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No dia do resgate, já era possível saber que algo ali não estava bem. Pinky é uma Pit Bull de raça pura, com menos de 2 meses de vida.

Tudo indica que nasceu em algum criatório de fundo de quintal e, como veio ao mundo com problemas, foi descartada, como se descarta mercadoria com defeito de fabricação.

Ela havia sido jogada fora, lá na Lagoa da Pampulha. Estava desnutrida, muito fraquinha, já se despedindo da vida.

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E nem precisava de muita experiência pra saber o que se passava. Hidrocefalia é o nome daquela moléstia. Fatal em muitos casos, provoca grande desconforto no animal.
A cabeça pesa e altera o centro de gravidade, chegando a interferir no equilíbrio do cãozinho.

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Os exames confirmaram. No ultrasson, a parte escura é pura água. Aquela coisinha pequena teria uma chance, mas precisaria de alguns cuidados e medicamentos.

Nada complicado e nem tão caro. Nada que inviabilizasse a tentativa de dar a ela a vida que todo cão merece.

Os primeiros dias não foram fáceis. A pequenina quase não tinha veia, e nem assim escapou das agulhas. Ela chorava baixinho, e de cabeça baixa. Faltava força pra levantar a cabeça e firmar o pescoço.

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Foram muitos dias internada. Aquela dificuldade motora provocada pelo peso da cabeça em breve seria esquecida. Sendo uma Pit Bull, sabíamos que ela ficaria forte o bastante pra suportar o peso da cabeça.

A vida sempre encontra um caminho e tínhamos esperança de que a pequena Pinky também encontrasse o seu ponto de equilíbrio.

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Assim que recebeu alta médica, pôde, finalmente, conhecer a vida de um cãozinho estimado.

Ganhou uma caminha bem macia e alguns agradinhos. Os dentinhos finos já estavam na medida pra destroçar palitinhos e brinquedos.

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Os cuidados e carinho ela recebeu pela primeira vez. Tudo indica que, até o momento do resgate, Pinky era apenas uma mercadoria.

Na verdade, o nome Pinky ela também ganhou de seus protetores. Não se dá nomes a mercadorias.

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As tentativas de adoção até que aconteceram, mas não foram bem sucedidas. Mesmo tão novinha, já havia experimentado a exposição de feiras de adoções, e os olhares curiosos e as perguntas: _ O que ela tem?

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É bom explicar que os sinais da hidrocefalia tendem a desaparecer, na medida em que ela crescer.

Também o equilíbrio vai melhorar. Com 4 meses de vida, ela já estava bem grandinha e já corria e brincava, como qualquer filhote saudável.

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Pinky era uma bela lobinha. Demandou cuidados, é claro, mas nada muito intenso. Esperávamos que ela crescesse forte e se tornaria uma cadelinha de colo.

E foi o que acabou acontecendo. Ela cresceu mais e, aos seis meses de vida, já estava bem grande e forte.

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Faltava-lhe um dono, mas não deu tempo. Pinky partiu em um final de tarde de quinta-feira, depois de uma grave recaída em razão de uma doença muito rara. Não foi a hidrocefalia, mas uma forte inflamação nos nervos, uma doença muito grave, que provocava muita dor.

Tudo indica que o resgate aconteceu apenas para que ela partisse levando a lembrança de ter sido estimada. Isso faz toda a diferença no processo evolutivo deles.

Vá em paz pequena. Em breve você estará de volta e livre de todas as doenças. Quem sabe você volta como uma legítima vira-lata, e assim escapa da sina de cair nas mãos de criadores sem escrúpulos?

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