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Esta é uma bela cadelinha de porte pequeno, muito dócil, carinhosa e sociável, tanto com pessoas como com outros cães.

Foi encontrada atravessando uma avenida movimentada, com uma bolinha branca pendurada em suas tetas.

A bolinha branca era a Isabella, também chamada de Belinha. Durante a travessia, os carros vinham em alta velocidade e a pequena Belinha não desgrudava das tetas da mãe, colocando as duas em risco.

Ficamos imaginando se ela não poderia esperar um pouco. Afinal, Mariana, a mãe, estava muito magra e faminta. Já a Belinha, a filha, estava roliça.

Foram resgatadas e levadas para um lar temporário, quando foi possível observar e entender toda aquela insistência e gulodice. Descobrimos que a Belinha tinha alguma disfunção. Na verdade, ela tinha fixação pelas tetas de sua mãe.

Mamava o dia inteiro. Difícil era conseguir fazer fotos dela que não fosse mamando.

Ela já estava crescida, com aproximadamente 60 dias e já deveria ter desmamado, mas parecia haver um pacto entre as duas. A Belinha não parava de mamar e a Mariana, a mãe, não parecia se incomodar. Ao contrário, continuava produzindo leite e até incentivava as mamadas da Belinha, como se buscasse prorrogar ao máximo o vínculo que seria desfeito após o desmame.

Mesmo amparada, protegida e bem alimentada, ela, às vezes, se mostrava triste, como se soubesse que a separação estava próxima. Não deixava a Belinha por nada e se mantinha a seu lado em todos os momentos.

A Mariana é uma cadelinha de porte pequeno, pelo médio e muito macio. Disputa o carinho com a Belinha. Mariana se aproxima com facilidade das pessoas e não dispensa um afago. Deixou-se pegar muito fácil no dia do resgate, sem qualquer reação.

Já a Belinha, nos poucos momentos em que não estava mamando, mostrava-se um filhote como qualquer outro. Era alegre, brincalhona, muito sociável, gostava de morder tudo que encontrava, de chinelos a orelhas e caudas de outros lobos.

Gostava de companhia canina e não dispensava as brincadeiras. Pelo tanto que pulava, se via que estava rifando saúde. Mas a separação seria mesmo inevitável.

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Gostaríamos muito de tê-las doado juntas, mas não tínhamos espaço suficiente para segurá-las até a adoção. A Belinha foi adotada e a Mariana ficou para os procedimentos finais.

Foi vacinada, vermifugada e castrada. Os exames de saúde acusaram 1:40 de Leishmaniose. Buscamos os melhores especialistas, que decidiram fazer um tratamento para hemoparasita e depois repetir os exames. Feito isso, repetiu-se o “reagente 1:40”. Como ela não tinha nenhum sintoma clínico, o diagnóstico que recebemos foi “INCONCLUSIVO”. A suspeita é de que a Mariana já tenha tido contato com o agente, mas não desenvolveu a doença.

Por isso, ela não precisou de nenhum tratamento específico. Precisará tomar um Leishmaniostático, preventivamente, o que garantirá a ela a imunidade à doença. O procedimento é simples e tem a mesma eficácia da vacina. O custo mensal deste medicamento é de apenas R$ 4,00.

Mas, as melhores surpresas vieram depois. Assim que a Belinha partiu para uma nova vida, a Mariana acabou sendo integrada a nossa matilha. Depois da Belinha, acabou adotando outros 3 filhotes que por aqui passaram. Primeiro a Chiquinha, depois a Pitucha e, por último, a Chiquinha Preta.

Das três, a Chiquinha esteve por aqui logo após a partida da Belinha. A Mari ainda tinha leite nas tetas e chegava a se deitar e oferecer a barriga à pequena.

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Além de muito sociável com filhotes, pudemos testá-la também como companheira de cães adultos. O Pingo era um Poodle de apenas 3 pernas que foi abandonado em uma praça. A Mariana foi a cadelinha responsável pela socialização dele. Em alguns poucos dias de convivência, ele já corria e brincava, como se jamais tivesse sido abandonado.

A Mariana acabou se revelando a melhor cadelinha de companhia que já resgatamos. Além de muito dócil com as pessoas, relaciona-se muito bem com outros cães. Seria ideal para quem já tem um cãozinho e precisa de uma boa companhia pra ele.

Testamos também a menina em nossos passeios em ambiente natural, proporcionando-lhe momentos de vida livre. Mostrou-se uma das mais alegres e brincalhonas lobinhas que já passaram por aqui. No podium da bagunça, disputa de igual pra igual com a Sasha.

As correrias com a Estopa e os momentos de brincadeira nos dão a noção do quanto ela está saudável.

Com todo este currículo, ela merecia encontrar bons adotantes. As últimas fotos que temos dela são da nossa expedição de Dezembro de 2012, quando ela fez tão pouca bagunça que, ao pular de um barranco, quebrou um dedo. Teve que usar um cone no pescoço por mais alguns dias. Eis as fotos da expedição.

Esta encrenca preta enfernizando é a Pretinha, que também passou um tempo por aqui e já foi também adotada.

A adoção veio, em um daqueles casos que deixam a sensação de que já estava escrito. Depois de um ano em nossa casa, ela partiu e deixou muita saudade.

Você merecia o melhor Mari. Sua partida nos deixou com um nó na garganta, rezando muito pra termos tomando a decisão certa e pra que você seja muito feliz. Você deixará muita saudade. Algumas semanas após a partida da Mari, recebemos suas primeiras fotos. Em sua nova casa, ela tem sido chamada de Chanel mas, pra nós, será sempre a nossa Mari.

E não parou por aí. Em um domingo de maio, dia das mães, a convite da Juliane, tivemos a alegria de reencontrá-la e matar a saudade. Ela fez muita festa, principalmente com o Guilherme, antigo companheiro de bagunça.

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Sabemos que cada mudança de casa, para um cão adulto, é um abandono. Por isso cada despedida é um sofrimento. Mas alguns são tão especiais que parecem saber o que precisamos.

A Mari, hoje chamada de Channel, fez questão de nos mostrar todo o tempo que estava feliz. Parecia querer nos agradecer, como se dissesse:

__ Este é o meu lugar. Eu sou muito feliz aqui. Fiquem bem e obrigada por terem me resgatado.

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Na hora de despedir, um último chamego no Guilherme e o colo da Juliane. E tem gente que acha que eles não falam.

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