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É por isso que a escolha do adotante é a parte mais importante de todo o processo. Se errarmos na escolha, tudo o que fizemos não terá valido nada.

Houve um tempo em que adotantes eram pessoas que não tinham condições de pagar por um cachorro de raça e queriam um cão “de graça”. Assim, se tiverem que jogar na rua, não doeria no bolso.

Pareciam pensar: “Se é de graça, é porque não vale muita coisa”.

Claro que isso já mudou. O adotante de hoje é consciente e opta pela adoção em razão da vontade de ajudar e salvar uma vida. São pessoas esclarecidas. A maioria teria recursos pra comprar o filhote que quisesse, mas comprar vidas já não combina mais com os novos tempos.

Que bom seria se os anúncios de adoção só chegassem aos adotantes dos novos tempos!

Infelizmente, a Sara foi, de novo, vítima. Sua história foi publicada em Julho de 2012. Foi assim contada na época:

Sara. Guiada pela vida.

Mais uma lobinha que sabia o que estava fazendo. Ela foi abandonada no Bairro Alípio de Melo. Chegou na porta da casa de uma protetora de animais e ficou a noite toda chorando na porta, pedindo pra entrar.

E tem gente que não acredita que eles são guiados.

Foi resgatada, é claro, examinada, vacinada, vermifugada e castrada.

Porte pequeno para médio e idade aproximada de 8 meses, no máximo. Não crescerá mais.

É muito sociável com pessoas e outros animais e só quer brincar e pular todo o tempo. Para fazer estas fotos, foi dureza.

Esperávamos pra ela os melhores donos. Mas aí, nossa capacidade de julgamento esbarra no fingimento e na dissimulação humana. De tanto conviver com lobos, os protetores de animais estão perdendo a capacidade de lidar com as mentiras e simulações de sua própria espécie.

A Sara foi adotada por alguém que prometeu mundos e fundos pra ela. Naquela ocasião, era apenas uma filhotinha perdida, achando que o mundo era um brinquedo. Era esperta, brincalhona e arteira.

Foi feita entrevista, visitas à nova casa, pós-adoção com algumas orientações e a vida seguiu seu curso. A adotante tinha todos os contatos dos doadores.

Um ano depois, recebemos uma denúncia de que a pequena Sara havia sido jogada na rua por sua ex-dona, magra, com fome, frio e infestada de carrapatos.

Não acreditamos quando a socorremos. Estava medrosa e sem saber o que tinha acontecido. Tinha perdido a confiança no mundo. Ela chorava baixinho e pedia colo sem parar. Parecia não acreditar que nós a tínhamos encontrado.

E, nessa segunda luta da Sara pela sobrevivência, ela conheceu uma filhotinha na rua, também vítima do mesmo abandono, a quem se afeiçoou como uma mãe. Ela talvez tenha visto naquela cadelinha mais jovem a filhotinha que ela foi um dia.

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Talvez tenha se lembrado das dificuldades e decidiu cuidar da pequena, sem perceber o quanto ela também precisava de cuidados.

Claro que, na carona da Sara, a Nina (Nome recém-conquistado) acabou sendo também resgatada. E elas comemoram a cada minuto a sorte desse novo resgate conjunto. As duas não se separam pra nada. Comem, dormem e brincam todo o tempo.

As duas estão para adoção. Seria muito bom se pudessem continuar juntas, mas entendemos não ser fácil esse tipo de adoção.

Por isso, o importante é que sejam felizes e que encontrem novos donos. Se tiverem que seguir caminhos diferentes, assim seja. Preferimos confiar na vida mas, que dessa vez, esse anúncio não chegue a gente da estirpe daqueles primeiros adotantes.

Hoje estão as duas vacinadas, vermifugadas e castradas, em ótima forma e prontas para adoção.

Precisamos acreditar que novos adotantes virão e que nada acontece por acaso. Se a Sara não foi feliz na primeira adoção, agora tem a Nina, que ela trouxe para os braços dos protetores, para que ambas tenham uma nova oportunidade.

Passado o susto, ela continua acreditando que o mundo é um brinquedo. Já voltou a confiar nas pessoas, como se aquele episódio fosse passado morto e esquecido.

O tempo passou, a Nina cresceu e as duas continuam vivendo em um lar temporário. Apesar disso, estão bem e felizes. É assim que elas recebem as pessoas, mesmo estranhas.

A Sara perdeu um pouco a energia de filhote. Hoje é adulta e responsável. Tem afazeres por lá, ajudando na socialização de outros lobos errantes.

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Já a Nina ainda é filhote, apesar do tamanho. Não vai crescer mais, mas a disposição pra brincadeiras está longe de acabar. Nas fotos abaixo, brincando com sua nova amiga, Mel, uma cadelinha SRD como ela, que foi jogada do terceiro andar de um prédio.

Para conhecer a história da Mel, siga o link: http://oloboalfa.com.br/nov13-0098-mel-anjo-caido/

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Para as fotos 3×4, a Sara se porta muito bem, mas a Nina precisa ter um dedo entre seus dentes.

Já faz muito tempo que elas esperam por adoção. A demora do adotante, pra nós, é um sinal de que algo verdadeiramente especial está guardado pra elas.

A adoção chegou. Elas são agora irmãs da Pitchula, uma medrosinha resgatada do Campo de Concentração. Não poderiam ter encontrado melhor adotante.

Especiais 9

Um resgate de Eliana Malta: eliana.malta@terra.com.br