Eu sou o Lucas, pelo menos a partir de quando interessa.

Devo ter tido um nome antes, mas acho que vou preferir esquecer.

Eu estava em um canteiro lateral no cruzamento de duas movimentadas avenidas. Não sei como cheguei ali.

Eu andava com muita dificuldade e sentia muitas dores. Tinha também muita fome e sede.

Meu pelo, todo embolado, e recheado de ciscos, marcas dos lugares por onde andei.

Alguém chegou perto e tentou me pegar, mas eu não conseguia confiar em ninguém.

Quando dei por mim, estava no banco de um carro, sendo acariciado pelas mesmas mãos que eu tinha acabado de morder.

Cheguei em uma clínica veterinária e logo fui deixado de molho para um banho e tosa que me esperavam.

Enquanto esperava pelo banho, ganhei água e ração, que engoli com a gulodice de quem estava há dias sem comer.

De todas as formas de abandono, a que mais dói é aquela que acontece atrás dos muros, pois ali, ninguém vê e a ajuda nunca chega.

Depois do primeiro banho, passei pelos cuidados médicos. Muitos exames, muitas agulhas, tudo muito.

Eu não queria lembrar do que ocorreu, mas após os primeiros exames clínicos, os médicos disseram que eu devia ter apanhado muito.

E era verdade. Quando me colocaram na rua, queriam que eu fosse embora, mas eu teimei e fiquei perto do portão. Foram muitos chutes, para que eu fosse embora pra longe de casa. Por isso meu corpo doía tanto.

Eu fui, mas não tinha pra onde e acabei chegando naquele lugar. Acho que tinha um anjo invisível me indicando por onde andar. Quando chegamos naquele canteiro, ele me disse: _Chegamos. Não saia daqui. Fica que a ajuda chega logo.

Passei uns bons dias morando em uma gaiola de vidro, leito de cachorro internado.

Não era bom, porque não tinha espaço, mas às vezes, umas moças vinham pra me tirar dali.

Na primeira visita do meu amigo, eu estava envergonhado por tê-lo mordido, e estava triste também.

Foram uns 10 dias internado. Fiz raio x de tudo, ultrassom, muitos exames de sangue, de quase tudo, passei por muitas consultas, clínico geral, ortopedista e cardiologista.

Apesar de tudo, eu estava bem. Meus exames de sangue mostraram que eu estava bem, que não tinha nenhuma doença. Sou negativo para Leishmaniose, Babésia e Erlíquia.

Tenho um probleminha na patela que logo será resolvido.

Já sou velhinho e minha idade estimada é de uns 10 anos. Com isso, meu coração também está um pouco fraco, mas nada que uns remedinhos não resolvam.

Também passei por cirurgias. Fui castrado e fiz uma grande limpeza de tártaro. Minha boca estava tão contaminada que já causava alterações nos meus exames.

No dia seguinte à cirurgia, eu recebi alta, ainda com aquele cone no pescoço. Coisa ridícula aquilo.

Saí da clínica e fui levado a um lar temporário, onde fiz alguns amigos.

Meg, uma Yorkinha de pouco mais de 2 quilos, um cisquinho só. Loly era uma raposinha de pouco mais de 3 quilos. Shiva, uma legítima vira-lata pintada, porte médio, além de Luna, uma caramelo meio implicante, e a Clara, uma mãezona mestiça de Pit.

Pra me acostumar com o ambiente, me foi permitido umas voltinhas, apenas pra cheirar tudo e marcar uns pontinhos daquele território.

Eu sou um Poodle de porte pequeno e, depois da engorda, atingi o peso de 7,5 quilos.

Também conheci a cama onde dormem os lobos. Fiquei feliz, pois ali é grande e cabe mais um.

A recomendação médica era para que eu ficasse em descanso pelo menos uns 15 dias.

Por isso, minha alegria de poder caminhar pelo jardim durou pouco.

Foi preparado pra mim um quartinho pequeno, mas cabia uma casinha, com colchão e cobertores, com água e comida. Tinha ainda um pequeno gramado, com terra pra eu pisar e fazer minhas necessidades na grama.

Desde então, fiquei por aqui, ainda com cone e ainda com pontos da cirurgia, mas daqui uns dias, estarei novo e pronto para um novo começo.

Espero ser adotado, mas tenho algumas exigências. Preciso de ter cama quente, comida boa, água sempre fresquinha e muito colo e carinho.

A vida até aqui não foi muito boa, mas eu acho que ainda dá tempo de ficar do jeito que eu mereço.

Por aqui, gostei muito da minha nova família, mas sei que é provisório e ainda estou confinado no canil.

Fico triste a maior parte do tempo, mas me alegro muito nos momentos em que posso interagir com minhas novas amigas.

Os passeios no jardim eram sempre os melhores momentos, mas eram poucos. Por isso eu quero tanto ser adotado.

Quando completou 10 dias da cirurgia, eu fiquei finalmente livre daquela coisa esquisita no pescoço. Retirei os pontos e estou em ótima forma.

Não existe mais nem sinal da surra que levei. Hoje eu corro, brinco, jogo bolinha.

Aliás, tenho que confessar que bolinha é minha diversão favorita. Eu brinco até sozinho.

Quem me adotar terá que assinar um termo de compromisso de nunca deixar faltar bolinha na minha vida.

Meu pelo ainda está baixo, mas eu sou um Poodle e é só uma questão de tempo pra eu ficar bem peludo e macio.

O meu regime de engorda também funcionou muito bem. Em 15 dias eu engordei mais de 1 quilo. A fome é coisa do passado.

Hoje estou com 7,6 quilos, descontando a bolinha. Acho que cheguei no meu peso ideal

Sou um cachorro alegre, arteiro, brincalhão e perfeito para companhia. Só preciso mesmo me acostumar com vida boa, coisa que até agora ainda não experimentei.

Quem me conhecer, vai se encantar. Modéstia às favas, eu sou tudo de bom.

Contato para adoção: (31) 9 8417.8410 – WhatsApp.

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