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Esta cadelinha, desnutrida, quase sem pelos, com as tetas inchadas de leite, foi avistada no centro da pista da Avenida Tancredo Neves.

Os carros desviavam dela e a pequena conseguia mexer apenas a cabeça. O atropelamento havia sido grave.

Um motoboy, que passava do outro lado da pista com uma caixa térmica repleta de pizzas, decidiu dar a volta e socorrer a menina. Tudo que ele poderia fazer era retirá-la da pista e colocá-la na calçada.

Mas por ali também passava alguém com disposição de ajudá-la. Foi resgatada e levada às pressas para uma clínica veterinária, onde fez vários exames.

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O estado geral dela não era bom, mas pior ainda era imaginar que filhotes estivessem perdidos em algum buraco, esperando o retorno da mãe.

Ela não vai voltar e os pequenos, se ainda estivessem vivos, morreriam de fome. Como agulhas em um palheiro, eles foram procurados nos terrenos próximos ao local do atropelamento, mas não foram encontrados.

Cinco dias depois do atropelamento, a pequena Chiquinha teve alta médica, a essa altura, já caminhando com as próprias pernas.

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Ela deixou o hospital, com destino a qualquer lugar, mas antes, uma parada obrigatória ao local do atropelamento.

Ela desceu do carro, claro, com coleira e guia, cheirou por ali, fez um xixi mais adiante, caminhou meio sem saber pra onde e, de repente, consegue captar um cheiro diferente. Empina o focinho como se dissesse: _Ei! Eu sei onde estamos.

E partiu em disparada, arrastando sua protetora que se esforçava pra acompanhar o galope daquela mocinha ainda debilitada.

Ao chegar às grades de um prédio, tentou desesperadamente entrar, indicando claramente que conhecia aquele lugar.

Alguém apareceu e foi perguntado se ele conhecia a cadelinha. Foi explicado o que aconteceu. A resposta foi a melhor possível: _Sim. Ela é daqui sim.

Quando o portão se abriu, ela correu em direção à entrada de um dos prédios e subiu em disparada até o último andar.

Quando a porta se abre, muita festa, muitos abraços e muito choro.

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E não só as crianças esperavam por ela. Seis lobinhas estavam lá, vivas, fortes e saudáveis.

O estado da Chiquinha tinha uma explicação. Uma doença na família fez com que sua mãe humana se ausentasse de casa por uma semana e, quando retornou, ela já estava naquele estado.

A fraqueza era explicável, pela quantidade de lobinhas sugando-lhe todas as energias.

A queda do pelo era, possivelmente, o estresse e a saudade de sua dona.

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O nome verdadeiro dela é Mel, talvez uma referência à cor de seu pelo, mas isso não tivemos como conferir.

As parrudinhas, que acreditamos tenham sido alimentadas com maizena nos últimos 5 dias, estão aí, agora vacinadas, vermifugadas e disponíveis para adoção. Devem ficar de porte pequeno, como a mãe.

Sua protetora deu o suporte necessário. Mel e filhotinhas receberam vacinas, cuidados, ração de boa qualidade e até vitaminas, no caso dela, indispensável. Mel foi depois castrada mas não está para adoção. Ela já tem uma caminha bem macia ao lado da cama de sua mãe humana.

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Os filhotes cresceram, foram adotados e a vida seguiu, como tinha que ser.

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A Mel continuou sua jornada, agora com donos mais cuidadosos, já castrada e com vacinas em dia. Continua sendo uma cadelinha de dentro de casa. Hoje não sai mais sozinha como antes. Seus donos aprenderam a lição e prometeram maior cuidado com ela.

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Um resgate de eliana.malta@terra.com.br