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Este cãozinho foi deixado por um carro, em uma praça do Bairro Serrano, em Belo Horizonte. Permaneceu por ali porque encontrou quem lhe desse pão e água.

Quando o encontramos, buscamos informações com as pessoas que o alimentavam e fomos informados que havia 5 dias que ele estava por ali, que estava dormindo na rua e que tinha tomado muita chuva nas duas últimas noites.

Ele estava muito fraco e doente, com infecção nos olhos e nas orelhas, além de marcas e feridas por todo o corpo.

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Ele foi resgatado e levado para uma clínica veterinária, onde ficou internado por quase uma semana. Recebeu os primeiros cuidados e colheu sangue para alguns exames.

Descobrimos que ele já é castrado, o que levantada a suspeita de que tenha sido adotado e descartado na viagem de férias.

Tinha uma infestação de parasitas que, três dias depois do resgate, ainda pingavam carrapatos de seu corpo.

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A tristeza também era contagiante, levantando a suspeita de babésia, o que era bem compatível com a presença dos carrapatos.

Infelizmente, por falta de melhores acomodações, ele passou uns dias confinado, em uma jaulinha na clínica. A tristeza que já o consumia na rua se agravou ainda mais.

Como ele chorava muito, as funcionárias da Veterinária Alípio de Melo, onde ele foi internado, decidiram soltá-lo e elegê-lo como mascote do “banho e tosa”. Ele passou a ficar por ali, deitado aos pés delas, ganhando afagos no intervalo de um banho e outro.

Sua carinha começou a mudar.

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Claro que sua participação não se limitou a assistir aos banhos dos outros. Ele também entrou no chuveiro, algumas vezes.

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Gostava de ser escovado e ficava bem quietinho na hora do banho.

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Mostrou-se também um menino muito sociável, tanto com cães quanto com gatos. É carente e pede carinho em tempo integral.

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Enquanto esperava pelos resultados dos exames, ficou uns dias por ali.

Demos a ele o nome de Cuqui. É um cãozinho muito dócil e carinhoso. Aceitou o resgate sem esboçar reação e, na clínica, fazia muita festa quando recebia visitas.

Ele é um Cocker Inglês de aproximadamente 8 anos e pesa 14,5 quilos, sendo de porte médio.

Infelizmente, seu primeiro exame de leishmaniose foi positivo. Em razão da infestação de carrapatos, demos a ele o benefício da dúvida e fizemos o tratamento da babésia, para depois repetir os exames. O resultado se confirmou, impondo a ele um longo período de tratamento e muitas vitaminas.

Apesar desse resultado, a eutanásia não foi o caminho. O Cuqui estava muito bem, revelou-se um menino alegre e disposto a lutar pela vida.

E quando um cachorro quer viver, é obrigação de quem resgata dar essa chance a ele. O Cuqui teve o melhor tratamento, se recuperou e, restava-nos torcer para que ele fosse feliz,um dia.

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O Cuqui passou alguns dias internado. Não aceitava ficar preso e chegava a chorar dia e noite, a ponto da Clínica decidir deixa-lo solto pra não criar problemas com vizinhos.

Passou a ser o mascote da Veterinária Alípio de Melo.

Mas como clínica não é lugar para um cãozinho viver, decidimos dar a ele lar temporário em nosso território.

Chegou por aqui como se a casa fosse dele. Tinha uma galera pra conhecer e a Duda foi sua primeira anfitriã.

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Hanna, Estopa e Bilico também vieram receber o garoto.

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Não sabíamos como era a socialização dele com outros machos, e nem do Bilico. Então, o teste serviria para os dois. E tudo correu muito bem. Bilico e Cuqui revelaram-se ótimos cãezinhos, de colo mesmo.

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Depois de alguns momentos de descontração na varanda, era o momento de conhecer o restante da matilha.

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E ele continuou se sentindo em casa. Percorreu o território, aceitou a amizade da Pintada e se integrou.

Já chegou no dia de banho coletivo e que não escapou dele.

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Sabe se secar sozinho e parece até que gostou do banho. Na verdade, ele gostou mesmo foi de se sentir cuidado.

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Não acreditamos que tenha sido maltratado. Para sua idade, ele estava muito bem, apesar da leishmaniose. Não teria vivido tanto se tivesse sido tão negligenciado.

Acreditamos que o abandono tenha acontecido exatamente porque adoeceu. Muita gente, para evitar os custos com veterinários, prefere abandonar a tratar.

Isso é também um indicativo de que ele nunca foi estimado ou nunca foi visto como parte da família, pelo menos por aquele que tomou a decisão de descarta-lo.

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Ele se mostrou um cãozinho sociável, carente, daqueles que fazem festa com qualquer estranho. Ele não tem medo de gente, o que indica que, de alguma forma, tem boas referências de nossa espécie.

Talvez tenha sido amado pelas crianças ou por alguns dos adultos da casa, mas essas pessoas não tiveram o direito de opinar sobre o destino dele, talvez porque a decisão estivesse a cargo de quem pagava as contas.

Pode ter sido retirado de casa com a mentira de que seria levado para um “bom lugar”.

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E esse bom lugar foi uma praça em local de muito movimento. A intenção era que ele morresse longe dos olhos e dos bolsos da família.

Durante o mutirão de banho, Bilico, mesmo sem nenhum sinal de agressividade, ficou bem revoltado porque o Cuqui monopolizou as toalhas, e ele também tinha tomado banho e queria se secar.

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O discurso estava claro: _Ei! Não vai sobrar toalha pra mim? Tô muito bravo.

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Mutirão de banho por aqui é sempre uma festa, com direito a correria e bagunça.

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E não havia mesmo melhor forma de dar as boas vindas, tanto que o Cuqui, depois do banho, nos pareceu mais animado e até alegrinho.

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Descobrimos também outra característica dele. O menino não fez nenhuma questão de disputar o território com o Bilico, que ainda não está castrado.

Pelo contrário, fez seu primeiro xixi abaixado, na grama, o que levanta a hipótese dele ter sido castrado bem novinho.

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O Cuqui é um cãozinho muito calmo e carinhoso. Chega a ser carente, mas isso talvez porque não tenha recebido carinho em quantidade suficiente.

Sua socialização foi testada com crianças, com outros cães e com gatos. Ele é muito dócil e incapaz de usar os dentes, mesmo durante procedimentos médicos e sentindo dor.

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Ainda não é o mais feliz de todos, mas está a caminho. Seus futuros donos, além de levarem um cãozinho especial pra casa, precisarão assumir o compromisso de transformar este sorrisinho apagado em um transbordar de alegria.

Passeios regulares serão essenciais pra ele. Apesar da idade, Cuqui tem muita energia. Adora brincar e correr.

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O que não sabíamos era que a alegria dele tinha dia e hora pra se apresentar. E coincidiu com o retorno para o nosso território, de uma linda moça chamada Bianca.

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Tornaram-se amigos. São cãezinhos felizes e arteiros. Precisavam de companhia, tanto de pessoas quanto de outros cães, mas poderiam seguir caminhos separados.

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A adoção da bianca aconteceu. Daí iniciou a longa espera. O Cuqui venceu a doença e já estava totalmente recuperado. Tínhamos pra doar um cãozinho agitado e brincalhão.

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A adoção demorou mas chegou, exatamente como o Cuqui merecia. Além de três mães, com disposição pra colocar cachorro bagunceiro no colo, ele ganhou também um irmão maior chamado Negão, também disposto a correr e brincar muito.

A apresentação dos novos melhores amigos de infância aconteceu do lado de fora, com uma voltinha na rua.

Depois chegou a hora de invadir o território do Negão. Eles se cheiraram, se estudaram e tudo correu muito bem.

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Negão é um mestiço de Labrador, que tinha sido deixado pelos donos em uma casa de ração, pra ser doado, depois que a família se mudou para um apartamento e achou que na nova casa não haveria lugar pro cachorro.

Negão ficou dias preso e muito triste. Foi adotado e, depois de seis meses com sua nova família, já totalmente adaptado, decidiu pedir um irmãozinho para as mães.

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Depois das apresentações, deixamos os dois se descobrirem. E não é difícil colocar fala nas cenas que registramos.

_Vem que vou lhe mostrar o território e explicar algumas coisas.

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_É o seguinte, velho. Esse canto aqui é meu.

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_Aquele ali também é meu. Tudo aqui é meu e nada de fazer xixi sobre o meu.

_E não corra na minha frente. O macho alfa sempre tem que ser o primeiro.

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_Os colos também são meus. As mães também.

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_Você pode correr comigo. Vamos nos divertir muito. O melhor irmão canino do mundo pode ser seu.

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A diversão parece estar garantida por ali. No primeiro dia, um estresse com a ração, mas nada que não se resolvesse nos dias seguintes.

Cuqui foi muito bem recebido e ganhou três mães de uma só vez: Célia, Edivânia e Edilaine, todas apaixonadas por animais e dispostas a receber um cãozinho especial. O Negão pode até ser um pouco ciumento, mas ali tem colo pra todo mundo.

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E assim concluímos uma história com dois finais felizes. Negão e Cuqui serão amigos para sempre.

Como de costume, procuramos interpretar a energia do cão na nova casa, com os novos donos. É ele quem decidirá, ao final, se quer ou não ficar.

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E o Cuqui deixou claro que ficaria bem. Deitou-se no chão da cozinha, colocou toda a língua pra fora e abriu o maior de todos os sorrisos.

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Parecia estar me dizendo: _Pode ir. Eu ficarei bem aqui. Obrigado por tudo.

E assim nos despedimos do Cuqui, que nem notou quando saímos pelo portão. Estava ocupado demais cheirando tudo e descobrindo seu novo território.

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Seja feliz, amigo. Você é um cãozinho do bem. Merece toda a felicidade do mundo.

Fica aqui nosso muito obrigado à Edivânia, pela acolhida do nosso garoto. E também à Célia e Edilaine, que apoiaram a adoção e receberam o Cuqui como um presente de Deus para toda a família.

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Neste link, a história completa da Bianca: http://oloboalfa.com.br/bianca-a-espera-das-promessas/