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Difícil encontrar as palavras.

Mas não devemos ser políticos. Devemos mostrar a verdade, tal como ocorreu. Afinal, nosso propósito é sensibilizar, captar bons adotantes e dar a essas criaturas uma segunda chance, doa a quem doer.

Estávamos na Cão Viver tirando fotos de alguns cães para algumas matérias, quando nos foi pedido que tirássemos fotos da Moa, uma cadelinha que acabara de chegar.

Quando nos aproximamos, ela estava na coleira, em companhia das pessoas que a haviam levado.

Estava muito assustada, com o rabinho entre as pernas, demonstrando medo e insegurança. Logo imaginamos que deveria estar nas ruas, sendo hostilizada, enxotada e agredida, como a maioria que chega por ali, geralmente, pelas mãos de um protetor.

Estávamos errados. A Moa havia sido encontrada quando tinha pouco mais de 20 dias de vida. Quem a encontrou também a adotou, tratando-a como filha por dois anos e meio.

Mas aí uma mudança de casa foi o bastante. A mala era pequena e a Moa não caberia nela.

Para a nossa surpresa, as pessoas que a estavam “entregando” para adoção eram seus donos, os mesmos que a retiraram das ruas ainda frágil e que, agora, não mais a queriam.

Triste ver que ela sabia o que estava acontecendo. Pulava em seus donos, como se pedisse socorro, como se implorasse pra não ficar ali. Mesmo com medo e o rabinho entre as pernas, encontrava forças pra demonstrar carinho aos donos. Tentava de todas as formas mostrar-lhes que poderia continuar sendo uma boa cadelinha e não precisava ser deixada ali.

Mas eles não entenderam ou não quiseram entender. Ela viveu dois anos e meio sem qualquer contato com outros animais. Por isso, era arredia e demonstrava medo de outros cães. Estava em pânico naquele lugar estranho. Não foi socializada. Ficamos imaginando o pavor que ela sentiria quando fosse colocada entre outros lobos.

Daquele momento em diante, seus dias seriam tristes e sofridos. Pra nós, que resgatamos e convivemos tão de perto com essas criaturas, não tivemos estrutura para sequer nos despedir de forma cordial e educada daqueles que seguravam sua guia.

Nós nos limitamos a tirar as fotos, pedir licença e nos afastar. Mais um abandono presenciado ao vivo e a cores. Isso ocorreu no início de Novembro de 2011. A cena daquela cadelinha implorando aos donos pra não ser abandonada, jamais me saiu da lembrança. Por várias vezes me vi pensando nela e imaginando se teria sido adotada.

Mas a vida é mesmo sábia. Em Janeiro de 2012, dois meses após o abandono, estávamos novamente na Cão Viver, desta vez, levando dois cãezinhos idosos (sendo uma cega) que haviam sido jogados de um carro. Enquanto esperávamos o atendimento dos dois velhinhos, pudemos presenciar o encontro da Moa com os donos para os quais ela havia sido guardada.

Presenciamos o abandono ao vivo e a cores. E, como se a vida nos permitisse apagar de vez aquelas tristes lembranças, nos foi permitido também presenciar e fotografar o encontro da Moa com seus novos donos.

Também tive a alegria de acompanhar os adotantes até o canil onde ela estava e contar-lhes sua história. Parece mentira, mas a Moa, mesmo ainda arredia e assustada, pulou no colo de sua nova dona, como se dissesse:

_Eu estava te esperando.

Se ela está feliz? Mais que isso. Ela agora está em boas mãos, amparada e protegida como deveria ter nascido.

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