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Este filhotinho de pouco mais de 60 dias foi abandonado durante a mobilização contra a crueldade aos animais. Foi deixado amarrado em uma árvore, sem comida ou água.

Bolt 2

Dia 22 de Janeiro de 2012. O dia nacional da mobilização contra os maus tratos a animais.

Em Belo Horizonte, a mobilização ocorreu na Praça da Liberdade, em frente ao Palácio da Liberdade. Além de um sem número de protetores e simpatizantes, eles, os lobos, estavam também muito bem representados.

Esperávamos que, pelo menos nesse dia, houvesse uma trégua.

Mas, ao voltarmos para a casa, encontramos amarrado em uma árvore, sem comida ou água, esta coisinha minúscula, mestiço de Poodle, com idade entre 60 e 70 dias, aproximadamente.

No dia em que protetores de vários cantos do País se mobilizavam pra chamar a atenção para a triste realidade do abandono e maus tratos, alguém se encarregava de fazer exatamente o contrário de tudo o que intencionávamos propagar.

O estado de desnutrição do Bolt indicava que estava a dois dias sem comer, pelo menos.

É um lobinho com idade entre 60 e 70 dias, aproximadamente, já comendo ração sólida. Corria, pulava e esbanjava energia de um filhote saudável.

Foi levado a uma clínica veterinária, vacinado, vermifugado e examinado, constantando estar em ótima forma. Cabía-nos, agora, encontrar pra ele o melhor adotante que pudéssemos. Somente seria doado pra quem tivesse chinelos, tapetes e cadarços de sapato em casa, e que se comprometesse a dar-lhe brinquedos e caminha confortável.

Quando o encontramos, chorava muito, por estar sozinho. Assim que o resgatamos, demos-lhe comida e água, que ele devorou com a gulodice típica de lobinho faminto. Logo após, já de barriguinha cheia, demos-lhe um banho de Frontline, para livrá-lo dos parasitas. Depois, foi ele apresentado à nossa matilha. Afinal, daquele dia em diante, aquela seria a sua turma, pelo menos até a adoção. Quando se viu entre os de sua espécie, mostrou as garrinhas de um lobinho dominante.

A interação com humanos não foi menos calorosa. Mais que aceitar colo, ele procurava companhia humana, se sentindo muito a vontade no colo.

Mesmo segurado a certa altura, era capaz de relaxar e até dormir, indicando que confiava em humanos. É claro que não chegou a sofrer agressões, não sabia que foi abandonado e nem imaginava os perigos que correu.

Mas nada disso importa mais. Ele estava amparado e protegido. Teria todo o tempo pra esperar pela melhor adotante que a vida pudesse lhe dar.

A adotante chegou. Após nos certificarmos de que seria o melhor para o Bolt, iniciamos os preparativos para a entrega do lobinho. Ele levaria na mala um cobertor, com o cheiro de nossa matilha, um punhado de ração, cartão de vacina e um brinquedinho, herdado da Hanna.

Em sua nova casa, além dos mais carinhosos donos, todos apaixonados por lobos, ele encontrou o Yuki, outro lobinho, também filhote, do mesmo tamanho e idade.

Assim que chegou, se apossou de um ossinho encontrado próximo ao pé do sofá. Aquele território já tinha dono e, portanto, aquele ossinho também deveria ter. Não foi um bom começo.

Diante de tamanha afronta, o troco veio em seguida. O Yuki passou os dentes no brinquedinho que o Bolt havia levado e correu para sua caminha, deixando claro que aquele canto era dele.

Depois de um começo assim, claro que as primeiras fotos dos dois juntos tiveram que ter uma ajudinha. Duas crianças obrigadas a se abraçarem, para que façam as pazes. Claro que vale forçar a barra. Viravam a cara um pro outro, como se dissessem: _ Não sou seu amigo.

Mas, o que poderíamos esperar de dois filhotes de mesmo tamanho e idade? A facilidade de estabelecer vínculos afetivos na infância é uma característica dos lobos, herdada pelos cães. Não precisamos esperar muito. Apenas alguns poucos minutos foram suficientes para que já estivessem brincando, pulando um sobre o outro e disputando a posição de macho alfa.

Ao final, ainda tiveram a coragem de virar os traseiros para a platéia humana, como se perguntassem: Qual cauda está mais alta?

O melhor, nessas horas, é votar no empate técnico.

A você pequenino, mesmo sabendo que amanhã nem se lembrará mais de nós, saiba que deixou muita saudade. Além da bagagem, levou um pedaço de cada um de nós. Rezamos pra termos acertado na escolha do adotante e que tenhamos te deixado em ótimas mãos.

Esperamos também, com sua história, ajudar a fazer desse mundo um lugar um pouco melhor, para todos os outros de sua espécie, que ainda sofrem com a insanidade humana.

Seja muito feliz amiguinho.

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