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Quem vê as fotos pensa que este cãozinho é um daqueles anjos, enviados pra alegrar nossas vidas, nascido pra dormir em almofadas e acordar os donos com lambidas.

Ledo engano. Ele sofreu tudo o que tinha pra sofrer e tem a experiência dos lobos de vida livre.

Ele viveu nas ruas por vários meses. Não permitia a aproximação de ninguém. Nem mesmo a protetora que o alimentava todos os dias tinha regalias. Este era o sinal clássico de um cãozinho que cansou de ser agredido por seus donos.

Não sabemos e jamais saberemos o que o levou a esse estágio. Recebeu o nome de Lourinho Piquititim pra diferenciar do Lourinho, o original, já que os dois foram companheiros de rua por muito tempo.

Nem mesmo a carrocinha conseguia capturar este corisco. No dia em que o Lourinho (o original) foi capturado pelo CCZ, este pequeno estava com ele e foi também perseguido, mas nem mesmo os funcionários da carrocinha, treinados e com equipamentos próprios, tiveram habilidade para prendê-lo.

Ele foi pego algumas semanas depois do resgate do Lourinho (o original), no laço, contra todos os protestos possíveis e imagináveis.

Mas a verdade era que o Lourinho havia mesmo nascido pra se criar em colos e almofadas. Aquele lobinho selvagem nada tinha a ver com sua índole. Precisava apenas de cuidado, carinho e dedicação.

Hoje, muitos meses após a captura, ele já aceita o colo de sua protetora e até se mostra simpático com estranhos. Espera um adotante, mas precisa ser alguém verdadeiramente especial, que tenha espaço e tempo pra continuar cuidando da socialização dele.

Temos absoluta convicção de que, com tempo e paciência, ele sepultará de vez a fera que o habitava, dando lugar a um cãozinho de colo. Já não é arredio como antes. Afinal, desde que foi capturado, tem experimentado carinho, massagens e cuidados, coisas de que tem gostado muito. Na verdade, ele nasceu pra isso. Só ele ainda não sabia. É um cãozinho peludinho, muito pequeno (tamanho de um Poodle pequeno) e evoluiu pra ser um bichinho de estimação, de colo, de bolso, de cama ou qualquer coisa assim.

Não procuramos um adotante qualquer. Esperamos alguém verdadeiramente especial. Ele é muito sociável com outros cães.

Aceitou a liderança de seus dois últimos companheiros: o Lourinho, enquanto ainda estavam nas ruas e, depois do resgate, já no confinamento, seu novo companheiro, Raj, outro cãozinho especial. O Lourinho chegava a chorar quando separado do Raj.

A separação, a despeito de seus protestos, acabou acontecendo, já que o Raj teve sua nova chance. Foi adotado no final do ano passado.

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Quanto ao Lourinho, ele esperou por um salvador por dois anos. Passou a viver em lar temporário na casa de sua protetora. Neste período, ficou mais sociável e já aceitava colo, chegando mesmo a pedir carinho.

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Cachorro não sabe o que é lar temporário. Ele não sabe se foi adotado. Na verdade, com o Lourinho, foi o que aconteceu. A Eliana Malta entendeu que ele não viveria bem em nenhum outro lugar e decidiu tornar aquele lar definitivo pra ele.

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