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Se as pessoas soubessem que tucanos precisam de grandes alturas, não fariam a covardia de enjaulá-los.

São belos sim, mas são muito mais belos em liberdade, pois suas cores ficam mais vivas.

Tico e Teco 1

Se as pessoas os querem por perto, deveriam plantar mais árvores e preservar a vida. Nunca os escravizar, pois voar é um privilégio somente de alguns, mas garantir esse direito é dever de todos.

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Tico e Teco viveram tempo demais enjaulados. A docilidade e inexperiência com a liberdade eram sinais bem claros das atrocidades que viveram.

Eles foram apreendidos com criadores ilegais. Possivelmente, foram retirados no ninho por traficantes de animais silvestres e comprados em margens de rodovias.

Passaram um período no CETAS, foram recuperados e tratados, até chegar o dia em que poderiam ser finalmente soltos. Chegaram por aqui assustados e cansados da longa viagem.

Tico e Teco 3

Foram libertados no final do vale, próximo a uma lagoa, cercada de muitas árvores frutíferas.

Eles não ganharam o céu, não foram pra onde acreditávamos que a natureza deles os levaria. Pelo contrário, ficaram por ali, como se tentassem entender onde estavam.

Tucanos têm poucos predadores naturais, mas eles não poderiam ficar no chão. Se não ganhassem as alturas das copas das árvores, eles não teriam chances.

Tico e Teco 4

Seria necessário esperar e dar a eles o tempo necessário para que se aclimatassem.

Ficaram por ali, ajeitando as penas, como se estivessem se preparando para usá-las.

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Para os envolvidos na soltura, aquela espera era tensa e bem agustiante.

Queríamos logo vê-los longe do alcance de predadores terrestres. Eles precisavam nos mostrar que sabiam usar as asas.

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Caminharam por ali, foram até mais adiante, retornaram, ameaçaram abrir as asas, mas não deixaram o chão.

Tico e Teco 7

Uma aproximação foi tentada, até mesmo para forçá-los a voar, mas, ao invés de abrirem as asas, eles mostraram que as pernas estavam bem fortes.

Não era essa a demonstração de força que esperávamos ver. E que sirva para as pessoas entenderem o tamanho da covardia que existe em um viveiro.

Eles passaram a vida sem usar as asas. Sabiam pular, que era o que faziam dentro do viveiro.

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E, sem prévio aviso, como se quisessem nos tranquilizar, usaram pela primeira vez as asas e partiram para o alto de uma ameixeira.

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Assim que o Tico subiu, o companheiro Teco seguiu o mesmo caminho.

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Esperamos mais alguns minutos, registramos mais alguns pequenos e discretos voos, e, finalmente, demos-lhes as costas.

No fim do dia, já à tardinha, retornamos ao local da soltura para tentar avistá-los.

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E para a nossa surpresa, lá continuavam eles, mas agora já voando de uma árvore pra outra, com total desenvoltura, colhendo frutas diretamente nas árvores. Ameixeiras e goiabeiras lhes davam as boas vindas.

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Constatamos também a chegada de mais dois tucanos nativos. É certo que uma briga poderia ocorrer, pois a espécie é altamente territorial.

Também sabíamos que os dois não ficariam juntos. Buscaria, cada um, o seu pedaço de mato, e assim demarcariam seu território.

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Mas, neste momento, bastaria vê-los livres e sabendo usar as asas. Foi só uma questão de tempo para começarem a buscar os galhos mais altos, o que indicava que aquela reintrodução já era um sucesso.

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Da ameixeira, eles partiram para uma goiabeira mais baixa e, dali, para o alto de uma figueira gigante.

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Ainda tivemos tempo de fazer algumas fotos usando todo o zoom disponível.

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Fica a torcida para que Tico e Teco sejam os últimos tucanos a serem trancados. Que eles sejam livres, que encontrem parceiras para construírem ninhos e povoarem nosso território de bicos coloridos.

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Tico e Teco

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