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Esta moça é a líder de uma equilibrada matilha. Para doá-la, precisávamos fazer um concurso “Olhar Cativante” ao contrário. Poderia adotá-la aquele que conseguisse conquistá-la.

Ela não é mutilada, não tem qualquer dificuldade motora, não é velha, não é cega, é muito dócil, não tem nenhuma doença grave, mas ainda assim, era uma adoção especial.

A Xuxa viveu muitos anos na Cão Viver à espera de um adotante. Como era uma cadela muito bonita e bem cuidada, não lhe faltaram pretendentes.

Mas a Xuxa não aprovou nenhum. Afinal, ela é uma bela fêmea alfa que, mesmo abandonada e maltratada pela vida, não perdeu a magestade. É altiva, orgulhosa de sua linhagem, mas sobretudo muito exigente quando o assunto é “humanos”.

Ela tem um comportamento ativo, gosta de correr, pular e brincar. Normalmente, na Cão Viver, quando o canil é aberto para o passeio diário, ela corre e esbanja vitalidade.

Mas quando percebe que tem algum pretendente à adoção observando, ela sai um pouquinho e volta correndo para o cercado, deitando sobre o canil, exatamente como mostrado na foto, isso quando não vira a cara para os adotantes.

Em “conversa” com ela, os diretores da ONG ficaram sabendo que ela não teve boas referências de humanos. Foi muito maltratada, teve uma vida dura e cruel e, por isso, prefere ficar na Cão Viver do que arriscar outros donos.

Afinal, na ONG, tem lugar cativo no melhor canil, boa comida, água fresca, banhos, carinho e passeios. Sua frase preferida é: “O que eu tenho, me basta.”

Entretanto, ela não é sempre arredia. Com alguns poucos funcionários e diretores da ONG, se mostra receptiva e sempre que tem oportunidade, corre de encontro, abanando o rabo e chamando para brincar. 

Portanto, para ter direito à adoção da Xuxa, o adotante precisaria passar pela avaliação rigorosa da própria Xuxa. Só com a aprovação dela a adoção seria autorizada. Seria necessário alguém que se propusesse a conquistá-la, ainda que fossem necessárias várias visitas à ONG. A Cão Viver estava de portas abertas aos pretendentes.

Ela tem muita energia. Seria ideal para pessoas que gostam de passeios ao ar livre, e bem acompanhados, ou para sítios e casas de campo murados ou telados.

Algumas pessoas viram o anúncio e decidiram se candidatar. Mas a Xuxa mostrava-se firme em suas convicções. Era certo que havia alguma razão que nós desconhecíamos. O tempo nos mostraria a verdade.

O tempo de descobertas finalmente chegou. Dentre os vários pretendentes, uma em especial, chamda Clarissa, surpreendeu a todos. Na verdade, quem surpreendeu foi a Xuxa. Assim que recebeu a visita da Clarissa, se transformou. Ninguém sabe o que aconteceu, mas, de um segundo para o outro, a Xuxa se mostrou receptiva e aberta à adoção.

Estava finalmente disposta a deixar o canil redondo e tentar a vida. Não sei qual interpretação as pessoas farão disso, mas pra nós é tudo muito claro. A Xuxa reconheceu a Clarissa. Agora sabemos que todos esses anos, ela não aceitou ser doada, porque sabia que um dia a Clarissa viria buscá-la.

O resto agora é “final feliz”. As fotos e os diários enviados pela Clarissa nostram que a Xuxa sabia mais sobre a vida que todos os protetores juntos.

De onde elas se conheciam? Não importa mais.

Relatos da Clarissa.

O dia da adoção:

A Xu veio no carro observando tudo pela janela, uma fofura. Aí pulou pro banco da frente e viemos conversando até minha casa. Chegamos aqui e eu deixei ela andar pela casa toda e depois coloquei água e ração pra ela.

Ela já tava toda carinhosa com o pessoal aqui em casa, abanando o rabinho o tempo todo.

Conquistou a casa toda e até conseguiu descolar uma salsicha.

Depois dei um banhozinho quente nela com sabonete protex e sequei o pelo no secador. Ela amou o ventinho quente,  nem mexia direito, toda dengosa.

E agora está dormindo igual pedra no sofá que tem no meu quarto. Mas toda hora que eu desço pra pegar alguma coisa na cozinha, ela vem toda toda, rebolando pra mim. Até abaixa o corpinho pra ganhar carinho na cabeça.

Parece q ela sempre foi acostumada com caminha, banho quente etc. Ela é uma lady. Não estranhou nem um pouco esse conforto todo. Quero muito que ela se adapte a morar aqui comigo.

Alguns dias depois…

Ela está amando. Coloquei ela no sofá ao lado da cama mas, com muito custo porque ela quer mesmo é ficar na minha cama no meio das cobertas.

Ela hoje já rolou na grama e ficou deitada tomando sol. Depois correu bem depressa no quintal todo. Mas sempre fazendo questão de vir em minha direção pra me lamber e subir nas minhas pernas.

Adora um carinho atrás da orelha e parece que já viveu em uma casa, porque se adaptou a tudo facilmente. Prefere que a chamem de Xu.

Muito comportada e carinhosa. E acho que já me reconhece como dona dela (ou eu sou uma mãe coruja que torce por isso) e reconhece meu quarto como seu canto porque sempre se refugia aqui no seu sofá.

Estou muito feliz e espero que dê certo. Nunca tive um cachorro desse tamanho e sempre peguei filhote. Então, ainda não conheço a linguagem dela. Mas estamos muito empenhadas (eu e a Xu) em fazer o possível e o impossível pra aprender a viver juntas.

Ela parece perceber que tem que se esforçar pra se adaptar. Agradeço a deus por ter unido nossas vidas.

O pessoal aqui em casa ficou emocionado com a história da Xu. Com certeza ela está me fazendo amadurecer.

E tem mais…

Estas são as fotos do passeio que fizemos hoje. Ela e a Eve, minha outra cachorra ainda estão estabelecendo as regras de liderança aqui em casa.

De manhã cedo correram no Jardim da casa e a Xu rolou na grama toda. É impressionante como ela faz questão de agradecer o tempo todo pelo carinho recebido.

Quando fui colocar a coleira pra sairmos, ela ficou com medo. Acho que ela pensou que eu ia tirá-la da casa e correu pro sofá que ela dorme.

Mas depois foi confiando e até me deu um abraço bem gostoso no meio do passeio.

Com os gatos ela ficou na dela rs.  Eles que morreram de medo.

Depois mando mais notícias.

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