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Quando estive pela primeira vez na SMPA, precisava mostrar o máximo possível de animais e encontrar palavras pra escrever algo especial para cada um deles.

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Em um abrigo de animais, muitos animais se aproximam balançando o rabinho e pedindo atenção. É inevitável não se afeiçoar. Inévitável também é não se comover por sair de lá, deixando pra trás alguns daqueles que nos conquistaram.

Aquele não foi um dia fácil. Dentre aqueles com os quais me identifiquei, uma cadelinha muito especiel, a quem chamei de Carência. Ela estava em uma minúscula gaiola da enfermaria, em tratamento. Uma cadelinha que havia sido adotada ainda filhote, lá mesmo na SMPA, e recentemente devolvida, já adulta e debilitada.

Ela me lambia, oferecia a barriga, choramingava pedindo mais atenção. Foi muito difícil deixá-la lá. Prometi pra mim mesmo que voltaria e que daria o sangue pra ajudar a mudar aquela triste realidade.

Depois que soltei a matéria, recebi uma mensagem da Silvia, uma protetora lá de Niterói. Embora envolvida com os resgates dos animais de Xerém, ela se sensibilizou e se ofereceu pra receber alguns dos animais da SMPA.

Ela mora em um condomínio de sítios, há 40 Km de distância do centro de Niterói. Pra chegar, pelo menos 10 km de estrada de terra. Como conseguir uma carona pra salvar essas vidas?

Mais uma vez, a vida fazendo nossas mensagens chegarem ao destino. Mais uma mensagem, desta vez da Rose. Ela estava indo ao Rio de Janeiro, a trabalho, e se ofereceu pra levar dois animais.

Para Niterói, ela já teria que dar uma boa volta. Ao saber, entretanto, que o sítio ficava 40 quilômetros depois de Niterói e que uma estrada de terra a esperava, em pleno mês de Janeiro, ela insistiu, dizendo que queria ajudar e essas dificuldades não seriam impedimento.

Em uma manhã de sexta-feira, estive na SMPA bem cedo, antes mesmo de abrirem os portões. Minha tarefa seria escolher dois animais que seguiriam viagem para Niterói.

Assim que cheguei no primeiro canil, uma coisinha amarela veio correndo, fazendo festa, como se disesse: __ Ei. Sou eu. Lembra de mim?

Claro que eu lembrava. Aliás, desde que a vi pela primeira vez naquela enfermaria, ainda não tinha deixado de lembrar.

De novo a vida, me presenteando com a oportunidade de mudar a história daquela menina que tanto me cativou. Restava escolher mais um cãozinho.

No canil dos filhotes, uma coisinha preta de aproximadamente 6 meses de vida. Ela já tinha porte adulto. Não seria mais adotada como filhote e havia chegado ali há dois dias. Tinha alguns pequenos ferimentos nas pernas, parecendo escoriações em razão de algum atropelamento. De modo geral, ela estava muito bem.

Ouvi muito claramente uma voz me pedindo pra escolher aquela Pretinha. Era a voz de um dos funcionários da SMPA que me acompanhava. Na verdade, a mensagem veio através dele. Eu sabia que não estava sozinho.

Escolhidas as duas moças, era hora de uma pequena faxina. Capstar e Frontline eram necessários, pra garantir a elas um pouco mais de conforto na viagem.

Era hora da despedida. Elas estavam ansiosas e agitadas, mas felizes. Sabiam que algo especial as esperava.

Carol e Margot 3

Assim que preparei as caixas de transporte, a minha loirinha veio pular em mim, chegando mesmo a abraçar meus braços. E nessas horas, me dou o direito de fantasiar e de traduzir suas reações.

A mensagem era clara, pelo menos pra mim: __ Eu sabia que você viria.

A viagem transcorreu sem imprevistos. Deixaram Belo Horizonte às 10:30 horas e chegam ao destino às 19:00 horas. A Rose se desdobrou no caminho pra proporcionar a elas o maior conforto possível. Chegou a tirá-las das caixas de transporte, deixando-as deitadas no banco traseiro.

Lá pelo meio da viagem, lancharam juntas. Um pacote de biscoito foi dividido pra três.

Assim que chegaram, foram recebidas pela Silvia e pela Raquel, uma das lobinhas que reinam naquele paraíso. Ganharam novos nomes. Agora são chamadas de Carol e Margot.

Assim que a Rose se despediu das moças, seguiu seu caminho com destino ao Rio de Janeiro. Mas, dali mesmo, da porta do sítio, fez questão de telefonar pra dar a notícia do sucesso da expedição. Estava claramente emocionada e agradecida por ter tido a oportunidade de ajudar. Foi a primeira vez que ela se envolveu com a causa, e já deixou claro que quer continuar se envolvendo.

“Virá o dia em que todos os humanos serão protetores de animais.”

Uma semana depois, recebemos as primeiras notícias e fotos de Carol e Margot. Decidimos publicar a mensagem da Silvia, sem qualquer edição. Elas ainda passarão por exames e procedimentos. Talvez sejam disponibilizadas para adoção (Foi pra isso que a Silvia as recebeu), mas não vamos nos surpreender se elas ficarem em definitivo por ali.

Pra sermos sinceros, estamos torcendo por isso.

Mensagem da Silvia:

Boa noite Crispim.

Fiquei aqui diversos dias sem qualquer sinal de conexão com a “internet” e, surpreendentemente, agora já tarde da noite, ela resolveu dar o ar da sua graça.

Menos mal, porque já estava me preparando pra ir amanhã na “lan house” te enviar as fotos que fiz das meninas. Estava ansiosa pra te dar noticias delas, e mostrar como elas estão.

Carol , a loirinha e Margot, a pretinha. De quebra, ainda estou com mais uma baby que resgatei um pouco antes delas chegarem. Chama-se Lilah, cujas fotos estão também abaixas.

Hoje fomos ao veterinário, fazer o hemograma pra ver se  estão bem pra serem castradas no próximo dia 14 ( já deixei agendado na vet), e também solicitei o exame pra leishmaniose das duas mocinhas.

Mas, sinceramente, acredito que  os resultados serão ótimos, porque aparentemente estão super bem. Correm muito e brincam o dia todo. A Carol é danadinha. Mal vê o carro e já pula pra dentro.

Fizeram amizade com a Raquel , Marley e Benji, e em algum momento hei de conseguir fotografá-los juntos. Acaba sendo meio difícil, porque não param quietos um minuto sequer,mas vou dar um jeito de documentar  a bagunça deliciosa que eles fazem brincando.

Carol é muito rápida, corre muuuuuito e, por isso, comanda as correrias. Dispara na frente, com os outros em seu encalço, sem que consigam alcançá-la. Essa brincadeira em geral acontece nos finais de tarde, quando a temperatura já está mais amena, e eles estão descansados depois de dormirem nas horas mais quentes do dia.

As meninas inclusive já engordaram, viu? Carol está pesando 6,7 quilos e a Margot 6.5 quilos. No inicio, até conseguia pegar as 2 juntas no colo, ao mesmo tempo  , com facilidade.

Mas hoje, confesso que já foi bem mais difícil.

Pela manhã, faço pra todos os cães uma vitamina de banana com maçã, cenoura e beterraba. Acrescento levedo de cerveja, linhaça dourada , além de papinha desmame pra dar consistência, e também coloco o Missing Link, pra ajudar a recuperar a pelagem mais rapidamente.

Carol não gosta muito dessa mistura. Pra ela  tenho que dar na boca. Mas a Margot come que é uma beleza.

Ainda dou o “Energy Pet” de manhã, e o Apevitin BC de noite, pois quero vê-las logo bem gorduchinhas , do jeito que eu gosto.

Durante o dia, deixo a ração à vontade pra eles (Cibau Power) e à noite, no jantar, acrescento sempre alguma carne ou frango pra eles dormirem de barriguinha cheia, bem alimentados.

Enfim, queria  te dizer que estou imensamente  feliz  por elas estarem aqui comigo, e sabê-las muito amadas e protegidas. Elas são mesmo uma paixão, muito meiguinhas e amorosas, festeiras e comunicativas.

E agora, bem, espero que goste das fotos.

Bjs  e fica com Deus.

Silvia.

A essa altura, elas nem se lembram mais de mim. Mas isso não me entristece.

E que a vida me permita ser apenas um pedaço da ponte, entre o inferno e o paraíso. Que seja usado e pisoteado por tantos animais quantos tenham a oportunidade de passar por ela.

E, se vidas estão sendo salvas, se os animais da SMPA não estão mais esquecidos, se eles agora são vistos, é porque estamos conseguindo montar muitas pontes, o que só está sendo possível, graças à união dos protetores.

Protetores, grupos e ONGs de Minas Gerais, e até de outros Estados, se uniram em prol desses animais. Que outros grupos se unam a nós. Serão todos muito bem vindos.

Brigada

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