decidi que iria trazê-la pra casa! Tenho mais 5 adotados aqui e como tenho bastante espaço, senti que era a mim que ela esperava.

O olhar distante dela me trouxe para perto. Sentia desesperança através deles. Isso doeu.

Então começou a corrida para buscar a Pimenta.

Moro em outra cidade, por aqui existem vários cãezinhos para serem adotados, mas tinha que ser ela.

Minha irmã foi até a Cão Viver e ficou lá aproximadamente 1:30h para socializar-se com ela.

A experiência não foi tão positiva quanto fantasiava.

Exatamente como descrevia o texto, ela não era do tipo que fazia festa e ainda não gostava que forçassem contato.

Ao invés de me desanimar, fiquei mais convicta de que ela estava predestinada a vir morar comigo.

Uma de minhas outras adotadas é bem temperamental com estranhos, mas com a gente é extremamente carinhosa. Até demais.

Sou muito paciente e sei respeitar o espaço e tempo de cada um. Até porque é isso que é legal, cada um com seu temperamento, suas manias, etc.

É isso que faz cada um de nós ser especial. Então, minha irmã foi embora e ficou de ligar se íamos lá ou não. Isso foi num sábado (dia 08/12 – feriado).

Eu até acho que as meninas da ONG não acreditaram que iríamos voltar para levá-la já que a “Pipita” não agiu (com minha irmã) da forma esperada pela maioria das pessoas que procuram a instituição para levar um amiguinho pra casa. Minha irmã, quando me ligou, ficou receosa de que eu me decepcionasse, já que estava tão convicta de que a Pimenta viria pra casa comigo.

Ao perguntar como havia sido o encontro ela me disse que seria melhor que eu fosse até lá para ver se, comigo, ela seria mais receptiva. Não senti firmeza em sua voz. O que me deu uma angústia tremenda já que estava decidida a adotá-la, mas tinha que levar em consideração minha família, meus outros cachorros.

Enfim. Estava disposta a dar o tempo que ela precisasse para se adaptar mas se ela fosse realmente nervosa, como eu faria com os outros? Mas eu queria dar a ela esta chance de ser feliz, de ter um lar de verdade, uma família.

Então, sábado seguinte fui até lá com minha irmã e cunhado. Confesso que acabei chorando na entrada (tá, tá… já sei: sou uma manteiga derretida.

Todo mundo me fala isso.). Estava muito ansiosa e nervosa pela possibilidade de não dar certo, desse sentimento não ser recíproco.

Quando a vi foi uma coisa incrível. Abaixei-me à sua altura e estiquei o braço dando as costas da mão para ela cheirar. Mesmo o pessoal me falando que iam abrir a porta do canil para ela sair, que ela não viria por livre e espontânea vontade, o inesperado aconteceu.

Ela veio andando na minha direção, olhando nos meus olhos. Encarando-me mesmo. Foi amor à primeira vista. Lógico que ela não fez festa ou algo do tipo, mas os olhos dela falaram algo que palavras não são capazes de expressar. Já fora do canil, ficamos juntas por umas 3:30h.

Alívio total. Ela quis vir comigo. Ela veio no meu colo dentro do carro durante a viagem de 1h até minha cidade.

Viemos conversando numa linguagem silenciosa de afagos e carinhos, onde a cada minuto ela ia baixando a guarda e eu ia ganhando sua confiança.

A Pimenta que chegou aqui não é nem de longe a Pimenta que saiu de Contagem.

Chegou em casa comigo e fui apresentando, um a um, seus novos amigos.

Deu-se bem com todos, até com a tal temperamental que tenho.

Mas ela não desgrudava de mim um minuto sequer. Então andei com ela por toda a área de 1200m2, que agora ela tem para viver, correr e brincar com os outros.

Ficou solta com a galera o dia inteiro, só dormiu separada na primeira noite, pois estava muito agitada e precisava descansar.

Foi um dia cheio. Claro, tudo era novo pra ela. Ela só conhecia o canil, onde passou toda sua vida.

Ela precisava de tempo para se adaptar. E ela determinou seu tempo. Já no segundo dia, dei um banho completo, com direito a muita espuma e massagem pra relaxar. Ela adorou o banho.

Assim que terminou, soltei-a da coleira e ela correu de um lado para o outro; toda molhada e descabelada com meio metro de língua pra fora.

Hilário. Desse jeito rapidinho ela entra em forma.

Quando li no texto que seu nome era Pimenta mas poderia ser mel, achei que era “jogada de marketing”, mas quem escreveu o texto sabia exatamente o que estava dizendo.

Assim é a Pimenta: uma cachorrinha de personalidade forte (verdade), mas que é muito carinhosa, carente e independente.

Espero, de coração, dar a ela a melhor vida que ela possa ter.

E quero aproveitar a oportunidade para agradecer a todos que participaram direta ou indiretamente, a oportunidade de ter conhecido a Pimenta e poder aumentar nossa família, pois é isso que nós somos.

Eu, meu marido, meu filhinho de 1 ano e meus 6 cachorros.

Obrigada Regina (post facebook), minha irmã e cunhado (que me ajudaram a busca-la e se empenharam para que a adoção desse certo), à Luiza (que me passou várias informações por telefone), às meninas da ONG (que nos receberam muito bem e foram bem sinceras em tudo que disseram. Em especial à Tati), a meu marido que me apoiou na decisão de adotar mais um “bebê”.

Sobretudo quero parabenizar a CÃO VIVER pelo carinho com que cuida de todos os bichinhos de lá. É fantástico, para quem ama cachorros, saber que existe um lugar assim.

Me surpreendi ao encontrar um lugar tão lindo, limpo, organizado e com pessoas que verdadeiramente AMAM os animais e não estão ali pelo emprego em si. Eu sempre ouvi dizer que esses canis eram lugares que exalavam tristeza e abandono, mas lá vi exatamente o oposto: vi muito carinho, dedicação, alto-astral. Um lugar excepcional que todos deveriam conhecer e ajudar. Mesmo não sendo com adoção, com doações ou o que puder. Vale a pena.

Ps: me diverti muito vendo as meninas correndo atrás dos cachorros quando era hora de voltar pros canis, depois da brincadeira diária no pátio.

Eles deram um chá-de-cansaço nelas. kkkkkk

Novamente quero enfatizar o meu MUITO OBRIGADA por mediarem meu encontro predestinado com a Pimenta. E prometo fazê-la muito feliz.

Pimenta adotada 3

E seguem novas e mais recentes fotos.