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Meg foi encontrada no início de Maio de 2016, no cruzamento de duas perigosas avenidas em Contagem, no cio, seguida por dois meninos que a disputavam nos dentes.

Meg 1

Estava com tosa recente, feita na tesoura, por quem não tinha muita experiência com o assunto.

Além disso, uma infestação de carrapatos como poucas vezes se viu. As primeiras fotos foram feitas logo após o resgate e as manchas escuras que aparecem em seu pelo são colônias de carrapatos.

Meg 2

Assim que a vi naquela condição de perigo, chamei por ela, que correu ao meu encontro e se lançou no colo, sem nenhuma cerimônia.

Chegou à nossa casa, já no início da noite, recebeu um tratamento imediato para os carrapatos e passou a noite deitada, recebendo carinho enquanto os carrapatos eram retirados.

Ela dormiu pesado, sem nem notar os instrumentos que lhe arrancavam da pele os carrapatinhos minúsculos, recém-saídos do ovo.

Meg 3

No dia seguinte ainda havia carrapatos, embora a infestação já começasse a dar sinais de ter sido controlada.

Ela buscava o portão, como se tentasse fugir. A tosa, embora bem artesanal, era um sinal de que algum cuidado ela recebia.

O tamanho dos carrapatos indicava uma contaminação bem recente, o que levantava a hipótese dela ter se perdido há poucos dias.

Meg 4

Estranhamente, não tinha fome, o que contrariava a tese de estar na rua há mais de um dia.

Talvez alguém a estivesse ajudando, na rua mesmo. Poderia estar sendo alimentada, pela mesma pessoa que lhe retirou na tesoura o excesso do pelo embolado, apenas pra lhe aliviar a pele.

Enfim, a história da Meg é um mistério. Tentamos encontrar seus donos, sem sucesso. Ou foi abandono ou ela era mesmo uma semidomiciliada, que desapareceu sem causar maiores traumas.

Meg 5

O melhor a fazer seria prepará-la para a adoção e esperar que surgisse pra ela um dono verdadeiramente especial.

Fez todos os exames, que acusaram estar a Meg em ótima forma, sem nenhum sinal de anemia ou de infecção. O exame de Leishmaniose também deu negativo, o que nos permitiu iniciar a vacinação com a Leishtec.

Faltava apenas curar os males da alma. Não sabemos se foi abandono ou se ela se perdeu, mas o fato é que o passado, seja ele qual for, deixou marcas profundas.

Apesar da pouca idade (Um ano, segundo estimativa da veterinária que a examinou), ela não parecia feliz. Pouco brincava e chorava muito.

Foram alguns dias nessa angústia, até que uma viagem da família e um machinho (Cuqui) ocupando o território em casa, nos obrigou a levá-la na mala.

A essa altura, ela já havia se acostumado com a caminha nova e começava a se integrar à família.

Meg 6

As primeiras expedições pra um lobinho iniciante são sempre tensas. Meg não sabia se seguia a matilha, ou se permanecia rente às pernas das pessoas, como se não quisesse “dar sopa pro azar”. Parecia temer novo abandono.

Meg 7

Mesmo assim, com Duda e Hanna como guias, a pequenina lobinha de apenas 5 quilos e muita energia, começou a se soltar.

Meg 8

Foram muitas trilhas e um dia inteiro de aventuras.

Meg 9

O território é recheado de muitos odores. São marcas de outros bichinhos, que eles adoram descobrir.

Meg 10

Não teve coragem de se aventurar em águas profundas, mas ainda assim, aproveitou bem o passeio.

Meg 11

Meg 12

Parecia feliz e, no final, já sabia onde encontrar água. Meg estava se tornando uma ótima escoteira.

Meg 13

Na hora das brincadeiras, Hanna e Duda formam uma irmandade, quase uma sociedade fechada.

Mesmo assim, Meg insistiu até conseguir entrar na brincadeira.

Meg 14

Ela parecia animada e tinha energia pra, pelo menos, tentar acompanhar a Hanna.

Meg 15

E haja energia pra tanto malabarismo!

Meg 16

Meg 17

Meg 18

De volta ao nosso território da cidade, já tínhamos uma menina totalmente integrada à rotina da matilha.

Gostava de se deitar na varanda, olhando o movimento da rua. Enquanto Duda e Hanna latiam até pro vento, ela ficava ali, descansando, observando a algazarra.

Meg 19

Já demonstrava gostar de carinho e chegava a cochilar quando acariciada. A barriguinha exposta sempre foi sua marca. Oferece as tetas pra qualquer um que se aproxime, sendo conhecido ou não.

Meg 20

Levou uns dias pra entender que dedos que cutucam é o mesmo que: _Vem brincar?

Meg 21

Meg se deu muito bem com todos. Além de Hanna e Duda, ela conheceu também a Estopa, uma espetadinha de seu tamanho e também disposta a brincar.

Meg 22

Suas brincadeiras eram tímidas e bem discretas. Não era de muito estardalhaço e, por isso, mostrava-se uma cadelinha muito comportada.

Queríamos pra ela uma família pra conviver dentro de casa e com companhia em tempo integral. Não gostava de ficar sozinha.

Meg 23

As brincadeiras de mordiscar os dedos de quem lhe cutucavam eram discretas. Precisava de um pouco de insistência pra se animar.

Meg 24

Mas, com jeito, tudo se encaixava.

Meg 25

Nunca dispensou um colo. Aliás, ela reivindicava. Se deixar, fica no colo o dia inteiro, com alguns pequenos intervalos.

Meg 26

E os intervalos são de sono ou de folia. Duda, Hanna e Estopa, quando se juntam, colocam fogo na casa.

Meg 27

A Meg demorou a entender as regras daquele jogo, mas depois que entendeu, cuidou logo de participar.

Meg 28

Ela ainda é bem jovem e aprendeu bem rápido sobre ser um cãozinho de estimação.

Acreditamos que ela não tenha sido estimulada a brincar, nem mesmo na infância. É possível até que apanhasse.

Meg 29

Foi uma grande festa receber esta menina em nosso território.

Mas, com a vida recolocada nos trilhos, chegou a hora de seguir outros caminhos. Ela precisaria de adotantes especiais e esperávamos que a vida se encarregasse de encontrar seus futuros pais. Meg era uma cadelinha de companhia, pra conviver com a família dentro de casa.

Meg 30

Acreditávamos também ser importante que, nesta nova família, ela encontrasse pelo menos mais um lobinho.

Meg 31

E foi aí que tudo aconteceu. Ela nem estava pronta pra seguir viagem e já apareceu alguém disposto a recebê-la. Então, mesmo com a castração ainda agendada, levamos a Meg pra conhecer sua nova família.

Parecia que foi amor à primeira vista e que a Meg teria enfim a família que queríamos pra ela. Após a castração e o pós operatório, ela seguiu para sua nova casa. E assim foi por algum tempo. Por 8 meses ela teve uma família. Foi bom, mas durou pouco.

Sua adoção aconteceu em maio de 2016 e, em Janeiro de 2017, foi ela devolvida.

Os motivos? Não importa. É preciso apenas explicar que não foi culpa dela. Ela foi feliz, mas não foi para sempre.

Meg 35

Depois de 8 meses com uma família, essa devolução pra ela foi mais um abandono, mesmo que tenha voltado para a nossa casa e reencontrado suas antigas amigas de bagunça. Teremos pela frente alguns dias de muita tristeza, mas faremos de tudo pra que esses 8 meses sejam apagados da cabecinha dela.

Meg chegou por aqui limpinha, gordinha e muito bem cuidada. Ainda assim, a mais triste cadelinha do mundo. Chegou procurando o que não perdeu e cheia de perguntas, para as quais não tínhamos as respostas.

meg

Estava saudável e pronta pra começar uma nova vida. Recebeu as três doses da Leishtec e, já em nosso território, as demais vacinas, que não foram dadas.

Faltava o fechamento de sua história. Ele precisava de uma nova família.

No passado, ficaram amigos que ela talvez se esqueça rapidamente. Uma, em especial, não queremos que seja esquecida. Lua, a irmãzinha da Meg nos 8 meses em que esteve com os primeiros adotantes, e que também foi devolvida, espera por adoção em outro lar temporário. Elas foram amigas, mas a vida quis que seguissem caminhos diferentes. Quem sabe um dia elas se reencontram?

Meg Lua

Para a Meg, a vida foi bem generosa. Ela passou algumas semanas em nossa casa, quando foi novamente reintegrada a uma matilha que já havia sido dela um dia.

Mas, sabíamos que o dia da despedida chegaria. E chegou. Ela tomou banho, passou perfume, colocou uma roupinha rosa e ficou por ali. Era o momento da despedida.

Pintada, tão acostumada com as despedidas, parecia dizer algo à Meg, como se desejasse a ela felicidade na nova casa.

Meg adotada 11

A própria Meg também parecia pressentir algo no ar.

Meg adotada 12

Meg adotada 13

Muitos cheiros, beijos e votos de boa sorte marcaram a despedida dela em nossa casa. Chegou a hora de partir.

Ela foi no carro, na janela como de costume, recebendo o vento no focinho, como se fosse passear. Nós também estávamos tranquilos, porque os adotantes eram velhos conhecidos e sabíamos que a Meg não poderia ter encontrado família melhor.

Pra quem se lembra das fotos abaixo, Meg agora será irmãzinha do Max, um sujeitinho que, quando o resgatamos, mais parecia um monte de estopa velha.

Max antes e depois

http://oloboalfa.com.br/max/

Max adotado

Ela terá também um priminho chamado Pedrinho e uma irmãzona chamada Serena. A Drica, irmãzinha especial do Max, e que também passou uma temporada em nosso território, não está mais entre nós. Partiu rumo à “terra dos cachorros que falam”.

Max 12

 

Assim que chegou na nova casa, o primeiro a vir dar as boas vindas foi o Pedrinho. O Max preferiu invadir a casinha vermelha dela, pegar sua boneca e correr pra esconde-la.

Depois foi a vez de conhecer o colo da mãe.

Meg adotada 14

E é claro que alguém reivindicaria aquela mãe, que já tinha um dono. Apesar da ciumeira, não houve estresse. Como já dissemos de outras vezes, naquela casa não falta colo.

Meg adotada 15

Depois do colo de mãe, era hora de conhecer o colo de vó. E, mais uma vez, tinha alguém ali pra reivindicar a vó, que também já tinha dono.

Meg adotada 16

Depois de conhecer a vó, recebeu também as boas vindas da tia Renata.

Meg adotada 17

Meg entregue à nova família, era hora de nos despedir. E para que a Meg não nos visse sair (Lembrando que, na cabecinha dela, ali acontecia mais um abandono), ela foi para o quarto com a avó, com direito a petiscos e muitos afagos, enquanto nos despedíamos no portão, da Rejane e do Max.

Meg adotada 18

As notícias que chegaram foram as melhores, mas nem uma vírgula sequer diferente do que imaginávamos que seria. Meg muito bem adaptada, brincando com o irmão e o priminho, e tendo muito afeto, exatamente como ela gostava.

A caminha vermelha foi com ela, mas, assim como aqui em nossa casa, ela não costumava usar a toquinha, senão para ficar na varanda olhando o movimento da rua. Ela sempre preferiu dormir na cama.

Na nova casa, a cama eleita foi da vó Dalva. Que você seja muito feliz, Meg Raia (Como era chamada por aqui).

É certo que, durante um bom tempo, sentiremos uma saudade de doer. Esse talvez seja o pedágio daqueles que se dispuseram a proteger animais. O nosso consolo é olhar para a caminha que você deixou vazia, e ver que ela já está ocupada.

O Zezinho precisava muito de nós.

Meg