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Era uma vez um cisquinho de 3 quilos que foi avistado seguindo as pessoas e pedindo socorro, na orla da Lagoa da Pampulha, em uma manhã de domingo.

Estava limpinho, com algumas poucas pulgas, de barriguinha cheia e todo serelepe, fazendo festa e abanando o rabinho pra qualquer um que passasse.

Assim que encontrou quem lhe desse um punhado de trela, rendeu-se ao colo e ali ficou, quietinho, até que o resgate chegasse.

Tem uma cicatriz em uma das perninhas que parece ser antiga, embora ele ainda sinta dor no local, quando apalpado.

O menino chegou ao nosso território e logo fez amizade com todos. Correu e brincou com a Hanna, enfrentou a rabugice da Duda e acabou decidindo ficar por aqui.

Percorreu nosso território, vigiado bem de perto pela Pintada. Demarcou todos os pontos que julgou necessário e tornou-se o rei do pedaço.

Passou por avaliação médica, fez todos os exames e está em ótima forma.

Théo foi o nome que ele recebeu, que talvez seja provisório. Ele é um Pinscher de apenas 3 quilos e muito, muito bonzinho, sociável com crianças, cães ou gatos. É ainda filhote e aparenta ter no máximo um ano, segundo estimativa dos veterinários.

Viveu muitas aventuras por aqui. Apesar de seus míseros 3 quilos, ele se mostrou o mais aventureiro lobinho que já passou por nosso território.

Estava sempre disposto a aprender (ou ensinar) e se integrar.

Fazia questão de brincar com todos. Aliás, na maioria das vezes, ele era quem iniciava qualquer brincadeira.

Com a Pintada, sua agitação era dobrada. Nossa Pinta, mesmo no auge de seus 10 anos de vida, ainda tem disposição para filhotes e para lobinhos bagunceiros.

Aprendeu a cavar túneis, a fazer correria em banco de areia, a se sujar. Aprendeu também a se limpar sozinho.

Mostrou-se corajoso, além do que é desejável. Não é cãozinho pra andar sem guia, em hipótese nenhuma. Ele não tem medo de nada, enfrenta qualquer coisa e não tem consciência de suas limitações.

Escala barrancos, mas também pode subir em janelas. Ele é perfeito para apartamento, mas desde que tenham sacadas protegidas e não tenha móveis próximos às janelas, ou tenha as janelas teladas.

E se forem teladas, tem que ser tela fina, pois ele é um cisco e passa em qualquer buraco.

Adora se sujar e a brincar na terra. Um jardim seria tudo de bom pra ele.

Ter amigos caninos também é essencial. Ele precisa mesmo de companhia em tempo integral, inclusive de outro lobinho.

Alguns cães precisar ser filhos únicos e lidam muito bem com alguns momentos sozinhos. Mas este não é o Théo. Ele é cãozinho que pede colo o tempo todo, inclusive para estranhos.

Ele é o tipo do lobinho que pulará no colo de visitas, sem pedir licença. Será o melhor amigo de qualquer um que aceitar sua amizade.

Tem energia inesgotável. É capaz de correr um dia inteiro e levantar no dia seguinte pulando e perguntando como será o dia.

Nadar é sempre uma atividade prazerosa para os cães, mesmo que entrem apenas para molhar o peito.

Poucas vezes eles se animam a mergulhar ou nadar em águas mais profundas.

Mas o Théo é corajoso demais pra se contentar em molhar apenas as canelinhas.

O que começou com uma perseguição a um Teiú, terminou com ele dentro da lagoa e atravessando a nado, toda a extensão, inclusive onde a profundidade passa de 5 metros.

Nunca sabemos quais predadores as águas escondem. O Théo é pequeno demais pra se arriscar tanto, mas não deu tempo sequer de pularmos para resgatá-lo.

Ele atravessou a lagoa inteira, com agilidade, e foi recebido na margem oposta por Hanna e Pintada, admiradas com a coragem daquele novato.

Também notamos uma grande influência que ele exerce sobre uma matilha. É capaz de estimular outros cães a serem tão agitados e bagunceiros quanto ele.

Depois da festa na água, ele mesmo cuidou de se secar, na terra vermelha.

Para a Hanna, a arte rendeu banho e tosa na tesoura, para remover os ciscos e carrapichos.

E nem isso desanimou o menino, que se levantou do banho de terra vermelha como se dissesse: _Eu já estou pronto. Não preciso de banho.

E assim terminou um feriadão de aventuras caninas.

Já descansado, o Théo precisa agora seguir novos caminhos. Está com todos os exames em dia, vermifugado, com vacinação completa (Leishtec e óctupla) e castrado.

Será entregue de banho tomado, limpinho e com perfume. O Théo chegou a ser adotado e tudo indicava que ele seria feliz para sempre. Num primeiro momento, integrou-se muito bem à matilha de dois que já habitava o território.

Infelizmente, nos últimos dias, os dois irmãozinhos dele decidiram que não queriam mais o Théo como amigo, e passaram a agredi-lo constantemente. Com isso, o menino passou a ficar muito tempo amuado num cantinho, pra se proteger dos ataques.

Claro que, em situações assim, temos que abortar a adoção. Lamentamos muito, pois o Théo tinha ganhado a família que sonhamos pra ele. Mas não deu.

Voltou ao nosso território e foi recebido com festa, não apenas por aqueles que já o conheciam, mas também pelo lobo, um novo amigo que aqui estava para um longo tratamento. Os dois deram-se muito bem, apesar de algumas rusgas, coisa natural entre crianças.

Vivemos novas aventuras, com as quais ele já estava mais que acostumado. Apesar dessa tentativa frustrada de um novo lar, ele estava bem.

Da Pintada, ele pôde matar a saudade, com direito a relembrar as brincadeiras de antes.

Claro que nossa Pinta está sempre disposta a alegrar um lobinho novo, ainda mais o Théo, velho amigo e conhecido.

A verdade era que, mesmo com toda a boa vontade da Pinta, o Lobo, por ser ainda filhote, tinha mais sintonia. Os dois tinham a mesma energia e a mesma disposição para brincadeiras.

Disputavam brinquedos, pequenos e grandes.

O Lobo continuaria por aqui mais tempo. Mas o Théo precisaria partir, mas depois da referência da primeira adoção, tínhamos que procurar pra ele uma adoção ainda melhor. Só assim ele esqueceria de vez o passado.

O Théo até que conquistou alguns pretendentes, mas não eram o perfil certo pra ele. Não poderia ser doado para ficar sozinho em casa, nem para ser filho único.

Um dia, recebemos duas ligações. Eram dois ótimos pretendentes à adoção do Théo. E quando já imaginávamos como escolher, descobrimos que os dois candidatos a adotantes, Adriana e Frederico, eram casados.

Moram em um apartamento, têm dois filhos humanos que também adoram animais e uma filha peludinha bem pequenina, ainda menor que o Théo, chamada Julie Cristina.

A rotina da casa era tudo que ele precisava, pois havia gente em casa todo o tempo. Enfim, loteria para o nosso pequenino. As fotos abaixo mostram o quanto foi difícil a adaptação.

A Julie perdeu um amiguinho peludo havia algum tempo e desde então reivindicava um novo irmão. E quando soube que ele estava a caminho, se animou toda e fez questão de ir ao PetShop para se preparar pra ele.

Julie e Théo têm quase o mesmo tamanho e deram-se muito bem logo no primeiro contato. Ela é uma cisquinha, agitada e brincalhona como ele, perfeita para as brincadeiras. Ele já estava se estressando com as brincadeiras estabanadas do Lobo.

As primeiras fotos que recebemos deram a noção do quanto ele já se sente em casa. Vergonha ali passou bem longe.

Era exatamente essa a família que esperávamos pra você, amigo. A saudade vai doer, lembraremos sempre de você em nossas aventuras, mas sabemos que você aí será o filho amado que talvez tenha sido um dia.

Terá vida longa e, quando chegar a hora de partir, estará quase falando, pronto para conhecer o destino de todos os cães humanizados: A terra dos cachorros que falam.

Missão cumprida, Theozinho. Ficaremos aqui, na saudade, à espera dos próximos que cruzarem nosso caminho. Despedidas são mesmo os carmas dos defensores de animais.