Por muito tempo não fui nada nem ninguém, na verdade não me lembro se algum dia tive casa ou família. Nem lembro quando nasci, como sobrevivi. Lembro que eu parecia invisível a todos. Eu era só mais um gatinho em um local abandonado onde me era permitido ficar. Ali eu achava que era minha casa, mas não tinha ninguém pra me cuidar. Comida? Restos de feijão azedo e qualquer outra sobra era jogado no chão, na terra, e eu e outros gatinhos, corríamos para comer estas migalhas.

Carinho? Afago? Uma palavra? Nunca tive e nem sabia que existia. Não conhecia o ser humano bom. Vivia acuado e com medo. Saia nas redondezas à noite quando tudo silenciava, e nestas ocasiões conseguia virar um lixo e comer algo mais, assim ninguém me escorraçava. De dia eu me escondia.

Eu tinha muito medo, pessoas vinham e nos judiavam… nem vou contar o que acontecia pra não deixar vocês tristes. Um dia uma humana chegou e trouxe outra humana. E mais outra. Senti que elas eram boas, diferente dos outros humanos. Colocavam comida e água e eu sentia que elas gostavam da gente. Até queria chegar mais perto, mas eu tinha muito medo. Então elas foram pegando vários manos, alguns adultos outros filhotes. Quase todos muito ariscos e umas feras.

Todos foram pegos numa caixa esquisita, que elas chamavam de arapuca. Eu fui um dos últimos… eu tinha muito medo, mas também tinha muita fome e lá dentro tinha uma coisa muito gostosa e eu entrei. Quando entrei ela fechou e eu me apavorei. Me joguei muito naquela caixa, quase a destruí. Eu tinha muito, mas muito medo. Eu fazia muito fuê e até rosnava de tão brabo, ou melhor, de tanto pavor. Achei que se parecesse uma fera elas ficariam com medo e me soltariam. Mas elas não me soltaram.

Então, a partir daquele dia começou uma nova etapa na minha vida.

Dali fui para uma tal de clínica onde fui castrado. Foi muito estressante, pois eu era muito brabo (mas era medo) a ponto de ser chamado Feral, e este foi meu nome por muito tempo. Minha dinda Cris sabia que era puro medo, mas isso não impedia de eu ser muito, mas muito furioso como forma de defesa. Ninguém quis me adotar e me dar um Lar, pois as pessoas tinham medo de mim. Ninguém quis ter paciência e tempo para me ensinar que existem humanos bons, confiáveis e que existe amor e carinho. E eu seguia cada dia mais acuado e com mais medo. Depois fui para uma clínica/pet onde fiquei numa gaiola aguardando um lar por umas semanas.

Fiquei isolado nos fundos deste local…quem iria me querer? Mas minha dinda não tinha onde me colocar. Fui testado e minha saúde por incrível que pareça é ótima. Negativo para um tal de Fiv e Felv. Dali fui para um gatil grande e com vários manos felinos. Local bonito demais, mas eu me isolava no alto e continuava com muito medo do bicho “homem ou mulher”. Passei ali alguns anos, creio que uns 3 anos. E continuava feral.

A tia Cris sabia que se alguém com amor e paciência soubesse respeitar meu tempo, que me desse esse tempo sem esperar nada em troca, eu me renderia. Mas eu sei que ela tentou muito encontrar uma família e um lar que me permitisse isso, sem sucesso. Daí uma tal de tia Eugênia disse que quando pudesse e tivesse uma vaga num tal de gatil, ela tentaria mudar a minha realidade e tentaria me fazer ver que existem pessoas boas , que amam gatinhos. Mas esse dia não chegava nunca. Passou mais de um ano e eu e a tia Cris esperando aquela vaga. Um dia tia Eugênia liga para tia Cris e diz: Pode trazer o moço. Esse dia foi maravilhoso, ali minha vida começou a mudar novamente.

Cheguei na casa da tia Eugênia e fui para um local bem menor, bem pequeno do que eu estava acostumado. Proposital. Uma peça. Com tudo do bom e do melhor para mim. Uma cama quente e gostosa, com cobertor bem cheiroso e limpinho, bem fofinha, pratinhos de vários papás gostosos, brinquedos que eu nem sabia que existiam…

Na verdade eu nem sabia pra que eram aquelas coisas esquisitas. Tudo teladinho e bem fechado à prova de fuga. E bem que tentei fugir. Naquele dia fui batizado e ganhei um nome, forte como eu: GREGÓRIO, ou GREG para os íntimos. Passei escondido no fundo da minha toca por muito tempo. Mais de 30 dias sem sair quando tia Eugênia estava perto. A noite quando tudo silenciava eu saia, comia e bebia e fazia minhas cacas na caixa de areia. Mas muito rápido, pois eu tinha medo que algum humano aparecesse. Tia Cris e tia Eugênia mandaram fazer homeopatia e floral para ajudar os meus traumas passados. Eu tomava no sache, e nem desconfiava. Tia Eugênia todos os dias vinha e falava bem baixinho, conversava comigo e as vezes cantava enquanto limpava o meu gatil e dos outros gatinhos que estão aqui para adoção. Limpava tudo e eu furioso e fazia muito barraco se ela ousasse se aproximar de mim. Com o tempo fui vendo que ela era muito querida e que queria só o meu bem…

Comecei a sair e a esperar por ela. Em cima da porta no início… sempre longe dela. Depois fui descendo e esperando no chão, a uma distância segura para mim… e fomos nos conhecendo. Eu via que os outros gatinhos se esfregavam, brincavam com ela. E estavam felizes.

Passaram 90 dias e um dia eu estava bem distraído comendo frango e sache e senti algo em minhas costas… ahhhh como foi bom! Foi a primeira vez na minha vidinha que senti aquilo. Era um carinho bem gostoso. Tia Eugênia passava a mão por todas as minhas costas e me afofava muito e eu gostava… e continuava a comer. Mas logo em seguida já olhava para ela e fazia um fuu comprido e já corria para minha toca. Afinal ali eu estava seguro. Os dias foram passando e eu esperava aquele carinho todos os dias e os fuus foram diminuindo. Adorava quando a tia entrava e já miava bem baixinho e bem curtinho, dando bom dia para minha amada tia Eugênia.

Hoje ela já me deixa sair do gatil e passear pelo local. Tudo telado. Ela entra, limpa tudo e eu estou caminhando ali fora. Quando ela me chama eu volto correndo e espero bem na porta da minha suíte, e ali eu sei que ela vai colocar aquele prato com papá bem gostoso e sei que ali, naquele momento, são os momentos mais deliciosos e importantes da minha vida. Eu sou AMADO E GANHO MUITO CARINHO. Eu ainda não sei dar carinho de volta… mas já aceito, mio baixinho, amasso pãozinho… a tia já pode retirar meu prato vazio e eu deixo, amo aquelas mãos carinhosas e a voz gostosa dela.

Ela me contou que se eu continuar querido assim eu vou ganhar uma mamãe e quem sabe um papai. Uma família e um lar. Eu gosto de outros felinos e sempre me dei bem com eles. Tia Eugênia tem mais hospedes felinos, e eu vou até a suíte deles e me esfrego na tela e batemos longos papos. Gosto desta socialização.

Adoro ficar aqui, mas sei que é temporário para que outros gatinhos como eu possam ser salvos. Eu quero muito ter uma família, poder deitar num sofá gostoso, ao lado de humanos bons. Hoje eu sei que isso é possível. Eu sei que o papai do céu vai me dar uma família muito amorosa. Esta família terá que saber que eu vou ficar assustado no inicio. Que ficarei escondido. Que terei que aprender mais uma vez a conhecer todos e confiar. Que terão que me dar este tempo que creio que será bem menor do que tive com tia Eugênia, pois hoje eu sei existem humanos bons. Faz 7 meses que estou com tia Eugênia e agora chegou a hora de eu partir, deixar este local abençoado que me resgatou para a vida

Será que terei a sorte e a benção de um lar e de uma família? 

Não sei. Depende de você que está lendo minha história me ajudar a ter um final feliz. 

Estou sem pulgas, com remedinho na nuca, desverminado, castrado e testado 2x e negativo para Fiv e Felv. Sou muito lindo e minha tia Eugênia diz que tenho cara de coelho. Sou delicado, mio bem baixinho e bem curtinho.

Sou limpinho e aprendi a brincar. Adoro meu ursinho também. A tia Eugênia disse que eu vou leva-lo para meu novo lar e assim eu sempre terei um pedacinho dela comigo.

Serei doado somente para lares com redes nas janelas.

Contato: Tia Eugênia: (51) 9 9171.2397. / Tia Cris: (51) 9 8100.3880.

E-mail: sosbichinhos.mariaeugenia@gmail.com

Número do anúncio: set18-030-rsLN

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